MUV contesta versão apresentada por Eurico na Justiça

24/02/2006 às 13h36 - POLÍTICA

O presidente do Vasco, Eurico Miranda, e o supervisor do clube, Nilson Gonçalves, foram interrogados ontem à tarde na 4ª Vara Federal Criminal, no Centro, em audiência do processo movido pelo Ministério Público Federal por crime contra a ordem tributária. A ação penal aberta em 2003 tem base no relatório final da CPI do Futebol.

Na saída do prédio da Justiça Federal, o dirigente foi irônico ao ser perguntado se confiava na absolvição:

- E eu lá sou algum criminoso para estar preocupado com minha absolvição?

Eurico chegou ao prédio da Justiça Federal às 13h40m, acompanhado de advogados e escoltado por um carro com seguranças. Por determinação do juiz Flávio Oliveira Lucas, titular da 4ª Vara, a audiência não foi aberta à imprensa. O depoimento do dirigente durou duas horas e meia e antecedeu o de Nilson Gonçalves. Terceiro réu no processo 2003 5101 50 56581, o ex-funcionário do Vasco Aremithas José de Lima não compareceu à audiência, amparado por um hábeas-corpus do Superior Tribunal de Justiça. De acordo com as investigações da CPI, Nilson e Aremithas atuariam como laranjas de Eurico.

Edmundo Silva também terá de depor na Justiça

Eurico deixou a sala de audiências às 17h, junto com o advogado e um assessor. Enquanto Nilson Gonçalves era interrogado, ele aguardava num mezanino, fumando charuto e falando ao celular. Quarenta minutos depois, Nilson deixou o tribunal sem dar entrevistas. O presidente do Vasco saiu logo em seguida, aparentando tranqüilidade:

- Por que não deixaram vocês entrarem na audiência? - indagou aos jornalistas que o aguardavam.

- É uma pena. Foi ótimo. Para mim, está sempre muito tranqüilo.

Em sua decisão de ontem, o magistrado da 4ª Vara Federal Criminal estabelece o prazo de três dias para a defesa prévia dos réus e marca uma nova audiência para dia 3 de abril, na qual serão ouvidas as testemunhas de acusação. Numa das audiências do processo, em fevereiro de 2004, o juiz Flávio Lucas chegou a decretar a prisão preventiva de Eurico, Aremithas e Nilson, que faltaram ao interrogatório. Mas o mandado de prisão foi recolhido no dia seguinte.

Dois integrantes do Movimento Unido Vascaíno, de oposição ao dirigente, acompanharam a audiência. De acordo com o presidente do MUV, José Henrique Coelho, um dos presentes à sessão, Eurico teria negado na 4ª Vara Federal o envio de dinheiro do Vasco ao exterior. A oposição, no entanto, afirma ter documentos que comprovariam a remessa de cerca de R$ 12 milhões para uma conta em Bahamas.

Outro dirigente que terá de comparecer à Justiça é o ex-presidente do Flamengo Edmundo Santos Silva. Por decisão da juíza Leila Santos, da 14 Vara Cível, ele terá de esclarecer o destino do contrato com a ISL, firmado em 1999.

Fonte: O Globo