Dinamite: "O Vasco, hoje, é um clube diferente"

25/10/2009 às 09h46 - CLUBE

Ídolo da torcida vascaína nos campos, Roberto Dinamite foi convocado para cumprir o resto de sua missão no Vasco como dirigente e não fugiu da luta. Assim como enfrentou a marcação pesada dos zagueiros adversários na época de jogador, ele agora encara os problemas administrativos do clube e começa apresentar os primeiros êxitos. O primordial seria recolocar o Vasco de volta à divisão de elite, algo que está muito próximo de se concretizar. Para tanto, Dinamite foi obrigado a driblar a falta de credibilidade que atingia o clube devido às trapalhadas da antiga diretoria, assinou bons contratos de patrocínio e recuperou o quadro social cruzmaltino, que antes de sua chegada ao comando possuía um pouco mais de 900 sócios pagantes e atualmente está quase batendo a casa dos 40 mil sócios adimplentes. Segundo o dirigente, isso só foi possível devido à política de aproximação com os torcedores e com o quadro social, o clima tenso e de desconfiança do passado recente hoje não se encontra mais em São Januário, onde passou a existir um ambiente de respeito mútuo. Roberto Dinamite divide o sucesso obtido até aqui com toda equipe de assessores e afirmou que o presidente vascaíno deixou de ser visto como o senhor de todas as decisões no clube, atualmente as decisões passam por um colegiado que define o que é melhor para a instituição Vasco da Gama.

Emanuel Amaral\"RobertoRoberto Dinamite, presidente e ídolo do Vasco da Gama


É muito triste ver o Vasco na segunda divisão?
Acho que sim, a segunda divisão para um clube grande como Vasco, como o Corinthians, é uma situação que nenhum deles gostariam de estar passando. É ruim em vários sentidos, na questão do nome, do prestígio do clube, no aspecto financeiro. É ruim, mas você deve estar preparado para isso, o Vasco hoje mesmo estando numa série B tem um plantel que pode jogar de igual para igual com qualquer time da série A. O Vasco hoje continua podendo se hospedar em hotéis de primeira linha, onde os demais clubes grandes também se hospedam, quer dizer nós conseguimos manter aquele certo prestígio.

E como o Roberto está enfrentando essa situação?
Nós estamos procurando atender todas as necessidades do futebol da melhor maneira possível, amanhã nós queremos estar classificados para divisão de elite, depois de amanhã nós já estaremos planejando realizar novos investimentos para poder reforçar nosso elenco e aí sim passar a pensar na primeira divisão. São etapas que a gente tem que ir vencendo e acredito que o Vasco se preparou para isso dentro da série B. Nós tivemos algumas situações de dificuldade com a oscilação do nosso grupo, mas agora estamos conseguindo manter uma regularidade importante. Essa é a tônica das competições nacionais, ninguém se mantém na ponta o tempo todo, acredito que essa é uma experiência válida, mas reconheço que como presidente de um grande clube gostaria de não estar passando por ela.

Qual o grande problema de uma queda de divisão para um clube do porte de um Vasco?
Logo no primeiro momento você perde metade da receita que tinha na temporada anterior, aí os clubes de ponta se não tiver uma boa estrutura, não se planejarem de forma adequada e não se preparar da maneira certa, vai sofrer as dificuldades inerentes a situação. Nós já temos exemplos de grandes clubes como o Bahia, que possui uma grande torcida, e viveu o drama de ser rebaixado em sequência para segunda e terceira divisões. O ideal para qualquer grande clube — essa é até uma proposta que o Vasco apresentou ao Clube dos Treze — é que ao cair, no primeiro ano ele mantenha a mesma verba que trabalhou no ano imediatamente anterior. Isso valeria para os clubes fundadores do Clube dos Treze. Ontem caiu o Corinthians, hoje o Vasco e certamente amanhã irá cair algum outro clube de tradição no cenário nacional. O Fluminense, que está para cair, não concordou com a nossa proposta, mas ela está em análise. Falo isso porque a parcela que é diminuída não entra no bolo para divisão dos demais clubes, fica para o Clube dos Treze.

