Médicos contratados por Campello continuam causando polêmica

27/06/2018 às 19h48 - CLUBE

A crise política que afeta o Vasco parece não ter fim. O presidente Alexandre Campello, que tomou posse no dia 22 de janeiro deste ano, realizou várias mudanças no quadro de funcionários do clube. Algumas delas foi no departamento médico, e o Esporte Interativo teve acesso às informações sobre a contratação dos médicos Carlos Fontes, Marcos Teixeira e Rodrigo Furtado, atuais membros do departamento do clube. Todos os três são sócios de Campello fora do Vasco, além de receberem mais do que todos os médicos do Cruz-Maltino antes das demissões feitas pelo mandatário. 

Na gestão de Eurico Miranda, três médicos faziam parte do departamento profissional: Albino Pinto, Vitor Baitelli e Rafael Blum. No final de janeiro, o doutor Albino Pinto foi dispensado por Alexandre Campello após 13 anos de trabalho no Vasco. Após algumas conversas, chegou a aparecer no clube, mas foi oficialmente desligado. Depois, no começo de fevereiro, Rafael Blum também foi demitido. O único que ficou foi Baitelli, que foi deslocado para cuidar das divisões de base pelo ex-VP médico Celso Monteiro. 

Rodrigo Furtado, Carlos Fontes e Marcos Teixeira possuem uma empresa, a MCR Serviços. Ela foi contratada, em documento feito pelo próprio presidente Alexandre Campello, em nome do Vasco, para prestar serviços ao clube. No contrato, que o Esporte Interativo teve acesso exclusivo, o custo previsto dos três profissionais é de R$ 75 mil mensais. Entretanto, Alexandre Campello é dono da empresa ORTOFISI CLINICA MEDICA ORTOPÉDICA. Como sócios, estão Rodrigo Furtado, Carlos Fontes, Marcos Teixeira e mais cinco médicos. Ou seja: o presidente cruz-maltino contratou seus sócios para trabalharem no clube. 

O Esporte Interativo entrou em contato com o ex-vice-presidente médico do Vasco, Celso Monteiro, que estava no comando da pasta quando as mudanças aconteceram. Ele esclareceu o que aconteceu no período, e revelou que o custo passado no primeiro momento seria de R$ 55 mil, além de só ter descobrido a ligação de Alexandre Campello com os três médicos depois do contrato feito pelo próprio presidente. 

"Um dos motivos que eu saí foi exatamente isso. Quando houve a demissão dos médicos que estavam lá, entre eles o Albino e o Rafael Blum, a pedido do presidente, a verdade é essa, eu acatei a decisão. Ele já chegou pedindo para que esses médicos fossem afastados, eu acatei. Inicialmente, os três médicos iriam ficar no custo semelhante ao que os médicos demitidos tinham. Em torno de 15 mil reais cada um. Mas por decisão do presidente, que pessoalmente tratou dos contratos, aumentou de R$ 55 mil para 75 mil reais. Foi uma das coisa que me fez sair de lá. Eu não iria compactuar com isso. Eles são sócios. Eu só descobri isso lá dentro. Quando eu fui chamado pelo Campello para fazer parte do departamento médico, ele me falou: 'Têm alguns médicos que trabalham comigo, operam para caramba, vão agregar valor ao Vasco'. Foi uma indicação do próprio Campello. Quando eu pedi para que eles emitissem a nota fiscal pela empresa deles, um dos médicos falou: a gente não pode porque somos sócios do Campello na outra empresa. Quando o Campello, pessoalmente, define que o valor anterior de 55 mil reais vai para 75 mil reais, ali era só juntar as pontas. Mas cada um interpreta do jeito que quiser...", afirmou Celso Monteiro. 

O Esporte Interativo, além do contrato assinado que descreve "para a prestação dos serviços, objeto deste instrumento, o Contratante pagará à Contratada o valor bruto de R$ 75.000,00 mensais até todo o dia 10 do mês subsequente trabalhado, mediante apresentação da Nota Fiscal de Serviço", teve acesso aos valores de três notas fiscais (janeiro, fevereiro e março) de pagamentos em valores líquidos, e a quantia apresentada foi a seguinte: 

Mês ​Valor líquido 
​ 
Janeiro (pago no dia 10/04) ​R$ 21.116,25 
​Fevereiro (pago no dia 20/04) ​R$ 70.387,50 
​Março (pago no dia 25/04) ​R$ 70.387,50 

