Confira a resenha da reunião do grupo de oposição "Cruzada vascaína"

22/06/2009 às 06h14 - CLUBE

Na segunda feira desta última semana o grupo de oposição Cruzada Vascaína realizou um debate na Casa da Vila da Feira, localizada na Tijuca, acerca do novo programa de sócios do Vasco da Gama.

Eu fui convidado a participar da mesa de debates, juntamente com Bruno Paes e Jeferson Melo (sócios da empresa terceirizada pra tocar o programa) e Marcos Blanco, atual Diretor de Marketing do Vasco.

Em clima de absoluta cordialidade e com sentido claro de produtividade, Bruno Paes tirou várias dúvidas, respondeu perguntas e deu informações sobre o programa.

Eu não sou jornalista, portanto fica difícil para mim escrever algo parecido com uma matéria para o Supervasco, desta forma prefiro que estas linhas sejam vistas como um depoimento de quem esteve presente.

Abaixo eu vou transcrever alguns dos pontos que considero mais importantes discutidos nesta noite:

1. Bruno Paes explicou sucintamente que o plano de lançamento do programa de sócios se baseou em três estratégias:

1. Captação

1. Lançamento - mobilização da maior exposição de mídia possível, o que se conseguiu com a ampla cobertura da imprensa e com o sucesso na convocação tanto do Governador do Estado quanto do Prefeito da cidade do Rio de Janeiro;

2. Internet – apoio maciço dos sites relacionados ao Vasco (Supervasco e Netvasco) e dos sites de esporte (a destacar a página do Vasco na Globo.com);

3. Outdoors e Campanha de TV – a campanha mais ampla de outdoors começa agora, passado o boom inicial de captações. Em julho a campanha estará também na TV aberta, aproveitando créditos que o clube tem junto à TV Globo.

2. Manutenção

1. O primeiro grande benefício pensado ao associado do Vasco se reflete no desconto na compra de ingressos para os jogos. Isso foi observado como uma competência essencial para o sucesso do programa;

2. O direito a voto – foi observado, como era de se esperar, a grande demanda pelo torcedor vascaíno pelo direito ao voto, pelo direito de influenciar diretamente nas eleições do clube. Um grande avanço na estrutura democrática do clube, que continha menos de 1000 associados pagantes e com direito a voto (excetuando-se os remidos e categorias isentas).

3. Clube de super vantagens – serão firmados uma série de convênios para que o sócio do Vasco tenha descontos e condições especiais em estabelecimentos comerciais de diversas naturezas. Foi nos informado que a rede de restaurantes Outback já estará neste grupo, assim como o patrocinador Habbib´s. A idéia é incluir redes de todos os tipos, para atrais os públicos masculino, feminino e infantil.

3. Recuperação

1. Existe também um terceiro item importantíssimo que é recuperar vendas inacabadas, no que tange a cadastros não finalizados, cadastros cujos pagamentos não foram realizados e cadastros cujos créditos em cartão de crédito não foram aprovados.

2. Investimentos iniciais

Foi explicado pela dupla de empreendedores que o Vasco não continha estrutura capaz de atender ao lançamento do programa de sócios, e por isso eles participaram da escolha do lugar da Central de Atendimento, bem como se responsabilizaram pelos investimentos iniciais necessários para que ela pudesse começar a funcionar.

3. Recuperação de sócios antigos e recadastro

O trabalho de recuperação dos sócios antigos está a cargo da Vice Presidência de Comunicação, com o Sr. Peralta. As regras estão sendo definidas por ele, apesar da recuperação já estar sendo feita e com sucesso.

O recadastro dos sócios antigos e sua migração ao novo sistema de banco de dados se faz uma regra do contrato de prestação de serviços. O cadastro de sócios do Vasco praticamente inexistia (o meu título antigo, que recuperei ontem, só continha meu nome e meu aniversário. Meu endereço e meus outros dados tinham sumido do cadastro, sabe-se lá como).