O momento difícil, após aquele choque inicial, reaproximou o torcedor vascaíno do clube?
Caiu! Tem que ter humildade para poder voltar e dentro desse trabalho passo a passo os torcedores vão se aproximando. Até os torcedores de outros clubes nos dão força, isso é fantástico e também estamos tendo um apoio muito grande do nosso torcedor. Um exemplo foi aquele jogo com o Ipatinga quando nos levamos quase 80 mil pessoas ao Maracanã. Temos exemplos até dos torcedores rivais, como os do Flamengo e Botafogo que dizem estar torcendo para que o Vasco retorne à primeira divisão, isso porque o Vasco faz parte dessa elite. Nós estamos preparados para regressar a divisão de elite o mais rápido possível e espero que isso esteja ocorrendo dentro dos próximos dois ou três jogos.

A segunda divisão é didática para as equipes que caem por causa das más administrações?
Na segunda divisão nós somos obrigados a detectar o que ocorreu de errado no ano anterior, o que fez o Vasco chegar a essa condição e eu tenho certeza que não foi apenas pelo problema da temporada anterior, foram alguns anos de problema onde as coisas não foram administradas da forma como gostaríamos que fosse. Mas não podemos viver de passado e nem ficar sempre remoendo as outras administrações, temos que pensar na nossa administração e colocar em prática aquilo que acreditamos ser bom para o Vasco. Eu posso dizer que hoje temos um novo clube, com uma cara modificada, com outros ideais na relação com as pessoas, com a imprensa, com os seus jogadores, com os demais membros da diretoria, com os seus associados, com as torcidas. Isso nós trabalhamos para resgatar e estamos conseguindo.

O ambiente de tensão sumiu do Vasco?
Hoje o torcedor vascaíno vai ao clube com mais tranquilidade, não tem medo de ir a São Januário. Antes para eu ir ao Vasco ver um jogo, apareciam logo dois seguranças atrás de mim para saber o que eu iria fazer. Hoje a coisa mudou e temos uma relação mais humana no direito de ir e vir, no direito de se expressar e buscando sempre a seriedade para implantar o que nós queremos, aquilo que nós desejamos e acreditamos ser bom em relação a um clube de futebol.

Seria essa a diferença mais marcante entre a sua administração e a de Eurico Miranda?
Acredito que sim, acho que é uma relação totalmente diferente. Hoje não é apenas o Roberto, uma pessoa que manda no Vasco, hoje é um grupo de vascaíno que faz isso, todos com sua função e que tecnicamente são muito bons dentro daquilo que fazem tanto na parte administrativa, financeira, departamento médico, na base do Vasco hoje temos profissionais que são muito bons, vários ex-atletas. Dentro do futebol profissional temos uma grande comissão técnica vinda do Grêmio para se juntar com Dorival Júnior numa comissão técnica muito competente. Também temos parcerias importantes onde todos os jogadores têm vínculo com o Vasco, à exceção é o Carlos Alberto cujos direitos pertencem a um clube alemão, mas que está no clube e vai ficar até o próximo ano. Foi essa a relação que buscamos e queremos ter dentro do clube, o Vasco não é meu só, ele pertence a todos os vascaínos, um grupo de mais de 16 milhões de torcedores espalhados pelo país. Decisões atualmente são tomadas apenas em consenso, não ganho nada nessa luta árdua de estar à frente da administração, mas me dá um prazer muito grande recuperar a autoestima, o carinho e o respeito do torcedor vascaíno. Temos consciência e sabemos que tudo isso só é possível quando os resultados aparecem dentro de campo.

O Vasco está sendo reprojetado para o futuro?
Esse é o nosso desejo, nosso projeto passa por ai, pela formação dos nossos atletas. Estamos trabalhando para ter não o Vasco - Barra, que não é nosso, mas para ter o nosso próprio espaço para trabalhar com as nossas bases para que possamos não apenas formar atletas, mas podermos realizar esse tipo de trabalho com competência. Veio a Natal conosco o Monteiro que é vice-presidente do departamento de esportes olímpicos do Vasco e com a parceira com a Eletrobrás e outras que virão, queremos desenvolver com competência o trabalho de valorização dos esportes amadores já que o Rio de Janeiro conquistou o direito de ser sede dos Jogos Olímpicos. Esse é o Vasco que nós queremos, meu e de todos os vascaínos para que possamos elevar a cada momento o nome e a autoestima desse grande clube.

