Luiz Carlos Winck fala sobre títulos pelo Vasco e revela carinho pelo clube

05/06/2020 às 17h51 - CLUBE

Nosso bate-papo de hoje é com Luiz Carlos Winck, lateral-direito campeão brasileiro pelo Vasco em 89. Foi dele o primoroso cruzamento para o gol do título de Sorato. Winck iniciou a carreira no Internacional, em 81 e ficou por duas temporadas em São Januário. Retornou ao colorado em 91 e novamente ao Vasco em 92, onde ganhou o Carioca. Por onde jogou, sempre se mostrou veloz e tinha o ataque como seu ponto forte. Ao todo, foram 111 jogos e 2 gols com a camisa cruzmaltina.

Suas qualidades o credenciaram também à seleção brasileira. Pelo Brasil, Winck viveu seu melhor momento em 1988, quando foi medalha de prata nos jogos olímpicos de Seul. Antes disso, em 1984, ganhou a mesma medalha olímpica nos Jogos de Los Angeles, cuja seleção dirigida por Jair Picerni tinha como base o Internacional. O lateral também disputou uma Copa América em 1993.

Para coroar sua história na seleção, faltava uma convocação para a Copa do Mundo. Ela quase aconteceu em 1990, porém uma séria contusão o tirou da disputa por um lugar na competição. Mesmo com uma ponta de frustração pelo ocorrido, Winck levantou a cabeça e continuou a brilhar em outros clubes gigantes. Além de Internacional e Vasco, teve passagens por Grêmio, Corinthians, Atlético-MG, Botafogo, Flamengo, entre outros.

Winck pendurou as chuteiras em 96 pelo São José-RS. E foi nesse mesmo clube onde, em 1998, iniciou brilhantemente sua carreira de treinador. Nos últimos anos, fez bons trabalhos também em equipes como Pelotas, Esportivo, Passo Fundo, Veranópolis, Lajeadense, Caxias (todos do RS) e Criciúma (SC).

Nesse papo cercado de detalhes, Luiz Carlos Winck fala da importância do Vasco para a sua carreira, a conquista do título brasileiro de 89, tudo que o levou a não disputar uma Copa do Mundo, a vontade de treinar um grande clube da série A e um recado de confiança para o seu sobrinho Claudio Winck, que hoje atua no Vasco.

Confira!

 

Você teve 2 passagens pelo Vasco e escreveu seu nome na história dessa agremiação. Qual a importância desse clube  para sua carreira?

Luiz Carlos Winck: O Vasco representa muito pra mim. Fui campeão do Torneio Ramón de Carranza quando cheguei, campeão brasileiro em 89 e campeão carioca invicto em 92. No Vasco, fiz muitas amizades, participei de grandes equipes e consegui conquistar o coração de uma torcida apaixonada. Sou muito grato e orgulhoso por ter vestido esse manto sagrado!

A conquista do título Brasileiro de 89, onde você foi o responsável pelo cruzamento certeiro no gol de Sorato, é uma das coisas que marcam até hoje. Quais outras boas lembranças que guarda com carinho daquela época?

Luiz Carlos Winck: Ter ganho o campeonato brasileiro de 89 com cruzamento meu para o Sorato, fez escrever meu nome na história desse grande clube. Ainda mais porque vinha de duas finais de Brasileiro com o Internacional e acabei, na terceira consecutiva, ganhando com o Vasco. Temos um grupo no Whats App da Familia Vascaína de 89, onde ano passado comemoramos os 30 anos desse grande feito. Isso é marcante, porque verdadeiramente éramos uma familia, formada de grandes jogadores, funcionários, direção... Isso me marcou muito e tenho muitas saudades de tudo isso.

 

Jogar na Europa e disputar uma Copa do Mundo é sonho de todo grande jogador. Você acredita que essas seriam as maiores frustrações de sua vitoriosa carreira?

