Futebol

Lembra dele? Marquinhos do Sul diz que se arrepende da forma de como saiu

O Barra da Tijuca que se prepara para disputar a Copa Rio e a Série B2 do Campeonato Carioca ganhou recentemente um reforço que a torcida do Vasco conhece muito bem. Aos 28 anos, e os mesmos 1,69m de altura, Marquinhos do Sul está de volta ao futebol do Rio depois de duas temporadas no Nacional de Muriaé, de Minas Gerais.

Marquinhos até hoje recebe mensagens de torcedores. "Fui para Pernambuco agora de férias, e lá tem muito vascaíno. Todo mundo que passava pedia para tirar uma foto", conta ele, com orgulho. O atacante foi revelado pelo Vasco em 2014, conquistou o Carioca no ano seguinte, mas não chegou a um acordo pela renovação e, sete anos depois, se arrepende da maneira como saiu do clube.

Marquinhos do Sul em treino do Vasco em 2015 — Foto: Ruan Carneiro / AGIF
Marquinhos do Sul em treino do Vasco em 2015 — Foto: Ruan Carneiro / AGIF

Pequeno e veloz, Marquinhos do Sul surgiu com muita moral aos 20 anos e ganhou na ocasião o apelido de "The Flash da Colina". Fez sete jogos em 2014, depois quatro em 2015. O Vasco propôs renovar seu contrato por um ano e meio ou dois, ele não se recorda bem, mas com o mesmo salário que ele recebia quando subiu da base. Marquinhos queria um aumento junto com a renovação, bateu o pé e decidiu ir embora do clube.

- Eu me assustei, não queria (manter o mesmo salário), comecei a bater de frente, não tinha ninguém por trás para me orientar. Não quero, não vou renovar. Meu maior arrependimento foi só querer dar valor depois que eu saí. A gente só valoriza depois que conhece o outro lado da moeda do futebol - contou ele em conversa com o ge.

- Tem gente que só conhece o lado legal do futebol, dos times grandes, Engenhão, Maracanã. Mas tem o outro lado ruim, onde tem muita luta, muita batalha, tem gente que joga por 500 reais, por 200, por 1mil. Esse outro lado eu não conhecia. Quando saí do Vasco, eu não conhecia. Acho que esse foi o maior arrependimento - acrescenta ele.

Marquinhos passou por inúmeros clubes de menor expressão desde que saiu do Vasco: Cabofriense, Bahia de Feira de Santana, Portuguesa, Nova Iguaçu, Rio São Paulo, America... Dificilmente ficou por mais de uma temporada na mesma equipe, mas, por outro lado, comemora o fato de nunca ter ficado sem clube. "Graças a Deus, eu tenho conseguido todo ano ficar empregado", pontua ele.

O atacante também leva as mãos ao céu por não ter convivido com problemas de salários atrasados ou algo do tipo.

- Nesses últimos anos tenho tido tranquilidade quanto a isso, onde eu passei eu recebi, não estou tendo dor de cabeça. Um dos motivos de aceitar vir para o Barra foi o planejamento de salário. Está tudo muito organizado, planejado, tem profissional em todas as áreas. Estou perto de casa, do lado da minha casa, é uma coisa que ajuda bastante - explica ele.

- Quando as pessoas pensarem em acertar com clubes de menor expressão, tem que ter muito cuidado, nem todas as pessoas são honestas. Por isso que tem muito caso na Justiça. As pessoas não entendem, às vezes o cara está contando com aquele valor, o clube não acerta e ele não vê outra saída. Tem muito disso nesse mundo totalmente fora de Série A e Série B - completa.

"Estou tentando até hoje"

Casado e pai da pequena Pietra, de apenas três anos, Marquinhos do Sul estava de malas prontas para Portugal quando saiu do Nacional de Muriaé. Ia jogar em um time da segunda divisão. Mas, depois de tudo acertado, o clube voltou atrás na decisão de que ele poderia levar a família, e o atacante então desistiu do negócio. Foi quando surgiu a proposta do Barra da Tijuca.