O que levou o ídolo Roberto Dinamite pleitear à presidência vascaína?
Quem me levou a essa condição foi o próprio torcedor do Vasco, confesso que não pensava nisso, tinha minha vida normal, mas o torcedor me cobrava muito isso no meu dia a dia. Em cima da situação que estávamos vivendo no clube eu me coloquei a disposição, junto com um grupo de grandes vascaínos que queriam e desejavam modificação na relação não só administrativa, mas na relação entre as pessoas dentro do nosso clube. Foi neste sentido que aceitei concorrer, tenho trabalhado duro, mas espero que todos sejam recompensados no final com a volta a primeira divisão e com essa relação que hoje é fantástica com os torcedores desse clube. Eu posso dizer a vocês que joguei vinte anos pelo clube, mas nunca tive uma aproximação e um contato tão grande com os torcedores do Vasco.

Essa animação já está rendendo dividendos ao clube?
Vou dar só um dado para as pessoas refletirem. Quando assumimos o Vasco, o clube possuía apenas 930 sócios pagantes, hoje o clube está beirando a casa dos 40 mil sócios e isso em praticamente quatro meses de trabalho. Para mim isso é um negócio muito bom e importante para o clube. Por isso é que eu digo, o Vasco é de todos nós e o nosso torcedor está dando um exemplo muito importante neste momento, a torcida acreditou, tem comparecido aos estádios, tem nos apoiado e o mínimo que temos de fazer é retribuir essa confiança fazendo um Vasco forte dentro do campo, um clube forte administrativamente, mas acima de tudo com uma relação de muito respeito entre as pessoas, fundamental para que se possa ter paz e a tranquilidade necessária de estar ou comemorando um título ou na hora da derrota contando com pessoas para te apoiar.

Ficou alguma mágoa do Vasco com a cúpula do futebol brasileiro após a queda de divisão?
Eu sou contra, não é com relação à situação do Vasco, mas acho que deveríamos olhar de outra forma essa situação com relação aos clubes que fazem parte da história do futebol brasileiro. Nós temos em Natal clubes centenários como América e ABC, no Nordeste como Bahia, Vitória o Santa Cruz e acho que deveria ser criada uma maneira de preservar mais estes clubes. Mas fazer isso de que forma? Dando a eles condições para que eles possam se auto-sustentar, busquem uma administração com mais eficiência. Hoje existe uma comissão no Clube dos Treze olhando isso, preocupado em analisar as planilhas dos clubes com a finalidade de orientá-los a investir dentro da sua realidade, ou seja para que gaste apenas aquilo que lhe é possível. É um estudo importante e espero que possamos colher o fruto desejado. Os grandes clubes devem ser preservados, olhados de outra forma na busca de mantê-los sempre na primeira divisão.

Você está falando em fazer uma blindagem para evitar que esses clubes sejam rebaixados?
Sem sombra de dúvidas, devemos preservar os grandes clubes do futebol brasileiro, mantê-los sempre em evidência aproveitando o prestígio que eles possuem. Ligado a isso, deveriam ser criadas alternativas para que esses próprios clubes passassem a ser administrados de uma forma mais profissional, para que eles não venham perder os seus recursos e ao mesmo tempo em que possam ter administrações mais competentes. O descenso na maioria das vezes é falha na administração, é neste sentido que acho que devemos trabalhar mais.

Um ídolo cuida melhor do patrimônio do clube quando assume a presidência?
Eu acho que sim. Primeiro: eu procuro preservar o que o Vasco tem, o que o clube conquistou e mais do que nunca tenho de preservar porque faço parte da história do clube. A gente tem que trabalhar principalmente em cima da confiança, da credibilidade que a gente adquiriu ao longo dos anos e, com isso, buscar uma parceria que venha de encontro ao interesse do nosso clube. O Vasco me proporcionou tudo o que eu tenho na vida, então a melhor coisa que posso buscar para retribuir isso é fazer as coisas aqui dentro sempre com muita seriedade, honestidade e com trabalho acima de tudo. Essa é a nossa filosofia com relação ao novo momento do Vasco, queremos bater muito nessa tecla: é possível ser honesto, competente e ser vencedor. Em cima disso podemos trabalhar de forma clara e fazer um clube mais respeitado e querido. É assim que pretendo dar minha contribuição no período que vou passar a frente do Vasco.

