Dossiê completo de Maxi Lopez: a verdade desde a chegada do argentino

30/03/2019 às 08h50 - FUTEBOL

A relação que deu certo em 2018, com o argentino sendo o principal responsável pela permanência do Cruz-Maltino na Série A, está abalada. E a reportagem do “Os Donos da Bola”, da Band, foi a fundo para responder a pergunta que não sai da cabeça dos vascaínos: o que está acontecendo entre Vasco e Maxi López?

De forma cronológica, a reportagem preparou uma matéria especial com detalhes jamais revelados sobre a chegada de Maxi ao Vasco, a boa fase vivida, as propostas que o argentino recebeu no fim de 2018 e, finalmente, a renovação de contrato que vem gerando polêmica e chateando o centroavante.

A CHEGADA
A diretoria do Vasco, junto à “Turma do Quiosque”, grupo liderado por Fernando, o “Zé Colmeia”, vascaínos ilustres e representantes da empresa Life Pro, buscava reforçar o time para que o clube não amargasse o seu quarto rebaixamento em dez anos.

A princípio, o paraguaio Lucas Barrios era o nome da vez e ficou muito próximo de acertar, mas o atacante preferiu voltar ao Colo-Colo e frustrou os planos do Vasco.

Com o intermédio do ‘Quiosque’, o nome de Maxi López chegou à mesa da diretoria atual e ao ex-técnico Jorginho. Tanto Alexandre Faria, diretor de futebol, quanto o comandante foram contra a contratação. Mesmo assim, Fernando, o Zé Colmeia, amigo próximo do presidente Alexandre Campello, convenceu o mandatário a trazê-lo.

RECEIO, MAS UM ABRAÇO À ‘CAUSA VASCO’
Maxi, que tinha, além da proposta do Vasco, duas ofertas de times turcos – que pagariam bem mais do que o Cruz-Maltino – estava um pouco receoso pelo histórico do time dentro e fora de campo. Mesmo assim, pesou a grandeza do Cruz-Maltino e a vontade do argentino de voltar ao Brasil. O ‘Trator’, como foi apelidado, chegou ao clube sem custos: não cobrou luvas e veio ganhando um salário de R$ 300 mil mensais.

Toda a negociação foi conduzida pelo presidente Alexandre Campello, que tratou diretamente com o jogador e seu empresário, o italiano Daniele Piraino. Neste papo, foi prometido a Maxi, caso o desempenho fosse satisfatório, um aumento no começo de 2019. Em longos papos, Maxi também se enxergava como um divisor de águas no clube, já que tinha sucesso internacional e poderia ajudar não só em campo, mas também com sua influência.

NÚMEROS E PAPEL CRUCIAL NA CHEGADA DE CASTÁN
Desempenho não faltou: Vasco na Série A e os números do argentino surpreenderam até o mais otimista torcedor. Foram 19 partidas, sete gols e seis assistências em campo. Fora dele, Maxi foi um dos protagonistas na chegada de quem hoje é o capitão e titular absoluto da equipe: Leandro Castan. O defensor, também obra da ‘Turma do Quiosque’, foi negado num primeiro momento pela diretoria, já que vinha de uma séria cirurgia no cérebro. Mesmo assim, também como Maxi, Campello foi convencido a apostar no atleta.

O atacante de 34 anos conversou inúmeras vezes e fez Castan aceitar a ideia de reforçar o Vasco em 2018. Não só isso: até o próprio empresário de Maxi, Daniele Piraino, foi peça nesta engrenagem. Isto porque, com o conhecimento que tem na Itália, ajudou Marcelo Castan, pai do zagueiro vascaíno, a conseguir a rescisão sem custos com a Roma, o que possibilitou a chegada do camisa 5. E com um salário de R$ 150 mil mensais.

BRUNO CÉSAR QUASE CHEGOU EM 2018
Maxi cada vez mais se sentia à vontade no Vasco, conseguiu trazer o amigo Leandro Castan e as coisas começavam a se encaixar em campo, apesar de, fora dele, o clube ter chegado a dever três meses de salário nos primeiros momentos dos reforços na equipe de São Januário. E mais um nome de peso viria, já que Bruno César estava bem encaminhado e alinhado com López e Castan, negociadores diretos no processo de convencimento do meia, para formarem a espinha dorsal do Vasco. Naquele momento, Alexandre Faria negou e decidiu investir em Vincius Araújo, que só jogou cinco jogos pelo cruz-maltino e se recupera de lesão. Atualmente, chegando em 2019, depois de mais um pouco de insistência dos medalhões, Bruno é o camisa 10 e titular do Vasco.

RELAÇÃO COMEÇA A SE ESTREMECER
No fim de 2018, Maxi López foi procurado por dois clubes brasileiros: Corinthians e Internacional, que chegaram a abrir conversas com o empresário italiano Daniele Piraino. Os valores oferecidos eram bem superiores aos pagos pelo Vasco, mas o argentino tinha contrato com o clube até o fim de 2019 e Alexandre Campello afirmou veementemente que o centroavante não sairia por toda a importância que tinha dentro e fora dos gramados.

O mesmo serviu para Castan, também procurado pelo Corinthians. Ambos não tinham a intenção de deixar o Vasco. O zagueiro já renovou, inclusive, até o fim de 2022, mas o caso do argentino é outro. A promessa de Campello feita na chegada de Maxi, que levava em conta o desempenho do camisa 11 em 2018, não foi cumprida. O empresário do jogador sinalizou em janeiro de 2019 que gostaria de sentar para renovar. O clube afirmou que só conversaria após a pré-temporada, o que já chateou o staff.

