Futebol

Mecanismo de distribuição de receitas da LIBRA gera debate entre os clubes

A Liga de Clubes do Brasil (Libra) - formada por dez clubes - tem uma regra que prevê que nenhum deles ganhará menos nos contratos futuros em relação aos valores atuais. Esse mecanismo gera debate entre os 25 times que questionam a fórmula de distribuição de receitas para o futuro da liga. É um dos pontos a serem negociados entre as partes.

A Libra é fundada por Corinthians, Santos, São Paulo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Flamengo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro e Ponte Preta. Outros 25 times das Séries A e B - entre eles, Fluminense, Athletico-PR, Fortaleza e Galo - se reúnem para discutir uma proposta alternativa de divisão de dinheiro. Há uma conversa para encontro entre as partes.

Em anexo a seu estatuto, a Libra previu a distribuição do dinheiro em três partes, igualitário, premiação e engajamento de torcida (40%/30%/30%). Há uma cláusula que garante, no entanto, que os clubes não terão perdas em relação ao que ganham atualmente.

O Flamengo e o Corinthians, por exemplo, têm garantias de pay-per-view que lhes dão o valor em torno de R$ 150 milhões a cada um. O Grêmio também tem uma garantia menor. Outros clubes ganham de acordo com seus percentuais de PPV de torcida, como Palmeiras e São Paulo.

A premissa da Libra é que a formação da Liga vai aumentar consideravelmente o bolo do dinheiro de televisão. Com isso, todos os clubes vão ganhar mais, baseado na divisão por critério, que está sendo rediscutida. Por isso, entendem que naturalmente não haverá necessidades de garantias.

Mas, em suas regras, os membros da Libra estabeleceram que nenhum clube pode ganhar menos do que o arrecadado na média dos últimos três anos. Caso isso ocorra, o dinheiro obtido com investidores - que seriam procurados para venda de parte da Liga - seria usado para cobrir a diferença. Se não houver investidor, um fundo de compensação seria usado nesse caso.

Essa regra gera debate dentro do grupo de 25 clubes. Não há exatamente uma discordância em relação ao mecanismo: todos também querem garantir que não tenham menos receita do que atualmente. A questão de clubes grandes - que estão na faixa intermediária dos ganhos - é que não querem que os que estão no topo de pirâmide acabem mantendo renda enquanto eles cedem para o aumento de quem está embaixo da cadeia de receita.

Por isso, esse ponto será discuto no provável encontro entre os grupos.

Outro ponto em debate é um paraquedas para clubes que caiam para a Série B. Neste ponto, ambos os grupos parecem concordar que é necessário algum tipo de mecanismo para os que caírem, atualmente, eles já existem por meio da manutenção de receitas de PPV.

Essas são duas questões além da principal: os 25 clubes querem discutir as contas da divisão do dinheiro e como esta vai evoluir durante o contrato. O principal item a ser debatido, na visão deles, é o critério de distribuição por engajamento de torcida, considerado subjetivo e que pode aumentar em excesso a distância entre os clubes.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL Esportes
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