Quanto tempo Roberto pretende passar no comando do Vasco?
Nós temos ainda esse período de mais um ano e, se for o caso, apenas mais uma eleição. Essa foi a proposta da nossa chapa, eu quero viver esse momento, quero estar a frente do Vasco para que a gente possa realizar esse trabalho e, se for o caso de reeleição, volto a dizer, é uma reeleição no máximo e não querendo ficar no comando por dez, quinze anos. Acho que o Vasco tem muita gente que deseja e pode ajudar o clube.

Qual é a relação do Roberto com Eurico Miranda?
Acabou, não existe, zero.

Você ficou muito magoado naquele episódio que Eurico mandou te retirar da Tribuna de Hora, em São Januário?
Retirado eu não fui, mas pediram para que eu me retirasse da tribuna. Eu acho que foi uma coisa ruim para todo mundo e principalmente para a instituição. Eu falei isso na época e continuo com essa posição. Se eu te faço mal, você teria o direito de um dia em pensar em me fazer mal, mas não foi o caso, isso nunca ocorreu da minha parte, nunca destratei o ex-presidente e jamais me referi a ele sequer como Eurico, quando fiz isso sempre o tratei como o doutor Eurico. Eu era ídolo do Vasco, artilheiro e reconhecido inclusive pelas outras torcidas que sempre tiveram o maior respeito por mim. Ali foi uma posição pessoal, hoje, mas que nunca procuro preservar não minha posição de ídolo, mas como presidente, sempre buscando aquilo que é melhor para o Vasco. Eu estou hoje no comando do Vasco porque acho que neste momento é bom o Roberto estar à frente do Vasco. Se aparecer uma pessoa melhor, ela ficará a frente é neste sentido que me coloco. Eu nunca vou fazer nada que venha atender apenas os meus interesses, mas sim aos interesses do clube.

Vendo essa questão da Sul-americana, muitas vezes desprezada pelos clubes de elite, você não acha que algumas vagas deveriam ser dadas aos clubes que conquistassem o acesso à série A?
Poderia ser, dentro disso poderia ser uma situação boa mas é algo que deve ser mais bem discutido. O Vasco voltando para primeira divisão vai se preparar para conquistar o título da série A. Se for dentro de um entendimento que a proposta venha a atender os interesses do Vasco, por que não?

Você é favorável ao fim dos pontos corridos no Brasileirão?
A competição de pontos corridos é boa, eu considero importante. Qualquer uma das duas situações envolve uma série de outros fatores por traz, isso já foi debatido no Clube dos Treze, existe uma série de outros problemas com relação à Sul-americana, mesmo caso da Copa do Brasil que você tem também de estar participando. Pontos corridos beneficiam quem apresenta a melhor regularidade e neste momento, respondendo de forma simples e objetiva, prefiro que seja mantida a competição da forma com está.

Como estão os trabalhos com as bases do Vasco, que sempre revelou bons valores e parece ter parado?
Nós continuamos revelando bons valores, se pegar essa seleção sub-20, nós tínhamos lá jogadores como o Souza, o Alex Teixeira e o Allan Kardec, todos revelados em nossas bases e grandes destaques. Nosso trabalho é tocado por ex-jogadores, muitos jogaram comigo e estão fazendo um trabalho sério junto com a coordenação de Rodrigo Caetano e do Humberto isso fez e vai continuar fazendo do Vasco um dos clubes que mais revela jogadores no Rio de Janeiro.

Como você vê a figura do empresário no futebol nacional?
O empresário tai, falar que ele não está dentro dos grandes clubes não é verdade. Antes você tinha uma situação, caso do Pablo que teve de ir embora porque estava vendido e não era do Vasco. Mas hoje qualquer jogador que esteja nas nossas bases ou no time profissional do Vasco, com exceção de um ou dois, o clube tem participação em caso de venda desse atleta. O empresário hoje é uma realidade no futebol, mas o que não podemos fazer é deixar o empresário colocar jogadores no clube e na hora de vender não deixar nada. Outra coisa, nenhum jogador hoje deixará o Vasco antes do término da série B, esse é o compromisso que todos assumiram comigo. Apareceram proposta para uma série de jogadores nosso e não saem, só se for numa situação excepcional para as partes.