Celso Monteiro, ex-VP médico, assumiu sua pasta no dia 23 de janeiro. Ele garante que o custo total do departamento naquele momento, juntando base e profissional, girava em torno de R$ 64 mil. Ou seja: só os três novos médicos do clube ganhavam mais do que todo o DM. Pior: segundo o ex-dirigente e a apuração do Esporte Interativo, Carlos Fontes, Marcos Teixeira e Rodrigo Furtado não trabalharam nenhum dia do mês de janeiro, já que o contrato era válido a partir do dia primeiro de fevereiro de 2018. Entretanto mesmo assim eles receberam, conforme os valores acima da nota mostram e Monteiro declarou. 

"Em relação ao valor de janeiro, é uma história de um pro rata (divisão de receita) que na verdade ele (Campello) criou. Foi pago aos médicos um valor de 21 mil reais. E, na verdade, esse valor é um pouco maior porque os 21 mil reais, que são líquidos. De um pro rata que os médicos ainda não estavam trabalhando porque, no contrato, eles só começariam a trabalhar em fevereiro. Eu não sei porquê cargas d'água o presidente quis pagar os caras em janeiro, quando eles não trabalharam. Mas eles só começaram a trabalhar em fevereiro. O Albino foi demitido no dia 31 de janeiro. O Rafael só no começo de fevereiro. Eu não poderia colocar médico em um lugar ocupado. Tanto é que de todos esses, o único que ficou foi o ortopedista Vitor Baitelli. Há uma discrepância de valores. Valores absurdos. Hoje o Baitelli, junto com os médicos da base, ganham menos do que só os três juntos". 

MOTIVOS DE CAMPELLO 

Segundo apurou o EI, Alexandre Campello alegou que Marcos Teixeira, Rodrigo Furtado e Carlos Fontes eram médicos mais qualificados e poderiam, por exemplo, operar os jogadores em casos que fossem necessários as cirurgias. Por isso o custo elevado valeria a pena, já que não seria preciso pagar médicos externos para fazer os procedimentos nos jogadores do clube. 

Apesar disso, duas lesões aconteceram com atletas do Vasco em 2018, já no período em que a nova equipe médica estava trabalhando, e profissionais que não são do clube fizeram os procedimentos também. Veja: 

PAULINHO - 07/04/18 

Cirurgia feita pelo médico Márcio Schiefer, que foi acompanhada pelos doutores do Vasco, Marcos Teixeira, Rodrigo Furtado e Carlos Fontes. Rickson Moraes, que também operou Rildo, participou. 

RILDO - 06/05/18 

Cirurgia foi feita pelo médico Rickson Moraes, especialista em ombros, acompanhada pelos doutores do Vasco Marcos Teixeira, Rodrigo Furtado e Carlos Fontes. 

O Esporte Interativo entrou em contato com o presidente Alexandre Campello, que explicou os fatos citados na matéria acima através de uma nota oficial: 

1) Os médicos Marcos Teixeira, Carlos Fontes e Rodrigo Mendonça foram contratados por Celso Monteiro, então Vice-presidente do Departamento Médico e irmão de Roberto Monteiro, presidente do grupo político Identidade Vasco, e recebem valores compatíveis com o mercado e à dedicação e tempo dispensados ao clube, inclusive com honorários cirúrgicos incluídos no contrato; 

2) Ou seja, as cirurgias realizadas por estes não são cobradas separadamente; 

3) Com isso, os jogadores do Vasco voltaram a ser operados por médicos do clube, e não mais em São Paulo, como acontecia anteriormente; 

4) Os três são profissionais de grande destaque no meio médico, inclusive membros da comissão de ensino e treinamento da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Além disso, já haviam sido médicos do Vasco da Gama em uma gestão anterior; 

5) A insistência em divulgar essas acusações estapafúrdias e mentirosas, que já haviam sido levadas ao Conselho Deliberativo do Clube e por este desprezadas, refletem o inconformismo de alguns membros do grupo Identidade Vasco que, frustrados com a perda de espaço na administração (por eles provocada) e com a ameaça ao seu projeto de poder, vêm continuamente praticando atos de sabotagem à gestão séria e consciente que vem sendo praticada no Vasco, como essa recente tentativa de tomada de poder à base da força e da intimidação. 
 

Fonte: Esporte Interativo

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