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'Mais do que a vitória, os vascaínos celebraram sua própria identidade'

A informação é quase obscena, se levarmos em conta que estamos falando de um gigante do futebol brasileiro: com a vitória sobre o Bahia, ontem, o Vasco da Gama ocupa uma vaga entre os quatro melhores da Série B depois de 44 rodadas -- foram incontáveis segundas de melancolia, terças de desespero, quartas-feiras de cinzas, quintas de revolta, sextas de decepção e sábados de choro disfarçado, até que chegasse um domingo que enfim trouxe uma punhado de esperança. A equipe ainda pode deixar o posto, caso o Grêmio vença o Ituano logo mais, mas a expectativa é de que a partir de agora o expresso tenha pegado no tranco.

O retorno do clube cruz-maltino ao G-4 da segunda divisão, após longa e constrangedora ausência, acabou recebendo destaque efêmero por responsabilidade dos próprios vascaínos: as cenas de sinergia entre torcida e clube, em um São Januário com cerca de vinte mil pessoas, tomaram conta de redes sociais, noticiários, conversas de portão e balcões das bodegas de duvidosa reputação. Celebrar o próprio Vasco -- ou a condição vascaína sobre a Terra -- tornou-se mais urgente do que a própria vitória.

A partida era enroscada, pois o Bahia apresenta um começo de campeonato promissor e a equipe de Zé Ricardo precisa erguer uma hidrelétrica para acender uma lampadinha de Natal quando tenta construir algo remotamente parecido com uma chance de gol. A própria vitória, de alguma forma histórica, veio apenas com o petardo do quase imberbe Figueiredo, que marcou seu primeiro gol profissional. Se dentro do campo as coisas andam aos solavancos, que a catarse tenha como protagonista a arquibancada -- o único fenômeno MAGNÉTICO, também com forte contorno filosófico-etílico-espiritual, que hoje parece ser capaz de mover esse Vasco adiante.

Ao fim da partida, com os jogadores comemorando junto à arquibancada, menos regendo do que sendo regidos por sua atmosfera, com certo amargor o arqueiro do tricolor baiano, Danilo Fernandes, comentou que parecia que haviam vencido um campeonato. De fato, as imagens até podem remeter a um tempo em que taças eram levantadas em São Januário, mas não era disso que se tratava. Era algo ainda mais primordial -- o que se podia observar era um desses raros momentos em que a conexão entre clube e torcida é absoluta, não interessam as circunstâncias ou as divisões: naqueles instantes, era imperioso e inadiável celebrar principalmente o singelo fato de ter nascido (ou haver se tornado) vascaíno.

Fonte: Coluna Douglas Ceconello - ge
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