Após a derrota do Vasco para o Botafogo, o treinador Renato Gaúcho protagonizou um momento polêmico quando afirmou que jogadores colombianos e equatorianos cometiam mais erros em campo e precisavam de mais tempo de adaptação no futebol brasileiro. Diante da repercussão da fala na imprensa sul-americana, o site Bolavip fez um levantamento dos números desses estrangeiros que atuaram no Brasileirão entre 2022 e 2025, acrescentando um novo tempero ao debate.
— O que eu mais falo, até por eu ter sido atacante, é pra eles terem tranquilidade para tomar a melhor decisão. O desespero próximo da área é sempre do adversário. Temos quatro colombianos no grupo, eu procuro sempre corrigir eles. E eles têm muitos erros. É o meu trabalho, mas é falta de tempo. Não é da noite para o dia que eu vou corrigir os caras 100%. — iniciou o técnico cruz-maltino.
Inicialmente, a declaração era direcionada a Marino Hinestroza, colombiano que chegou ao Vasco no final de janeiro, cercado de expectativas para compor o ataque do time, que conta também com os compatriotas Johan Rojas e Andrés Gómez, além do zagueiro Cuesta. Hinestroza, que ainda está em processo de adaptação, vem ganhando cada vez mais minutagem, mas Renato entende que ainda há muito o que corrigir nas ações do jogador, e estendeu a "crítica" aos equatorianos.
— Quando eu estava no Grêmio e me ofereciam jogadores colombianos e equatorianos, eu gosto deles, mas eu só dava o aval pra trazerem quando estavam adaptados ao futebol brasileiro. O jogador colombiano e equatoriano precisa de muito tempo para se adaptar ao futebol brasileiro. Tem uma diferença muito grande, principalmente taticamente. E isso leva tempo. — concluiu.
O caso de Hinestroza não é isolado. Contratação de peso do Palmeiras para a temporada, Jhon Arias, quando chegou ao Fluminense, precisou de alguns meses para mostrar seu potencial em campo. Camisa 10 do Vasco, Rojas discordou do treinador, mas garantiu que não levou para o lado pessoal.
— Todos nós cometemos erros, não apenas os colombianos. Os colombianos sempre tentam fazer coisas novas, para o bem da equipe. Alguns podem dizer que cometemos muitos erros por causa disso. Se eu não cometesse erros, seria o melhor do mundo agora. Estou calmo, sei o que posso oferecer, como me preparo. Assim como os jogadores de futebol às vezes fazem declarações acaloradas, acho que os técnicos também fazem, mas está tudo bem — disse o jogador ao Blog Deportivo, da Colômbia.
Apesar da fala de Renato Gaúcho ter embasamento em sua longa trajetória como técnico, os números obtidos no levantamento demonstram que os colombianos estão entre os três melhores aproveitamentos nos critérios de precisão de passe, chute e dribles em comparação com jogadores da Argentina, Uruguai, Paraguai, Equador, Chile e Venezuela .
De acordo com os dados da Opta, o aproveitamento de passe dos atletas da Colômbia é de 84,5%, ficando atrás de equatorianos (85,4%) e chilenos (87,5%). No que diz respeito a precisão de finalização, possuem 36,7%, sendo os quartos em taxa de conversão (9,9%) - ambas estatísticas lideradas por jogadores do Chile. O mesmo ocorre para dribles certos. Com 986 concluídos de 2024 tentados, possuem um aproveitamento de 48,7%, enquanto venezuelanos lideram com 51,7%.
Leonardo Miranda, colunista do ge, deu razão ao treinador, justificando a demora da adaptação ao nível praticado no Brasil em comparação com as demais ligas, mas acrescentando que o processo é individual e vai variar para cada atleta.
— O que ele fala não está exatamente incorreto. Jogadores colombianos e equatorianos estão acostumados a jogar em ligas com uma exigência e uma intensidade menor que a do Brasileirão, que vem se tornando um campeonato com um jogo muito rápido e acelerado, com times muito organizados. O que isso significa? Que o jogador tem cada vez menos tempo e espaço para pensar e precisa mostrar técnica de uma forma mais rápida que no Campeonato Colombiano, por exemplo. Com isso, o tempo de adaptação, tanto física como tática, é maior. Jogadores argentinos, por exemplo, costumam se adaptar bem. Paraguaios também. Claro que não dá para generalizar, porque cada jogador é único, e o que o Renato fala de tempo pode variar. — explicou.
Além do aspecto técnico e tático, é importante levar em conta o aspecto cultural. Para Rojas, do Vasco, a mudança de idioma foi o maior desafio na chegada ao Brasil, mas acredita que essa barreira não será suficiente para atrapalhar os planos dele ou de outros colombianos que desejem atuar no futebol brasileiro.
— A coisa mais difícil para mim foi o idioma; nem sempre o entendo bem. Os colombianos são adaptáveis, na minha opinião. Temos o DNA para querer ter sucesso, para jogar onde quer que nos coloquem. Na minha visão, o jogador colombiano é o mais parecido com o brasileiro, então não acho que teremos muita dificuldade de adaptação.
Com um elenco recheado de estrangeiros da Colômbia, Uruguai e Argentina, o Vasco volta à campo neste sábado (11), às 16h30, para enfrentar o Remo pela 11ª rodada do Brasileirão.
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