Luiz Carlos Winck: Fico triste quando falo disso, né? Até porque eu tinha o sonho de jogar na Europa e de disputar uma Copa do Mundo. Tive a possibilidade sim. Em 85, eu estava convocado pelo Evaristo de Macedo, participei de alguns jogos, tinha na sequência a esperança de ser convocado pra Copa do Mundo de 86, mas houve uma troca no comando da seleção. O saudoso Telê Santana retornou e houve uma troca de atletas no grupo. Houve a minha saída e do Edson do Corinthians, que nós disputávamos a posição naquele momento. Em 88, retornei à seleção olímpica e fui medalha de prata nas Olimpíadas na Coréia do Sul com o saudoso Carlos Alberto Silva. Ganhei a posição de titular disputando com o Jorginho a lateral-direita. Jorginho foi passado pra lateral-esquerda. Em função até do que o Jorginho tinha iniciado a carreira dele como lateral-esquerdo, o Carlos Alberto me chamou no quarto e disse que eu tinha ganho a posição. E eu voltei daquelas Olimpíadas como titular da seleção e aquela seleção era praticamente a principal. Em 89, novamente houve uma troca de comando na seleção brasileira. O Carlos Alberto Silva saiu e entrou o Lazaroni. Com o Lazaroni, nós começamos o trabalho no início de 89. Comecei como titular e fomos liberados de alguns jogos pra poder disputar a Libertadores pelo Internacional. Infelizmente na Libertadores de 89, eu acabei fraturando a tíbia num jogo contra o Penãrol em Montevidéo. Acabei, com isso, praticamente ficando fora da Copa do Mundo de 90. Eu ainda me recuperei, consegui uma transferência pro Vasco naquele ano. Eu estava negociado com o Hamburgo da Alemanha. Também perdi essa venda pro futebol europeu, em função da fratura. Acabei depois jogando alguns jogos pelo Inter e negociado com o Vasco da Gama. Com o Vasco, acabei me recuperando e fui campeão brasileiro.

Finalizando o ano, eu tive uma reunião no apartamento no Rio. O Lazaroni era muito amigo do Bebeto e eu fui visitar o Bebeto e nós acabamos conversando. E o Lazaroni me falou que, naquele momento, ele estava implantando um novo sistema de jogo no Brasil que era o 3-5-2. E se ele levasse 4 laterais, eu iria ser convocado. Se ele optasse por levar 3 laterais, eu ficaria de fora. E foi o que aconteceu. Infelizmente, a fratura me tirou da Copa do Mundo de 90. Depois, em 91, comecei a participar novamente da seleção com o Carlos Alberto Parreira e o Zagallo, que foi meu técnico no Vasco. Fui convocado em 91, 92 e 93. Eu fiz uma transferência do Vasco pro Grêmio. Talvez com isso, eu tenha perdido um pouco na época. A parte política realmente era muito forte. Rio de Janeiro e São Paulo. O Jorginho estava fora do país e o Cafú estava no São Paulo e eu no Grêmio. O Grêmio participando apenas de jogos amistosos no início do ano e o Parreira falou pra mim que o São Paulo já estava fazendo jogos oficiais e naquele jogo contra a Argentina, acho que foi em 93, ele falou que iria testar o Cafú. Testou o Cafú, e nós ganhamos da Argentina lá em Buenos Aires. O Cafú fez um bom jogo e acabou que, no ano seguinte na convocação final pra Copa do Mundo, fiquei de fora. Eu fui convocado todas as vezes, de 91 até final de 93, e acabei ficando fora da Copa do Mundo de 94. Então, realmente isso aí me trouxe uma frustração. Fico triste quando falo disso, porque era muito importante pra minha vida profissional e pra minha carreira ter alcançado a questão de disputar uma Copa do Mundo e também a Europa. E acabei perdendo em função de alguns problemas. Mas ao mesmo tempo também feliz, porque atingiu o pico máximo da minha carreira. Tive oportunidade de jogar em grandes clubes e servi a seleção de novos onde fui tricampeão na França, medalha de prata 2 vezes na seleção olímpica, seleção principal também, acho que em mais de 30 oportunidades. Então, fico feliz por essa parte e a tristeza por não ter participado de uma Copa do Mundo.
 

Você vestiu as maiores camisas do futebol brasileiro, tem o respeito de todos e hoje é um treinador capacitado. Ser técnico de um time como o Vasco, por exemplo, onde foi vitorioso como jogador, faz parte de seu plano de carreira?

Luiz Carlos Winck: Essa sequência foi a opção que eu fiz de sair depois de finalizada a minha carreira como atleta e seguir como técnico de futebol. É claro que eu tenho a intenção de treinar um grande clube da série A do Brasileiro. Já treinei clubes da série B, da série C e da série D. Vários clubes aqui no Sul, no Sudeste. Trabalhei também no Centro-Oeste. Trabalhei no norte, no Nordeste. Então, é claro que eu gostaria muito. O Vasco realmente é um clube que eu gosto muito, o Internacional..vários clubes, né? Eu acho que qualquer técnico seria muito orgulhoso de dirigir um clube desses. Então, isso realmente é o objetivo que eu tenho como técnico.

Seu sobrinho Claudio Winck sempre deixou claro que se espelha no jogador que você foi. Agora, com ele no Vasco, você costuma passar dicas e conselhos?

Luiz Carlos Winck: Sim. E torço muito para que ele seja vencedor nesse clube que eu gosto demais. Ele precisa de oportunidades e sequência para se firmar. Peço ao torcedor do Vasco que transmita confiança pra ele, porque eu afirmo que ele tem potencial pra ser titular e ajudar muito o Vasco.

Fonte: Marcus Jacobson - Detetives vascaínos