A essa altura da carreira, mais maduro, Marquinhos garante que está com a "cabeça mudada". Tem tentado priorizar propostas de equipes que tenham o calendário cheio, onde possa jogar o ano inteiro. E não ainda mantém vivo o desejo de voltar a um clube grande.

- Você estar no clube grande é muito difícil. Eu tenho muito contato com meninos que estão na base, eu falo: "Valoriza". Tem chance de renovar? Renova. É muito difícil ficar no time grande e ter sequência. Se tem uma oportunidade em time grande? Valoriza. Porque, depois que sai, para voltar é bem complicado - lamenta ele, arrependido.

"Eu estou aí na batalha, tentando até hoje", conclui.

O atacante de 28 anos prossegue:

- Meu planejamento com certeza é voltar para um time grande, é o que eu sempre busco, trabalho para isso. Hoje tenho uma cabeça totalmente diferente da que eu tinha na época do Vasco. Muitos até hoje conversam, param na rua. "Pô, eu torcia muito quando você estava no Vasco". Isso me motiva a querer retomar essa coisa de estar em um time grande, com uma estrutura grande, ser bem visto pelas pessoas - sonha ele.

- Eu era muito novo, não tinha uma estrutura por trás. Isso atrapalhou o início de carreira. Eu subi e foi tudo muito rápido, virei profissional, titular... As coisas giraram muito rápido. Aconteceram alguns erros, para mim mesmo serviu de aprendizado. Mas minha cabeça, hoje, está totalmente mudada. Agora é batalhar e buscar o espaço novamente - afirma.

"Meu osso saía do lugar e voltava"

Logo depois que saiu do Vasco, Marquinhos do Sul acertou com a Cabofriense para jogar o Carioca de 2016. Foi pelo time de Cabo Frio que ele fez seu primeiro gol como profissional, por exemplo, já que não chegou a desencantar pelo time de cima do Vasco: ele foi o autor dos gols da vitória por 2 a 0 sobre o Tigres, no Moacyrzão.

- Eu estava com umas situações muito boas. Para ir para o Japão, tinha uma situação de Portugal, tinha até um clube grande do Rio que tinha perguntado de mim - se lembra ele.

Mais para o fim do campeonato, no entanto, ele sofreu uma lesão grave que mudou os planos e o afastou dos gramados por um ano. Foi na derrota por 1 a 0 para o Macaé, no dia 31 de março, pela 4ª rodada do segundo turno. Marquinhos deu um carrinho no ataque e prendeu a perna esquerda no campo (veja o lance no vídeo abaixo). Resultado: fraturou a tíbia, a fíbula e ainda rompeu todos os ligamentos do tornozelo.

Marquinhos conta que, na hora, demorou a entender o que estava acontecendo.

- Eu não tinha noção. A princípio, quando eu levantei a perna e vi que estava quebrada, eu apaguei, desmaiei, não me lembro de nada. O médico foi bem rápido naquela situação e botou minha perna no lugar, já que não tinha sido uma fratura exposta. Ele Conseguiu botar o osso no lugar e ficou tranquilo. Minha dor parou, eu olhei a perna, retinha, e fui levantar como se fosse voltar para o jogo. Quando pisei no chão, minha perna saiu do lugar de novo - recorda, num relato aflitivo.

"O pior momento da minha vida foi esse caminho do estádio até o hospital, porque tinha muito buraco na estrada. Cada vez que passava por um buraco, meu osso saía do lugar e voltava, saía e voltava. Eu nunca esqueço isso na minha vida", completa.

O exame de imagem apontou uma fratura entre 4 e 5 centímetros de tamanho. Ele precisou colocar sete parafusos, dois deles enganchados. "Se quebra mais para cima, ia ter que colocar aquele ferro por dentro do joelho, que fica exposto, para segurar o osso", explica ele, aliviado.

Na ocasião, Marquinhos do Sul chegou a pensar em desistir de jogar futebol. Um ano depois, no entanto, ele estava de volta. A lembrança da grave fratura, hoje, são duas pequenas cicatrizes na perna esquerda.

Fonte: ge
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