Filho de Dener quer reformar carro de acidente e fazer documentário

26/06/2020 às 08h21 - FUTEBOL

Dener Matheus Gabino de Sousa não tem lembranças do pai, morto em abril de 1994, quando o jovem tinha apenas quatro meses de idade.

Ele é o filho mais novo de Dener Augusto de Sousa, ou simplesmente Dener, craque do futebol cuja carreira em ascensão foi interrompida de forma trágica aos 23 anos.

Há mais de duas décadas, o Mitsubishi Eclipse do então camisa 10 vascaíno bateu em uma árvore na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.

O atleta dormia no banco do carona e morreu estrangulado pelo cinto de segurança.

Hoje com 26 anos, Dener Matheus tem um sonho: resgatar o esportivo para restaurá-lo e produzir um documentário de todo o processo, intercalado com depoimentos e de ex-colegas do pai - e, se possível, com cenas da carreira do meio-campista.

O estudante de direito e empresário acreditava que o veículo tinha sido leiloado, mas descobriu no ano passado, por meio de uma reportagem da TV Globo, que o cupê branco, modelo 1992, permanece guardado todos esses anos em um depósito no Rio, ao lado do Estádio São Januário.

Pouco depois do acidente fatal, José Luís Moreira, atual vice-presidente de Futebol do Vasco, tornou-se guardião legal do Mitsubishi, que ainda estaria registrado em nome da Portuguesa - clube onde Dener iniciou a carreira e que era dono dos direitos econômicos do jogador quando ele faleceu.

O atleta recebeu o veículo do clube paulista como luvas na renovação de contrato - na ocasião do acidente, Dener estava emprestado ao Vasco.

UOL Carros tentou contato com Moreira, mas ele não respondeu.

"Falei com o dirigente vascaíno e soube que poderei retirar o veículo assim que resolver algumas pendências. Está tudo bem encaminhado e pretendo em breve passar a documentação para o meu nome. Minha expectativa é de resgatar o Eclipse até o fim de julho", relata Dener Matheus, que é casado e mora na capital paulista, onde nasceu.

Ele conta com a assistência jurídica do escritório RSZM, onde trabalha, para trazer o carro de volta à família.

Reforma e documentário

O caçula de Dener já se mobiliza em busca de parceiros e eventual patrocínio para reformar o cupê e produzir o documentário para exibição em algum portal, emissora de TV ou canal de streaming.

"Quero deixar o Eclipse do jeito como era antes do acidente, todo original, para manter viva a memória do meu pai. Quero deixar de lado o fato de que ele morreu nesse veículo e focar as coisas boas, o amor que ele tinha pelo carro, pela família e, claro, pelo futebol".

A missão será desafiadora. O Mitsubishi com placas DNR-0010 ficou bastante avariado, sobretudo na parte dianteira. Para a reforma, Dener Matheus afirma que fechou parceria com a oficina Dimension Customs, que foi responsável pelas restaurações das primeiras temporadas do quadro "Lata Velha", do programa "Caldeirão do Huck" (Globo).

Além disso, nos próximos dias o jovem pretende gravar, com o auxílio de uma produtora, um "teaser" do documentário que ele mesmo idealizou e quer dividir em episódios.

"A ideia é misturar a paixão do meu pai por carros e futebol. Penso na participação de profissionais com os quais ele atuou ou teve amizade, como Zé Roberto, Neto, Edílson, Vampeta, Tico e Cristóvão Borges. Quero a participação de pessoas interessadas em relembrar a história dele dentro das quatro linhas e no campo pessoal", explica o jovem, dono da confecção DNR.

Após a restauração e a produção do programa, ele quer levar o Mitsubishi branco para exposição nos clubes pelos quais Dener passou: Portuguesa, Grêmio e Vasco.

A ideia é cobrar a doação de alimentos não perecíveis dos interessados em conferir o veículo de perto para, posteriormente, manter o esportivo em exibição em algum museu.

Torcedor do São Paulo, Dener Matheus e seus dois irmãos mais velhos já tentaram seguir os passos do pai no futebol, mas acabaram desistindo.

Agora, ele quer prestar essa homenagem ao pai que não teve a chance de conhecer e, depois de formado, fazer pós-graduação em direito esportivo.

"Meu pai teve só três anos de carreira profissional e a cada aniversário da sua morte sou procurado pela imprensa para falar dele. É muito gratificante ver que ele é mais lembrado do que jogadores com mais tempo de profissão. Passados mais de 25 anos após ele falecer, volta e meia me pego pensando como seria se ele estivesse vivo, o que teria conquistado, o que teríamos vivido juntos. Trazer o carro de volta à vida é um tributo que desejo ver realizado".

Fonte: UOL Esporte