Filho caçula de Thalles se apaixona por São Januário

07/09/2019 às 13h15 - CLUBE

Com uma inseparável mini bola de futebol debaixo do braço esquerdo, o pequeno e curioso Pedro Penha caminha por São Januário. É a primeira vez do vascaíno de apenas um ano e oito meses na casa do seu time do coração. Atento a tudo e com um olhar até desconfiado, mas na maior parte do tempo marrento (isso ele puxou do pai, garante a mãe), o garotinho avista uma Cruz de Malta.

"Papai, papai...", são as únicas palavras, ainda sem tanta clareza, que Pedro diz ao ver o símbolo do Vasco.

Foto: André Durão/GloboEsporteFilho caçula de Talles

Foram essas palavras que, recentemente, ganharam o mundo virtual em um vídeo compartilhado pela mãe, Brunna Mesquita. Nele, Pedro pega uma camisa 9 do Vasco e fala: "papai, papai". O pai do garoto é Thalles Lima de Conceição Penha. Ou só Thalles. Cria de São Januário, o atacante, que vestia a camisa 9, morreu em um acidente de moto no dia 22 de junho deste ano.

Pedro, é claro, ainda não tem uma ideia clara de quem foi seu pai, mas carrega traços e paixões em seu coração infantil que deixariam Thalles, que disputou 154 jogos e fez 34 gols pelo Vasco, orgulhoso.

- O Thalles com certeza está feliz. Ainda mais de ver os quatro juntos sempre. Era meio raro. Está feliz por vê-lo seguindo o sonho do pai, o caçulinha dele, e o sonho da família toda - garante Brunna.

Foto: André Durão/GloboEsporteNo colo da mãe, Pedro come biscoitos e não deixa a marra de lado
No colo da mãe, Pedro come biscoitos e não deixa a marra de lado

 

O que Pedro vai saber daqui a alguns anos é que o dia 6 de setembro de 2019 foi especial para o tímido, mas com personalidade forte, garotinho. Nesta nublada e chuvosa sexta-feira, o filho mais novo de Thalles, que deixou também Thaylon (cinco anos), Emilly (três) e Lívia (dois), conheceu o palco onde seu pai fez tanto sucesso e ficou conhecido.

E parecia sentir. Ainda com a bola debaixo do braço, depois de olhar a Cruz de Malta e chamar pelo pai, Pedro pisou no gramado de São Januário. Parou. Olhou, olhou, olhou... Depois de um rápido tempo de reconhecimento, parecia estar em casa. Pela primeira vez, largou a bola e chutou. Queria fazer gols. Como o pai.

Foto: André Durão/GloboEsportePedro marca em São Januário

"Babonas", mãe e avó observavam o garotinho. Pedro, com um brilho no olhar, se dividia entre corridas, chutes em sua pequena bola e no ar e gritos pela mãe Brunna. Em um raro momento de tranquilidade, sentou. Largou o brinquedo preferido e só observou são Januário. Parecia estar em casa. Sorriu.

Foto: André Durão/GloboEsportePedro se sente à vontade em São Januário

A avó Mônica Maia, inclusive, não torce para o Vasco, mas já admite um espaço para o Cruz-Maltino no coração. Tudo para agradar o neto, que é praticamente o único da família a torcer pelo mesmo time do pai, apesar da incrível distância entre eles desde quando Pedro nasceu.

Thalles não teve muitas oportunidades de estar com o filho mais novo, que sequer o viu jogando pelo Vasco. Em 2018, foi jogar no Albirex Niigata, do Japão, e quando voltou ao Brasil foi emprestado à Ponte Preta. A tecnologia aproximava pai e caçula: os dois conversavam por chamadas de vídeo, com a ajuda de Brunna, e parece que o amor pela Cruz de Malta venceu a distância.

- Ele gosta do Vasco por essa ligação de amor que ele tem com o pai. Ele não viu o pai jogar pelo Vasco. E ele tem esse carinho todo pela camisa, pela Cruz de Malta, e ninguém entende o porquê. O pai dele falava muito que ia trazer ele para jogar aqui. Falava para os amigos, falava para mim. O amor que ele tinha pelo Vasco passou para o filho. Não dá para explicar - conta a mãe.

A visita a São Januário, porém, foi muito além do campo e da bola. Sob protesto (um choro aqui, outra reclamação ali), Pedro foi até a sala de troféus do estádio para ver de perto a história palpável deixada pelo pai: as taças do Carioca de 2015 e de 2016. Na verdade, porém, o inocente garoto só queria saber da Taça do Torneio Rio São Paulo de 1999, com uma bola no meio, e de correr entre conquistas e mais conquistas do Vasco.

O fim do emocionante tour por São Januário terminou no campo anexo, onde a famosa frase "Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal" está escrita. No caminho, Pedro pegou a camisa do pai e segurou como se fosse um tesouro. Não largou mais. Vestido com a 9 que levou Thalles ao sucesso, o garotinho se sentiu em casa.

Por obra do destino, Thalles não teve chance de dar tchau para o pequeno Pedro. Eles iriam se ver no dia em que o ex-atacante do Vasco se envolveu no fatal acidente de moto na Avenida Almirante Pena Boto, no bairro Monjolos, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

Mas Thalles, que lutou contra a distância com chamadas de vídeos, está feliz por Pedro e seu coração infantil fazerem do Vasco imortal.

 

Fonte: GloboEsporte.com