O que você acha da Lei Pelé?
A Lei Pelé, no meu entender, beneficiou apenas o grande jogador, aquele que não tem uma situação não muito privilegiada está encontrando dificuldade. Hoje ela beneficiou os empresários também no trabalho de formação, muitos dos quais possuem um clube a parte, ali prepara e manda para um clube grande para que esse garoto possa entrar no mercado e ser vendido. O que tenho a dizer em relação a isso é que nós estamos nos preparando para fazer nosso próprio atleta. Estamos trabalhando diuturnamente para poder fazer o nosso centro de treinamento e dar aos nossos garotos condições para não ficarmos presos a determinadas situações.

Com relação à quebradeira dos clubes cariocas, o que você tem a dizer?
Não é apenas o futebol do Rio, no futebol brasileiro de um modo geral, muitos clubes têm problemas e problemas sérios. Mas o Vasco está se reerguendo, nós ainda temos uma situação muito difícil com relação à parte trabalhista. Nos anos 2000 e 2001 o Vasco montou não só uma grande equipe de futebol, mas montou também equipes olímpicas, a ponto de no Pan do Rio o clube ter mais de cem atletas disputando os jogos. O número era tão expressivo que se fossemos um país, seriamos o terceiro pelo número de atletas e a falta de planejamento da época se transformou numa série de ações trabalhista que vira e mexe eu tenho de ir ao TRT negociar. Essa é a situação que o clube vive, sem falar que quando assumimos a administração o Vasco já tinha antecipado quase todas as suas receitas, entramos em junho de 2008 sem nada e tivemos de batalhar para estar atualmente com a parte do futebol praticamente em dia, apenas com uma pequena pendência com o grupo, temos também uma pendência com 15% dos nossos funcionários, que ganham acima de três mil reais, quem ganha abaixo está praticamente em dia e vamos regularizar tudo nos próximos dez dias.

Qual a diferença dos clubes cariocas e os paulistas?
Os clubes paulistas estão bem dentro de um processo, eles possuem parcerias com empresários, tem vida um pouco melhor por que conseguiram manter sob controle os seus impostos e ter como fechar parcerias como governo federal. São Paulo, Santos e Palmeiras desfrutaram disso e mantiveram os seus centros de treinamentos através das leis de incentivo. No Vasco com a parceria com a Eletrobras, tendo de prestar contas a empresa a cada seis meses, nós teremos a possibilidade de fazer o mesmo trabalho seja através das leis de incentivo ou de grandes vascaínos ávidos em ajudar o nosso clube.

A crise no futebol carioca e mais administrativa mesmo?
Passa por aí, os compromissos, o planejamento têm de existir, para montar uma equipe de futebol isso é muito importante e foi isso que nós buscamos fazer. O Futebol do nosso clube eu posso dizer que possui uma vida equilibrada, precisamos melhorar as outras partes. Nós temos uma situação tão regularizada quanto a do São Paulo e Internacional, por exemplo. Não tem como um clube como o Vasco administrar 530 funcionários, tudo deve ser feito dentro de uma grande responsabilidade, ter o planejamento de um todo para que possamos fazer o trabalho com eficiência e qualidade possuindo apenas um número ideal de empregados para atender bem os nossos interesses.

Diante disso tudo, o Roberto tem ideia do rombo que está tendo de administrar?
Temos um levantamento feito com relação a isso e foi por isso que eu falei que o problema não será resolvido num período curto. Na área trabalhista onde temos de responder a diversas ações devido á falta de planejamento que houve no clube, juntando as questões dos impostos atrasados, fornecedores e uma série de outras coisas, creio que devemos para mais de R$ 200 milhões. Mas o Vasco tem um grande contrato com a Eletrobras, outro bom contrato com a Pênalti, que retomamos com o débito de R$ 8 milhões a sanar devido á quebra de um acordo anterior. Hoje temos um novo acordo que nos propicia pagar essa dívida. O contrato se não for o maior entre os clubes nacionais, está entre eles certamente.

Fonte: Tribuna do Norte