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Do Vasco à Copa América: Crias vascaínos serão titulares contra o Paraguai

27/06/2019 às 08h06 - FUTEBOL

Porto Alegre - Já era madrugada em Brasília quando dois jogadores deixaram juntos o hotel da seleção. Neymar havia se lesionado, estava prestes a ter o corte da Copa América confirmado. Acompanhados das respectivas esposas, Allan e Philippe Coutinho saíram. Foram comer depois do amistoso contra o Qatar. Dois amigos que horas depois se despediram das mulheres no hall e subiram de volta para os quartos. Há muita história por trás dessa amizade, em campo nesta quinta-feira contra o Paraguai, pelas quartas de final da Copa América.

A viagem no tempo volta até fevereiro de 2008. Allan, de 17 anos, menino nascido e criado na favela de Ramos, que abriga o famoso piscinão, chegava todos os dias em São Januário para treinar. Seus direitos pertenciam ao Madureira. Depois de ser recusado pelo Flamengo, tentava pela segunda vez se firmar em um time grande. Lá encontrou Philippe Coutinho, um ano mais novo e principal joia das categorias de base do Vasco. Foi quando tudo começou.
 

Os dois têm personalidades semelhantes. Discretos quanto à vida pessoal, de poucas e comedidas palavras no contato com a imprensa. Juntos, conquistaram o primeiro título como profissionais: a Série B de 2009. No ano seguinte, Allan ficou e viu Coutinho pegar o avião rumo ao futebol italiano. Dois anos depois, faria o mesmo. Antes, se reencontraram na seleção sub-20. Foram campeões mundiais da categoria. Coutinho era titular, Allan, aquele 12º jogador.
 

Em campo, opostos

Quando entram em campo, os amigos se separam no simbolismo. São bem diferentes, na maneira de se postar, no estilo de jogo. Philippe Coutinho é técnica, drible, invenção. Allan é força, seriedade, coração. Do camisa 11, espera-se a jogada individual, a criatividade, a capacidade de decidir, a camisa por fora do calção é o toque de desleixo dos inventivos. Já o volante do Napoli passa o pragmatismo de quem só pensa na obtenção do resultado, com sua camisa por dentro do calção, bem à moda antiga, alinhado como se fosse um executivo da bola.
 

- É uma coisa boa depois de tanto tempo nos encontrarmos na seleção. Hoje, com mais experiência. É algo que conseguimos aproveitar - disse Allan, ainda na fase de preparação na Granja Comary.

Para a comissão técnica, a presença da amizade entre Allan e Coutinho dentro de campo pode ajudar o camisa 11 a produzir mais, ser o jogador que desequilibra como sempre se espera dele, ainda mais na ausência de Neymar. Nesta Copa América, tem oscilado: ele marcou dois gols na estreia contra a Bolívia, foi discreto contra a Venezuela e desempenhou bom papel na goleada sobre os peruanos.

- Eles são amigos há muito tempo, tudo que for positivo ajuda a gente. Todo jogador gosta de se sentir valorizado - afirmou o auxiliar Cleber Xavier.

 

Fonte: Globo Online