Ex-jogador Pedro Renato fala sobre período no Vasco e fim da carreira

25/09/2020 às 20h34 - FUTEBOL

Nosso bate-papo de hoje é com Pedro Renato, ex-atacante canhoto, habilidoso, veloz e que surgiu como uma das grandes revelações vascaínas no início da década de 90. Da mesma geração que revelou Yan, Gian, Jardel, Bruno Carvalho e tantos outros, o baixinho era tratado como uma joia em São Januário. Chegou a fazer sua estreia pelo profissional do Vasco com apenas 17 anos. Porém, uma grave lesão em 1994 atrapalhou os planos de fazer uma história mais longa no clube. Jogando contra o Flamengo, pelo Brasileirão, acabou se chocando com o goleiro Adriano e fraturou a fíbula e a tíbia. Ficou um grande período longe dos gramados e voltou apenas no ano seguinte. Apesar disso, foi emprestado para o Olaria e depois que retornou, deixou a colina em definitivo.

Pedro ficou no clube de 90 a 96. Na base, atingiu marcas consideráveis de gols. Em seu currículo, todas as seleções brasileiras da categoria possíveis,  vários títulos, incluindo a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 92, que revelou também Pimentel, Leandro Ávilla, Valdir e outras feras e participação no único Tri-estadual do Vasco, no profissional. O ex-atleta é natural de Bom Jesus do Itabapoana, localizada no norte do estado do Rio.  Ele surgiu no futebol pelo Ordem e Progresso, de Bom Jesus do Norte, do Espírito Santo. Lá, mostrou suas habilidades e na final da Copa Gazetinha, acabou sendo notado pelo Vasco. Logo, se transferiu para o cruzmaltino onde atuou no juvenil, juniores e posteriormente pelo profissional.

Além do Vasco, Pedro Renato jogou em times como Olaria, América (RJ), Varzin (Portugal), União Rondonópolis e futebol uruguaio. Depois de pendurar definitivamente as chuteiras, retornou para sua Bom Jesus, onde se formou em direito e hoje,  aos 47 anos, é pré-candidato às eleições desse ano ao cargo de vereador.

Depois de muita procura, consegui localizar o ex-jogador. Nessa entrevista, ele fala da sua relação com o Vasco, da grave contusão que o prejudicou no futebol, do arrependimento de não ter dado continuidade no clube e de seus novos caminhos após deixar os gramados.

Confira!

Foto: Detetives VascaínosPedro Renato

Quando atuava na base, você chegou a bater alguns recordes de gols em competições e tinha tudo para escrever seu nome na história do clube. Pra você, o que representou vestir essa camisa do Vasco da Gama?

Pedro Renato: Posso até arriscar em dizer, que minha história pelo Vasco é muito mais lembrada pelas conquistas nas divisões de base. Pois dali surgiu uma safra de jogadores talvez nunca vista no clube, onde muitos foram aproveitados no profissional. No campeonato juvenil de 89 ou 90, para se ter uma ideia, nosso ataque era formado por mim, Valdir e Denilson (Jacozinho). Batemos recorde de gols, onde pude finalizar por 37 vezes dentro das redes. Valdir e Denilson ficam com 18 e 17 respectivamente. Em âmbito nacional, todas as competições que participávamos, chegávamos ao título ou nas finais. Vestir a camisa do Vasco foi realizar um sonho de criança, almejado por qualquer pessoa. Além do êxito profissional, o futebol e principalmente a mudança do interior para a capital, me fez crescer como pessoa e consequentemente a formação de meu caráter.

Você surgiu como uma das grandes revelações vascaínas do início da década de 90, mas aquela grave lesão em 94 atrapalhou os seus planos de ir mais além. Como foi pra você superar aquele momento difícil e retomar para o futebol?

Pedro Renato: Realmente no ano de 1994 estava colhendo frutos e tinha a imensa torcida vascaína ao meu favor. A lesão realmente suspendeu uma crescente. Havia conversas de uma possível convocação para a Seleção de novos e olímpica. Mas recuperei. Quando me recuperei totalmente, pedi para ser emprestado ao Olaria.

Se arrepende de ter ido por esse caminho ao invés de tentar dar a volta por cima e se tornar ídolo no clube?

Pedro Renato: Foi aí que cometi um erro. Não pelo clube Olaria, o qual tenho gratidão e a honra de ter vestido a camisa, mas sim porque no Vasco eles precisavam de um atacante e eu estava voando no Olaria novamente. Carlos Alberto Silva era o treinador à época do Vasco e meus colegas diziam que ele perguntava o porque de eu estar no Olaria e não no Vasco. Quando do término do empréstimo, o professor Carlos Alberto me requisitou e me levou a uma excursão pela Europa, pelos países da Alemanha, Portugal e Grécia. Nos 03 jogos que realizamos, fiz 02 gols e voltei como artilheiro da excursão. Próximo ao início do campeonato brasileiro, Edmundo retornou ao Vasco com outros atacantes como Macedo, Ranielli e outros. Automaticamente eles vieram para jogar e no primeiro jogo contra o Sport em São Januário, eu entrei faltando 15 minutos para terminar a partida e não pude me transferir para outros clubes que queriam minha contratação.

A maioria dos jogadores quando encerra a carreira, estuda para continuar no futebol como técnico ou em algum cargo administrativo. Você optou por outro caminho. Quais fatores pautaram essa sua decisão?

Pedro Renato: Ensaiei minha despedida ao futebol. Já havia reunido a família e dito que não seguiria mais. Foi quando meu empresário à época, do Uruguai, me ligou dizendo que havia um clube no Equador interessado. Mais uma vez não resisti. Foi o último contrato. Ao retornar, o mesmo empresário me contatou para que fosse jogar novamente no Uruguai, onde joguei por 03 temporadas e que também o ajudasse a gerir o clube. Não aceitei e foi quando adentrei a faculdade de direito. Hoje sou advogado e pré-candidato às eleições desse ano ao cargo de vereador. Sou muito feliz, tenho uma família maravilhosa e agradeço muito ao futebol que até hoje me abre portas.

Fonte: Detetives Vascaínos