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Irmãos Castan preferem o silêncio em semana de jogo

03/08/2019 às 08h37 - FUTEBOL

Marcelo Castan lembra bem como era: ainda pequenos, os filhos Leandro e Luciano saíam juntos para jogar bola na rua. Na volta, um deles chegava choramingando, triste porque havia perdido. “Mas por que vocês não jogam juntos?”, era o que ele e a esposa, Edilaine, perguntavam. A resposta era sempre a mesma: não gostavam, preferiam estar em times diferentes.

Foto: ReproduçãoIrmãos Castan
Irmãos Castan

Que seja feita a vontade deles, então, na partida de domingo, quando Vasco e CSA medirão forças pelo Campeonato Brasileiro. Será a primeira vez que Leandro Castan, de 32 anos, enfrentará Luciano, de 29, profissionalmente. Um duelo que mistura o amor fraterno e a pitada de rivalidade que as melhores histórias de irmãos trazem à tona.

As personalidades são diferentes, por exemplo. Luciano é descrito pelo pai como mais reservado, de expressar menos os sentimentos. Já Leandro é mais expansivo, explosivo. Nada que a torcida do Vasco ainda não tenha notado na forma como ele exerce sua liderança em campo, no extravaso que deu ao comemorar seu primeiro gol pelo Vasco, na vitória sobre o Fluminense, no último dia 20 de julho. O que compartilham é a mesma competitividade. A família Castan espera um “campeonato à parte” em Cariacica (ES), palco da partida.

— Os dois são muito aguerridos. A questão é que, como irmãos, não posso nem dizer como vai ser o comportamento dos dois. Vai ter aquela coisa de querer ganhar do irmão. Para nós, da família, vai ser difícil escolher um para torcer — confessa o pai.

Semana silenciosa

Antes de se tornar representante dos filhos, Marcelo foi jogador de futebol. Mais acostumado ao ambiente, ele afirma que está tranquilo para ver os dois se enfrentando. Sua esposa não pode dizer o mesmo. O marido vê dona Edilaine mais nervosa essa semana, apreensiva, até. Marcelo desconfia que ela pode até evitar assistir à partida.

Durante a semana que antecede o clássico dos Castan, ele percebe um comportamento diferente também dos filhos. Leandro e Luciano estão mais calados, têm ligado menos para o pai desde segunda-feira. Se a partida fosse no Rio, encontrariam os filhos em São Januário. Como a partida foi transferida para o Espírito Santo, preferiram seguir em Jaú, no interior de São Paulo, e fazer aquele churrasco antes deo jogo começar.

Apoio no drama

Mas não é só de rivalidade que vive a relação entre eles. Leandro Castan tem uma tatuagem com o rosto do irmão na perna, e Luciano foi um dos que mais apoiaram o jogador do Vasco quando ele viveu um drama: descobriu um tumor no cérebro nos tempos em que atuava pela Roma, da Itália, e temeu nunca mais jogar futebol. Foi a hora certa para o irmão mais novo aparecer.

— Foi angustiante para todos na família. Sentimos muito, ficamos muito apreensivos. Todos nós viajamos para ficar com ele na Itália, o Luciano estava de férias na época. São nessas horas de angústia que a gente cresce, multiplica-se o amor e o carinho — lembra Marcelo Castan.

O Vasco de Leandro é o 15º colocado do Campeonato Brasileiro, com 13 pontos. Já o CSA, de Luciano, é o penúltimo, com 7.

Fonte: Jornal O Globo