SEM PROPOSTA OFICIAL E CAMPELLO LONGE DAS NEGOCIAÇÕES
Em fevereiro, Daniele Piraino chegou ao Brasil para ficar dez dias. O intuito maior era justamente a renovação de Maxi López. Ele se reuniu com Eduardo Campello, filho do presidente do Vasco, e Alexandre Faria. A postura de Alexandre Campello, antes homem de frente na negociação com o argentino, de entregar as conversas ao primogênito e ao diretor de futebol causou estranheza ao representante do jogador.

No papo entre Daniele e diretoria, sem nenhuma proposta formal apresentada, apenas no “boca a boca”, os pedidos de Maxi foram colocados à mesa. Ele queria se aposentar no Vasco, com 37 anos, após marcar história no tempo que lhe restava no clube. Pediu um aumento, porém, menos do que o dobro, por tudo o que tinha feito pelo clube em 2018, e a extensão do vínculo até o fim de 2021. As condições foram prontamente negadas pelo Cruz-Maltino, que fez uma contraproposta: subir o salário para R$ 350 mil, só que este valor só valeria a partir de julho. Nada feito e o diálogo emperrou.

À época, a reportagem do “Os Donos Da Bola” apurou que a diretoria ‘não tinha pressa’ na renovação, já que o contrato iria até o fim de 2019, mesmo com a possibilidade de, em junho, Maxi López já assinar um pré-contrato com outro clube. Daniele Piraino voltou à Itália e Maxi López se mostrou insatisfeito com a postura da diretoria de fazer seu representante viajar até o Brasil para “nada”.

CAMPO E BOLA COMEÇA A PESAR E CLIMA ESTREMECE
Maxi López fez uma pré-temporada, assim como outros jogadores do elenco, diferenciada e mais longa. O próprio jogador, de acordo com a apuração da reportagem com pessoas próximas, reconhece que não se dedicou ao corpo durante as férias, já que priorizou o tempo que teve para aproveitar os filhos, que moram na Itália com a ex-esposa. A condição física de chegada dele em 2019 foi bem parecida com a de 2018. Inclusive, essas pessoas garantem que o camisa 11 não está abalado com nada relacionado à  vida pessoal. Mas a questão da renovação estava o chateando.

Até então titular absoluto, o argentino precisou viajar à Itália no dia 18 de março para uma audiência presencial sobre a questão dos três filhos e da ex-esposa, Wanda Nara. Com isso, ficou fora da partida contra o Resende e Tiago Reis foi o titular. Na quarta, 20 de março, o atacante já estava presente em São Januário e treinando para estar apto contra o Bangu, no sábado (23), e seguir seu processo para encontrar a melhor forma física e técnica. Entretanto, parou na escolha de Alberto Valentim, que optou novamente pelo garoto de 19 anos e barrou Maxi López.

O clima estremeceu. Maxi López, que já havia ouvido de Alberto Valentim que ele era o “camisa 9” do time, não gostou da postura do treinador. Inclusive, em mais uma apuração da reportagem, a permanência do técnico no Vasco passou também pelos pedidos dos ‘cabeças do elenco’, como o argentino e Leandro Castan, em dar sequência ao trabalho e uma oportunidade a Valentim de seguir a linha de raciocínio. A solicitação foi aceita depois do “não” de Abel Braga, que foi para o Flamengo.

A GOTA D’ÁGUA
Para a semifinal contra o Bangu, Maxi López teve uma lombalgia, que o tirou do duelo. Mas mesmo que estivesse 100%, ele seria reserva novamente. O Vasco se classificou, só que na entrevista coletiva, Alberto Valentim foi perguntado sobre a declaração de Daniele Piraino, que havia dito que o clube não fez proposta oficial a Maxi. O comandante desmentiu o representante italiano afirmando que “houve proposta”.

A postura do técnico, antes prestigiado por Maxi, não caiu nada bem. Tanto no conceito do argentino quanto no de outros jogadores do elenco. Ainda segundo apuração da reportagem, o próprio empresário de Maxi, Daniele Piraino, se viu espantado com um treinador levando a público uma negociação que geralmente é tocada de forma sigilosa, interna e pela diretoria.

RENOVAÇÃO LONGE E INSATISFAÇÃO CLARA
No panorama atual, Maxi López e Vasco estão longe de chegar a um acordo. O argentino já não se sente mais acolhido como antes. Muito pelo contrário. As promessas não cumpridas, os salários atrasados, a postura de Alberto Valentim e diretoria, e até um auxílio moradia no valor de R$ 20 mil reais, nunca pago pelo clube em acordo com o centroavante, fazem o argentino ficar mais longe. O empresário italiano também só recebeu uma parte de quatro acordadas de sua comissão pela vinda do camisa 11.

Em campo, o camisa 11 vem perdendo peso e recuperando sua forma. Trabalha em dois períodos para curar a lombalgia e ficar à disposição para a decisão da Taça Rio contra o Flamengo, no próximo domingo (31), no Maracanã. Hoje, a única certeza que se tem é que Maxi vai cumprir seu contrato até o fim de 2019.

Fonte: Futebolzinho - Lucas Pedrosa