A unificação do cadastro do Vasco só trará benefícios ao clube. Em primeiro lugar, não haverá mais aquelas intermináveis discussões sobre sócios aptos ou não a votar, listas de votação diferentes uma das outras, coisas que lembram clubes de bairro no início do século passado. Além disso, será fundamental o recadastramento para que os sócios antigos possam usufruir do Clube de Vantagens.

Se não se recadastrar o sócio deixa de estar apto a votar e a usar o Clube de Super Vantagens. A tecnologia da carteirinha também fará com que somente os sócios adimplentes possam usar o clube nos diversos estabelecimentos que farão parte do projeto.

4. Escopo do trabalho

Foi perguntado especificamente sobre o escopo do trabalho da empresa terceirizada. Onde começava e onde terminavam as responsabilidades da empresa, e onde as responsabilidades do Vasco se iniciavam.

Bruno explicou que as responsabilidades da empresa se resumem à divulgação, captação, controle do banco de dados e no fornecimento do programa de venda de ingressos para sócios. A partir daí, a operação da venda de ingressos e a relação com os sócios é de responsabilidade do clube, como não poderia deixar de ser.

Neste momento o Diretor de Marketing Marcos Blanco pediu a palavra para garantir aos presentes que o trabalho da nova área de marketing do Vasco estava só começando, e que várias idéias eram diariamente discutidas, mas que tudo sempre demanda tempo e organização para se colocar em prática, principalmente levando-se em consideração que existia muito pouca estrutura prévia.

5. Perguntas do público

1. Questão do sócio menor.

Várias suposições foram levantadas com várias pessoas citando questões e interpretações estatutárias acerca da venda de títulos para menores de idade e os respectivos pagamentos, transferência de títulos, etc.

Bruno Paes levou o “dever de casa” de checar todas as questões relativas a compra de títulos para menores de idade e divulgá-las em breve no próprio site www.ovascoemeu.com.br, eliminando portanto quaisquer dúvidas que ainda persistam.

2. Necessidade de CPF e CEP no cadastro

Estas exigências fazem com que candidatos de fora do País, de outra nacionalidade ou mesmo menores de idade tenham dificuldade de se tornarem sócios.

No caso dos brasileiros menores de idade, entendeu-se que a necessidade de CPF se manteria, e que isso poderia ser considerado normal hoje em dia.

Bruno e Jeferson prometeram uma solução para o problema de quem mora fora do Brasil, quanto à necessidade da entrada do CEP no cadastro, para breve. Entendem também o quanto é importante podermos ter sócios fora do País. Ficaram também de pensar no que fazer com os sócios estrangeiros que não possuem CPF.

3. Divulgação do número de cadastrados e não dos efetivamente sócios

Todos na mesa disseram que a opção pela divulgação do número de cadastros é, neste momento, uma decisão estratégica, já que obviamente o número de sócios já efetivamente convertidos é menor.

Todos foram claros em dizer que não tinham autorização da Diretoria do Vasco para divulgar este número.

É importante salientar que ao mesmo tempo em que estão incluídos neste número os cadastros que não foram e talvez nem sejam efetivados como sócios, também não estão incluídos o número de títulos antigos recuperados, de antigos sócios que decidiram voltar ao Vasco neste momento de reerguimento do clube.

4. Características do contrato de prestação de serviços

A discussão sobre o comissionamento da empresa terceirizada tem gerado muitas discussões em fóruns sobre o Vasco, principalmente no que tange à remuneração percentual deste contrato. O assunto, apesar de delicado, foi trazido à mesa pelo Presidente da Cruzada, Leonardo Gonçalves.

Foi explicado que a empresa terceirizada está 100% no risco do negócio, ou seja, só ganha sobre o número de sócios que aderirem ao sistema. Apesar disso, os sócios salientaram o investimento inicial feito por eles na central de atendimento montada em São Januário, não inicialmente previsto, como prova do quanto acreditam no sucesso do projeto de captação de sócios.

