Futebol

Goleiro por 15min, Edmundo relembra Pelé e Gaúcho

A situação é sempre revestida de tons dramáticos. Três substituições já feitas e um atleta expulso. E logo o goleiro. A única solução possível é algum jogador de linha se sacrificar e assumir o posto de goleiro. Dentre inúmeros casos do gênero no futebol, Pelé e Gaúcho imortalizaram seus feitos que, guardadas as devidas proporções, foi repetido pelo vascaíno Edmundo na derrota por 3 a 1 contra o Cruzeiro, na última quinta-feira, em São Januário.

Emocionado após o revés contra o time mineiro, Edmundo negou que sua atuação como goleiro após a expulsão de Tiago e as três alterações de Tita fosse um feito histórico dentro de sua carreira. No entanto, ciente da situação, ele usou a posição delicada do Vasco no Campeonato Brasileiro para unir sentimentos opostos e desabafar com lágrimas nos olhos.

"A gente é roubado em tudo quanto é lugar, não merecemos isso não. Eu estou feliz, não estou chorando de tristeza não", disse o jogador, que fez apenas uma defesa no confronto, em uma cabeçada de Guilherme aos 45min do segundo tempo. "Eu não preciso disso... O cara fica humilhando ali dentro de campo. É brincadeira", lamentou o atacante.

Diferente do vascaíno Edmundo, Pelé guarda boas recordações de sua atuação como goleiro. Em jogo válido pela Taça Brasil de 1963, o santista provou que também é habilidoso com as mãos no confronto com o Grêmio, no Pacaembu.

Acostumado a destruir as defesas adversárias, o Rei do futebol fez boas intervenções e garantiu a vitória do Santos por 4 a 3 sobre o adversário de Porto Alegre. Como na época não era permitido fazer substituições, Pelé precisou mudar de posição após a expulsão de Gilmar dos Santos Neves.

No Palmeiras, mesmo sem conquistar títulos, Gaúcho entrou para a história. Em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de 1988, o atacante começou na reserva. O time alviverde enfrentaria o poderoso Flamengo, campeão da Copa União no ano anterior, no Maracanã.

A equipe visitante chegou a fazer 1 a 0. Quando o goleiro Zetti quebrou a perna em uma dividida com Bebeto, o técnico Ênio Andrade já havia esgotado suas alterações. Desta forma, Gaúcho foi para o gol. Nos acréscimos, Bebeto conseguiu a igualdade. Na época, os jogos que terminavam empatados eram decididos nos pênaltis.

Nos tiros livres, Gaúcho se consagrou ao defender as cobranças de Aldair e Zinho. Nos rachões promovidos nos treinos, o atacante costumava atuar no gol. Por incrível que pareça, foi a performance como goleiro que alavancou a carreira do atleta, que pouco depois se transferiu para o Flamengo e ganhou os únicos dois títulos da carreira.

Durante os treinamentos, muitos jogadores de linha gostam de jogar no gol. Às vésperas da Copa do Mundo de 2002, o volante Émerson foi cortado e perdeu a chance de conquistar o pentacampeonato após sofrer uma lesão no ombro enquanto brincava como goleiro. Na ocasião, ele trocou de posição com Marcos, que gosta de jogar no ataque nos chamados rachões.

Fonte: Terra
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