Com pouco mais de dois meses à frente do cargo, Renato Gaúcho recebeu as primeiras vaias do torcedor do Vasco e foi bastante xingado no 3 a 0 para o Bragantino. O duelo que poderia deixar o time próximo à zona de classificação para a Libertadores serviu para o oposto: agora, a equipe está em 16º lugar, com apenas dois pontos de distância para o primeiro time no Z-4.
O cenário é de ebulição para os dois jogos restantes em São Januário antes da pausa no calendário para a Copa do Mundo. Para além da resposta aos xingamentos com gesto irônico, Renato viu a paciência da arquibancada deteriorar-se com a pior sequência de resultados do Vasco na temporada. São três derrotas consecutivas - quatro jogos sem vencer na temporada.
São 12 gols sofridos pelo Vasco nas quatro últimas partidas, e as falhas defensivas assolaram a equipe no período. Contra o Paysandu, primeiro jogo da sequência sem vitórias, Saldivia foi responsável por um gol contra que deu o empate ao adversário e deixou o início do segundo tempo nervoso antes da classificação vascaína às oitavas de final da Copa do Brasil.
Renato Gaúcho enfrenta uma dor de cabeça para formar a zaga titular do Vasco. Saldivia e Cuesta acumulam atuações ruins em sequência e não conseguem se firmar na defesa para formar dupla ao lado de Robert Renan.
Cuesta, por exemplo, teve participação direta na goleada sofrida por 4 a 1 para o Internacional, falhou no tempo de bola no primeiro gol de Carbonero e ainda foi expulso no fim do jogo. Ele recebeu a pior nota (0,5) de um jogador do Vasco na atual temporada nas atuações do ge.
Saldivia retornou ao time titular contra o Bragantino depois de Cuesta precisar cumprir suspensão e acumulou erros cruciais nos gols da derrota acachapante em São Januário. O mais gritante aconteceu no terceiro gol, quando recuou a bola muito mal para Léo Jardim, que acabou antecipado por Fernando fechar o placar.
Mesmo com o duro revés, há respaldo no trabalho do treinador. A direção não tem intenção de mudança no comando técnico. Internamente, a avaliação é de que o saldo de Renato é positivo e que os erros individuais de alguns jogadores pesaram para as derrotas.
Um dos resultados na sequência negativa foi construído com os reservas, diante do Olimpia, pela Sul-Americana. No entanto, a escolha rendeu críticas por parte da torcida pelo peso de uma possível vitória no Paraguai. O duelo era um confronto direto pela liderança do Grupo G. Caso vencesse, o Vasco se classificaria de forma antecipada às oitavas finais e daria alívio a três datas no calendário.
Com a derrota, o Vasco precisa de uma combinação de resultados na última rodada para garantir o primeiro lugar e tem chances de ficar fora até dos playoffs. Na competição, só o primeiro colocado avança direto para as oitavas. O segundo disputará o playoff contra um time que ficar em terceiro lugar em um grupo da Conmebol Libertadores.
As datas do playoff da Sul-Americana estão previstas para os dias 22 e 29 de julho, logo após o término da Copa do Mundo. Esses dias batem de frente com os compromissos, respectivamente, da 19ª e 20ª rodadas do Campeonato Brasileiro. Se estiver no play-off, o Vasco faria os jogos atrasados do Brasileirão na Data Fifa de setembro. Ou seja, a equipe perderia dez dias sem compromissos para fazer jogos pendentes.
Alguns jogadores considerados titulares já não haviam viajado na goleada sofrida para o Internacional, como Thiago Mendes, Rojas, Spinelli e Adson. Mesmo assim, praticamente todos os titulares foram preservados da viagem para o Paraguai. O argumento do técnico para preservar os titulares era o foco no Brasileirão, o que aumentou a pressão por um resultado positivo contra o Bragantino. O planejamento para o jogo contra o Olimpia dividiu opiniões da cúpula vascaína.
O treinador recebeu os primeiros xingamentos dos torcedores, logo após o Bragantino marcar o terceiro gol no domingo. A revolta aumentou quando Renato se virou para a arquibancada com gesticulações apontando para si em tom de ironia após as críticas (veja no vídeo acima). Na sequência, torcedores arremessaram copos na direção do técnico.
Depois do incidente, Renato se recolheu ao banco de reservas. Coube ao auxiliar Alexandre Mendes ficar na área técnica para orientar o time. Ao perceber que o treinador não voltou à área técnica, a torcida o chamou em coro de "covarde". Com o fim do jogo, Renato voltou a ser xingado enquanto caminhava em direção ao vestiário e fez sinal de positivo para a arquibancada.
O treinador não foi à entrevista coletiva depois da derrota, em decisão conjunta entre diretoria e jogadores. O torcedor permaneceu sem explicações e, nesta segunda-feira, as organizadas foram ao CT para cobrar os atletas.
O cenário, agora, é de crise instaurada. O Vasco volta a campo nesta quarta-feira contra o Barracas Central, pela última rodada da fase de grupos, com a necessidade da vitória - não só para buscar a classificação na Sul-Americana, mas sobretudo para dar uma resposta imediata e aliviar a pressão para Renato e para os jogadores.
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