Ex-dirigentes se queixam de Alexandre Campello

07/05/2018 às 13h35 - FUTEBOL

13 VPs que entregaram o cargo concedem entrevista em hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e criticam o atual presidente do Cruz-Maltino

Os 13 vice-presidentes que deixaram o cargo desde a última sexta-feira conversaram com a imprensa na tarde desta segunda-feira. Ligados ao grupo Identidade Vasco, que tem como líder o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Monteiro, os dirigentes se queixaram de Alexandre Campello. Agora ex-aliados, a ruptura causou mais uma crise política no Cruz-Maltino.

O primeiro a falar foi o ex-vice de futebol Fred Lopes.

- Viemos aqui prestar esclarecimentos que motivaram nossa saída da gestão administrativa. Quero agradecer à comissão técnica, ao Zé Ricardo, a todos os jogadores. Fui um dos que convenceram o Campello a aceitar a candidatura dele à presidência. Não esperava essa mudança de conduta entre o tempo de campanha e o da gestão. Os motivos são claros: a ingerência na construção dos profissionais que trabalhavam no departamento de futebol. Eu só contratei o Carlos Brazil para a base e trouxe o Bruno Carvalho, que não é remunerado.

- Pelaipe foi indicado pelo Carlos Leite. Newton Drummond indicado pelo Rodrigo Caetano. Os supervisores foram indicados pelo Campello. Nada contra os profissionais, mas foi o momento que vi que o discurso era um, a prática era outra. Com a saída do Rodrigo Caetano do Flamengo, começou a pressão para que houvesse a mudança na parada para a Copa do Mundo.

Outras declarações de Fred Lopes

Todas as negociações foram feitas com o conhecimento do presidente. Não aceito que o presidente escolha o executivo de futebol. Venda do Paulinho: não tratei vez alguma sobre a venda com o presidente. Ele me ligou e disse que tinha proposta, mas não quis dizer o clube. Ele disse: Temos uma proposta e estou pensando em vender por 20 milhões de euros e 15% dos direitos. O tempo passou, nenhuma reunião nem com o empresário. Depois, ele me ligou e avisou que ia vender. Perguntei a condição, e ele disse que seria 20 milhões de euros e participação de 10% dos direitos.

Ele me pediu que comunicasse ao Roberto Monteiro, presidente do Conselho Deliberativo. Ele respondeu dizendo que não concordava com os números. Todos nós. Eu, Pelaipe, todos... Ficamos sabendo da entrevista coletiva sobre a venda do Paulinho pelo Wellington Campos, da Tupi. Como convoca coletiva sem o futebol saber? Na coletiva, fiquei sabendo que seria 18 milhões de euros, e que o Vasco tinha 90% do Paulinho. Estranhamente, a pasta sobre o Paulinho sumiu dos arquivos do Vasco.

O vice de finanças, Orlando Marques, não sabia de nada. No dia da reunião da Lagoa, entraram R$ 6, 7 milhões nos cofres do Vasco, e a gente nem sabia a origem do dinheiro. Não está atendendo atletas, empresários cobrando atrasados. Demos a cara à tapa. Ninguém sabe a forma de pagamento da venda do Paulinho. Onde está o dinheiro? Por que não foi pago dezembro, 13º, férias, as imagens de alguns atletas?

Eu não entrei para isso. Entrei para fazer o trabalho sério, como deve ser feito. Não havia reunião de diretoria. Em 100 dias, fizemos quatro reuniões. Nos últimos 30 dias, não teve nenhuma. Fui falar com o Campello diversas vezes. Sabia que o clima estava ruim. Ele, sob alegação de balanço... Eu disse: 'Campello, não é isso'. Tivemos reunião há 45 dias cobrando. Foi um movimento coletivo (a saída). Não dá para continuar. Houve quebra de confiança. Não confio nas informações. Existe um financeiro paralelo dentro do Vasco. Que conversa é essa? Que brincadeira é essa?

Presidente Campello, saio por quebra de confiança. Eu acreditei no senhor, mas neste momento você não representa mais nem as minhas opiniões nem do grupo que está aqui hoje. Só lamento o tempo que demorei para tomar essa decisão. Não tenho mais interesse. Quero, sim, preservar a instituição. Precisa passar por um período de paz. Mas não é dessa forma, falando de uma forma e tratando de outra.

Entenda a crise vascaína

Os problemas internos já vinham se desenrolando há algum tempo no Vasco. O estopim foi o balanço do Vasco divulgado na semana passada. A auditoria externa feita pela empresa KPMG incomodou alguns membros da diretoria, principalmente os envolvidos com a Identidade Vasco, grupo liderado por Roberto Monteiro. A partir daí, problemas internos começaram a ficar mais afloradas entre membros do grupo e Alexandre Campello, que é criticado por centralizar algumas decisões.

Na sexta-feira, um grupo de vândalos invadiu São Januário e as pessoas que estavam no local relatam que ouviram tiros. Campello foi à 17ª DP, de São Cristóvão para prestar queixa. Enquanto estava no local, a imprensa começou a divulgar a saída de Fred Lopes do cargo de Vice-Presidente de Futebol. Ele foi o primeiro do grupo a deixar o cargo.

Também na sexta-feira, o vice de patrimônio foi afastado da operação dos jogos que, segundo Campello, sabia da possibilidade de invasão de São Januário e não tomou as devidas providências. O presidente classificou todo o episódio daquela manhã como "minimamente estranho".

A tarde de sábado chegou com uma nota publicada pelo Identidade Vasco em sua página no Facebook. Nela, anunciava que todos os 13 vice-presidentes da gestão de Campello estavam deixando seus cargos de maneira irrevogável. Dessa forma, o Cruz-Maltino conta agora apenas com três VPs nos cargos.

Fonte: GloboEsporte.com

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