Não foi discutido o percentual que eles ganham sobre cada sócio por razão clara de que divulgar este número é de responsabilidade da Diretoria do Vasco, e não da empresa contratada.

Neste momento fiz um breve comentário do porque da decisão de se terceirizar uma operação em uma empresa. Quando se busca uma terceirização essencialmente estamos buscando duas coisas:

1. Trazer know how externo não existente dentro da sua empresa
2. Transformar custo fixo em custo variável

É claro que ninguém acredita que a estrutura atual do Vasco teria o know how necessário para captar e administrar sequer 5.000 sócios, quanto mais os números que estão sendo buscados. Não havia gente, sistema, estrutura física e nem vontade política de fazer o número de sócios chegar a 20.000, 30.000 ou mais. Buscar uma empresa especializada nisso foi a melhor das alternativas.

Em segundo lugar, o Vasco não tem hoje condições de arcar financeiramente com o custo fixo de administração do programa, e a falta de recursos para investimento nisso faria com que o lançamento fosse sempre precário, sempre de nível menor do que o esperado. Com este dado na mesa, transformar o custo fixo de sustentar internamente esta operação em custo variável, com toda a responsabilidade da empresa terceirizada, que ganha um percentual sobre a transação em caso de sucesso, foi um notável acerto.

Ficar discutindo se o valor percentual é 15 ou 20% é bobagem e coisa de guerrilheiro que quer tumultuar. Não estamos falando de qualquer um negociando pelo Vasco, e sim do Fabio Fernandes. Então nem vou me alongar neste tema.

5. Compra de ingressos pelos sócios

Ficou claro demais que o maior benefício de um novo sócio é poder votar. No Vasco, hoje, poder votar é tudo. A torcida não quer mais ficar a mercê de 150 pessoas decidindo o futuro do clube, quando quem paga as contas está nas arquibancadas (por mais que tenha gente que diga que torcida não paga a conta).

Porém a grande reclamação, justíssima por sinal, é a da falta de comodidade em comprar ingressos. Várias idéias foram dadas ao diretor de Marketing Marcos Blanco que prometeu dar continuidade a todas elas. O certo é que os sócios do Vasco querem ter mais privilégios na compra de ingressos, como por exemplo: guichês exclusivos, acesso a pré-venda e pacotes com benefícios incluídos (visita à concentração, ao almoço dos jogadores, etc).

Isso se tornou tão premente quanto ao direito do voto.

O texto ficou meio longo e peço desculpas também pelo atraso em enviá-lo, numa semana conturbada profissionalmente.

Gostaria de finalizar com um depoimento sobre a iniciativa da Cruzada e a resposta da Diretoria do Vasco, enviando o seu Diretor de Marketing para representar o clube.

A Cruzada se firma, no meu entendimento, como o verdadeiro grupo de oposição do Vasco. Porque busca uma oposição construtiva, sem guerrilha barata nem revanchismo. Quer ajudar porque o Vasco é mais importante que seus projetos pessoais, e isso é o que a torcida acredita.

Pessoas como o seu Presidente Leonardo Gonçalves, seu pai Manoel Gonçalves, Jayme Lisboa, Maurício, Jairo Filho, Rodolfo entre outros, se reuniram mesmo tendo suas divergências e estão trabalhando em prol do clube.

Ao mesmo tempo a ida do Diretor de Marketing do Clube ao debate mostra que o clube está disposto a conversar com quem os respeita, com quem quer discutir o Vasco de forma construtiva e sem ataques baratos.

Ficou para mim a sensação de que pode ter acabado esta fase de guerrilha baixa, de denúncias vazias e de discussões onde só o que importa é a revanche, com o Vasco sempre em segundo lugar.

Os guerrilheiros estão ficando para trás, e só quem ganha com isso é o nosso VASCO.

A reunião acabou com um grande CASACA puxado pelo Presidente da Cruzada, e em clima amistoso. Como o Vasco tem que ser.

Um abraço a todos

Vitor Roma

Fonte: -