Mais declarações de Diniz
Reação após sequência negativa
— Soubemos muito bem trabalhar no intervalo o sentido anímico. Era um jogo muito importante, soubemos decidir. Tudo que aconteceu nessas cinco derrotas, até brinquei com os caras, um gol para cada derrota. Foram cinco derrotas consecutivas. E tivemos mais chances de fazer gol. No primeiro tempo, por exemplo, tivemos mais três ou quatro chances claríssimas. Poderíamos ter ganhado até de mais, por incrível que pareça. O time está de parabéns. O que fica, acho de importante, para a gente, todo mundo aqui e o mundo do futebol é que depois de cinco derrotas e eu fui arguido em Salvador por um de vocês pela minha relação com o Pedrinho eu não seria demitido... quem achou que eu deveria ser demitido tem que sustentar a mesma coisa agora. Se não, haja falta de firmeza, inteligência, tudo. O que mudou? Isso que padece o mal do futebol brasileiro. As pessoas não conseguem enxergar o trabalho.
Postura do Vasco
— As mesmas coisas que expliquei contra o Bahia vou explicar agora. O Vasco quando cheguei estava na zona de rebaixamento. Tivemos momentos brilhantes na temporada. Ficamos quase 70 dias, acho que de 24 de agosto a começo de novembro, jogamos 12 partidas e perdemos uma. Empatamos quatro, sendo que dois empates podemos computar como vitória, porque foi a classificação na Copa do Brasil contra o Botafogo, e ficamos acho que 20 dias em que jogamos cinco jogos e o time foi mal e perdeu cinco jogos. Se não tivesse a gordura que criou nesse período, talvez estivesse todo mundo querendo demissão. Mas não tem critério, não conseguem enxergar. Esse time do Vasco está aprendendo a ser grande. O time que dirijo, não a instituição. O Vasco é gigante, uma das maiores do mundo em relação ao futebol. Mas esse time está aprendendo, trabalhando, treinando. Aí perguntam o que fizemos na data fifa. Na data fifa o time treinou. Ou você acha que tudo que tínhamos que treinar foi nessa semana e por isso o time ganhou de 5 a 1? A gente acredita nessas coisas meio infantis, que os resultados são causados por um elemento, as derrotas também. O time vai aprendendo. Quando você sobe muito, como subimos, ou temos a grandeza de continuar subindo ou temos que aprender. Tivemos a queda que ninguém queria, perdemos cinco jogos. Alguns jogos jogamos bem, contra o São Paulo no primeiro tempo, jogamos muito bem contra o Juventude também. Até melhor que contra o São Paulo até o primeiro gol. Mas aí colocamos tudo na mesma cesta e falamos que todos foram ruins. O Bahia não foi igual ao Grêmio que não foi igual ao Botafogo. Foi um jogo em que o time jogou mais unido e bem distribuído taticamente no campo. Faltou confiança que fomos perdendo por nossos próprios erros. O time errou? Errou muito nesses cinco jogos. No que errou? Quando você está subindo ou trabalha e acelera para continuar ou você se acomoda e vai cair, que foi o que aconteceu com a gente. E comigo aqui, junto aos jogadores, não vai ter acomodação.
Desabafo após vitória
— Teve outro questionamento que fizeram, que parece que todo meu trabalho é assim, quando acontece algo e o time perde, ou é porque sou muito rígido, ou protejo muito o jogador, ou trabalho muito... todas essas coisas são os fatores positivos que contemplam meu trabalho. Trabalhamos muito mesmo. Ontem ficamos quase duas horas no campo. Se tá errado, tá errado ontem, não só no dia que perde. Isso que a gente precisa melhorar no debate e enxergar as coisas como elas são. Para o torcedor, ok. Está no papel dele, quer vitória. Mas quem milita no futebol e faz análise tem que ter um pouco mais de cuidado. Não adianta ficar reclamando. Repito: se alguém achava que tinha que demitir, tem que sustentar agora. Ou vai mudar de opinião porque ganhou de 5 a 1? Não faz sentido, é porque não enxerga nada do trabalho. Torcedor, que trabalha como influencer, e vai contaminando a torcida. A torcida quer voz. O cara está chateado, então contra o Bahia teve melhora, mas não vai enxergar isso. O jogo contra o Bahia vocês colocaram no mesmo pacote. Eu não coloco. Porque assistimos, explico: aqui voltamos a jogar como um time. Jogamos juntos, agora a confiança nós vamos recuperar, com coragem para jogar e isso foi feito. Então fica isso para vocês. E não é porque ganhou hoje. Falei contra o Bahia, temos que ter mais racionalidade nesse ambiente do futebol. Porque esse ambiente é ruim para todo mundo.
O que fez inverter Gómez e Nuno
— O campo antes da chuva estávamos estranhando, a bola estava quicando. A gente acertou bem no plano, tinha que ter amplitude. Tinha gente flutuando mais perto do gol, tinha gente flutuando, no caso do Nuno, mais recuado. Piton entrando um pouco junto com os volantes para fazer número no meio. Acho que conseguimos ter domínio durante toda a partida.
