MUV denuncia que empresa que fez reavaliação patrimonial é a mesma que audit

07/05/2008 às 08h37 - POLÍTICA

O presidente do MUV (Movimento Unido Vascaíno), José Henrique Coelho, fala sobre o balanço do Vasco.

"O balanço mostra se o dinheiro que entra e sai está compatível. O Vasco vem dando prejuízo no futebol há oito anos seguidos praticamente, se você for fazer uma média. Não adianta ter lucro em um ano e no ano seguinte um prejuízo maior do que o lucro do ano anterior. O discurso do presidente [Eurico Miranda] é manter o nosso estádio bem pintado. Pelo menos isso ele tem feito direito, graças a um benemérito do clube, que é praticamente o principal patrocinador dessa operação. Ele tem uma empresa na área de materiais de construção e, como benemérito e vascaíno roxo, participa, e muito, da manutenção do clube. Em conversa recente com ele, falou que troca cano, manda torneira, o pessoal fazer a obra. É uma coisa que ele já cuida, independente do vice-presidente de patrimônio [José Joaquim Cardoso Lima] que está lá. Temos um vice de carteirinha e um que faz funcionar. Como não tenho autorização, não vou citar o nome dele para não deixá-lo chateado e arranjar alguma encrenca com a diretoria. Esse é um fato do que a gente vê", disse ao programa "Só dá Vasco", veiculado na Rádio Bandeirantes.

"O balanço do Vasco, ao final das suas contas, apresenta um patrimônio líquido de R$ 24,9 milhões no exercício de 2007. Se o clube fosse vendido, tudo liquidado, sobrariam R$ 25 milhões do Vasco, que teria vendido tudo, pago todas as suas dívidas. A gente alerta que isso é uma enorme mentira. Essa diretoria se especializou em fraudar eleições e também balanços agora. A especialidade mais recente é fraudar balanços. Por que não tem mais R$ 25 milhões se vendesse tudo? Primeiro, o clube foi obrigado, nos últimos três anos, a fazer duas reavaliações de patrimônio. O Vasco tem um patrimônio grande, em metragem e até quantidade. Em 2004, quando foi obrigado a baixar do balanço um dado contábil, que era o valor antigo dos passes dos jogadores de futebol, que eram R$ 53 milhões, ele ia causar um prejuízo monstruoso no balanço porque aquilo não existia mais, a Lei Pelé extinguiu o direito do passe. Ele tinha que tirar aquilo do balanço e resolveu fazer uma atualização do patrimônio, que era até necessário, porque era muito baixo, R$ 23 milhões. Coincidentemente, ele fez no mesmo valor da baixa. Aumentou o patrimônio em R$ 54 milhões e zerou aquele problema. Em 2004, o Vasco fez uma reavaliação de patrimônio e levou o nosso, imobilizado, para R$ 77 milhões. Ao longo desses outros três anos, os prejuízos foram se acumulando, de modo que ele ficou em uma situação de sinuca de bico e teve que arranjar uma situação contábil para enganar esses problemas".

"Ele contratou uma nova reavaliação patrimonial. Vou dar essa informação em primeira mão, que chegou hoje ao meu conhecimento. Quem é a empresa que faz a reavaliação patrimonial deste último balanço? Lopes e Associados, é o nome que está lá no balanço inserido. Curiosamente, em um enorme conflito de interesse, os donos da Lopes e Associados são os da empresa de auditoria do balanço do Vasco. É curioso. No mesmo endereço e os mesmos donos. O cara que vai auditar e dar o parecer do balanço é o mesmo que presta o serviço de reavaliação patrimonial, que é necessário e fundamental para o patrimônio não ficar negativo. Ele analisa e dá a solução. Se a gente reavaliar em mais R$ 24 milhões, o saldo vai ficar positivo em R$ 24 milhões e paga-se o serviço".

"Não sou especialista no assunto, temos no grupo uma pessoa que é técnica nessa área e está analisando isso ao pormenor, mas posso dar uma informação clara e que talvez atenda a todo mundo. Existe em um processo de cobrança de PIS e COFINS que o Vasco não pagava há muitos anos, uma reavaliação recente, mais inclusive do aquela feita em 2004 - isso foi feito em 2005 -, pela Justiça Federal, que mandou um perito da área Federal ir avaliar o patrimônio do Vasco, notadamente, o parque de São Januário, que estava em conta para a penhora e execução de penhora em leilão, notícia que posteriormente foi dada há tempos atrás. A Justiça Federal entendeu que o parque de São Januário valeria R$ 45 milhões. Vamos somar mais alguns milhões pela Lagoa, pelo Calabouço, e nunca chegar a R$ 77 milhões. Existe uma avaliação, em parte, isenta, feita pela Justiça Federal, que serve como um parâmetro. Não foi feita por A ou B, foi pela Justiça. Com um erro para aqui ou acolá, 45 para 77 já é uma diferença grande. Isso, faltando pouco, aumentaram em 24 esse ano".

Fonte: Vasco Expresso