Futebol

Hoje no Japão, Oswaldo de Oliveira vai madrugar por "Vas x Cor"

As águas e o terremoto de março não foram o fim do caminho, mas uma promessa de vida no coração de Oswaldo de Oliveira. Desde 2007 no Japão, o técnico do Kashima Antlers, que viu a vizinhança ir para o fundo do poço, contempla cada pau e pedra da reforma de seu estádio, e, bem encaminhada a reconstrução da cidade, já pensa em voltar para o Brasil em janeiro.

Vai chegando a hora de voltar ao Rio para o convívio com a mulher, Jenifer, e o filho caçula, Guilherme, de 5 anos. Tempo também de se despedir do despertador que vai tocar às 3h30 em Kashima — tarde ainda colorida em São Januário —, anunciando Vasco x Corinthians, imperdível para Oswaldo, que esteve dos dois lados.

— Não vou perder esse jogo. Os dois times estão na minha veia. Eu dizia que minha vida se resumia a antes e depois do Corinthians, mas fiquei maluco assistindo à volta do Juninho, que fez um gol em cima do Corinthians.

Oswaldo era ainda iniciante na profissão quando dirigiu o Corinthians em 1999 e ganhou os títulos paulista, brasileiro e, já em 2000, o mundial, justamente em cima do Vasco. Em seguida, foi buscar o perdão do clube carioca e deixou-o bem encaminhado na Mercosul e Copa João Havelange, saindo de mãos abanando após uma briga com Eurico Miranda.

— Ninguém pode dizer que não sou campeão da Mercosul e da João Havelange. Dirigi o clube em 29 dos 31 jogos — destaca.

A memória lhe é favorável na alegria que ficou pelo caminho em sua passagem pelo Vasco, e, também, na dor que causara ao clube na decisão do primeiro Mundial reconhecido pela Fifa.

— Depois do 0 a 0, o Helton pegou o pênalti do Marcelinho, e eu não tinha o sexto batedor. Aí, o Mello (preparador-físico) disse para mim que o Edmundo perderia a cobrança — lembra o ex-técnico do Corinthians.

No rosto de Edmundo, o desgosto. Para o Vasco, o fundo do poço e o fim do caminho. As lembranças estão vivas no mundo distante de Oswaldo, que, hoje, já não sabe por quem torcer: Vasco ou Corinthians? É o mistério profundo, é o queira ou não queira. Pau e pedra.

— Vai ser pedreira — sentencia Oswaldo.

Fonte: Extra Online
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