Thiago Mendes
— Fez um grande jogo. O Thiago é um jogador que conheço há muito tempo, mas fiquei muito tempo sem ver jogar. Desde quando foi para a França, acho que 2016 ou 2017. Até achava que quando ele foi para o exterior que ia disputar duas Copas do Mundo, porque tem muita qualidade técnica. Mas quando ele foi para o Lille e depois no Lyon, não tive muito contato com ele jogando. E aí foi jogar no Catar por três anos. Ficar três temporadas no Catar com a idade que ele já tem, é da geração do Tchê Tchê, do Coutinho, do Neymar, tem 33 anos, ele não volta do Catar depois desse tempo impunemente. Ele chegou muito fora da forma que ele está hoje. Muito fora. Esses meses que ficou aqui foi ganhando muita condição. Fomos tentando colocar, nos treinos foi se destacando, tentamos colocar sequencialmente sem ir ao departamento médico, teve uma lesão. Teve que resolver problemas do Catar. Teve esse tempo para chegar no nível que jogou hoje. E mesmo assim teve cãibra hoje. Ele dá muita qualidade técnica, experiência e é um jogador grande no campo. O time melhora com ele.
Quase livre do rebaixamento. Foco na Copa do Brasil?
— Ainda vamos pensar jogo a jogo. Vamos digerir ainda essa vitória e depois pensar no Mirassol. Aí contra o Atlético Mineiro vamos ver o que fazer. Ainda não temos um plano elaborado, ainda estou pensando algumas coisas, mas estava pensando de uma maneira muito secundária. Pensando sem dar atenção. Pensamentos muito leves porque estava totalmente focado no jogo de hoje. Uma vez que ganhamos e muda o cenário vamos pensar nisso num futuro próximo.
Jogos restantes: consegue manter o nível de hoje?
— A gente tem que buscar com toda nossa energia manter o nível. E se puder melhorar o nível. A gente teve muita energia hoje. Não é o nível de ganhar de cinco. É o nível de energia, de concentração que acho que temos que ainda melhorar o que foi hoje. O que quero é que o time jogue junto como foi hoje. Jogando junto, atrai a torcida e tudo fica mais fácil.
Rayan é o principal jogador do Vasco?
— Não preciso falar assim de principal jogador, os números eles falam por si. Mas tem muita gente importante no Vasco. O Rayan é um jogador muito raro, ele ta aprendendo ainda a reconhecer aquilo que ele vai se tornar no futebol. Ele é um jogador completo, no sentido que ele tem tudo: é grande, é rápido, é forte, é canhoto, chuta muito bem, está cabeceando cada vez melhor, é um cara inteligente, tem muita intuição para jogar. Tudo que ele vai fazer no futebol, ele faz bem. É um privilégio para o Vasco ter um jogador como o Rayan, assim como é um privilégio ter um jogador igual o Coutinho.
— Hoje o Andrés Gómez também fez uma partida tecnicamente a melhor dele aqui. Jogou bem o jogo do começo ao final da participação dele, tanto com a bola quanto com a marcação. Porque o jogo não é só os cinco gols, a gente marcou muito bem o Inter. O Inter foi ter uma chance clara no final do jogo, até o gol não foi numa chance clara. Foi uma bola que começou com uma falta que o juiz deu do Paulo Henrique, que não foi. A a bola circulou, virou escanteio e aí, para mim, foi falta clara no Andrés Gómez. Aí a bola circulou e eles acabaram fazendo o gol.
— Acho que o time defendeu muito bem, acho que o Coutinho foi fundamental. Isso que a gente tem que destacar no Coutinho, hoje o cara marcou muita coisa. Então, assim, é um craque, um gênio humilde. A coisa mais difícil que tem é um cara com a qualidade que ele tem, com a historia que ele tem se propor a marcar e ajudar o time como ele ajudou. Isso inspira muito mais do que a qualidade técnica dele. Se ele está fazendo aquilo, imagina os outros o que não vão fazer, e foi o que aconteceu hoje. Então, foi uma vitória muito justa e muito merecida.
Thiago Mendes, Tchê Tchê ou Hugo Moura: qual a dupla do Barros?
— Muito bom ter dúvidas assim. O Thiago fez uma partida excelente. Mais um que podemos considerar titular, como os outros que você citou. Hugo, Tchê Tchê, Mateus Carvalho, outros que podemos escolher e ver o que será melhor para o Vasco.
Volta do Paulinho
— O torcedor gosta do Paulinho e todo mundo do Vasco gosta. Todos os funcionários, todos os jogadores, porque ele é um jogador e uma pessoa bem especial. Joguei contra o Paulinho no melhor momento dele aqui no Vasco, em 2023, Fluminense x Vasco. Nessa partida no Engenhão que o Vasco ganhou, ele foi o melhor em campo. Foi um dos grandes protagonistas naquela fuga do rebaixamento. Ele, Vegetti, outros. Mas esses dois foram os dois principais. O Paulinho jogou muito. Depois da lesão, ele está se esforçando para reencontrar o melhor Paulinho. Então eu estou atento a isso. Torcemos para que ele consiga se reencontrar naquela grande forma o quanto antes.
O quanto os 5 a 1 trazem a confiança que faltava?
— O que o time teve mais hoje do que confiança foi coragem. A coragem para enfrentar um momento adverso. O time foi muito junto, muito unido na marcação. Que é uma marca nossa. Foi assim contra o Bahia, foi assim contra o Cruzeiro, contra o São Paulo e o Santos no Morumbi. Quando marcamos muito bem com todo mundo conectado, o nosso jogo flui melhor. E essa conexão que voltamos a ter, e repito, começou contra o Bahia, e a coragem que o time teve para enfrentar esse momento, e aí a confiança voltou e os gols foram saindo. Os jogadores se sentindo mais à vontade, o torcedor abraça esse comportamento. Então acontece essa simbiose e o time vai ficando mais forte.