O cenário atual do Vasco pode não ser dos mais animadores: é um clube que tem como prioridade cortar gastos — e isso é afirmado de forma pública — e que não vai disputar a próxima Conmebol Libertadores. Mesmo assim, consegue se reforçar com atletas considerados promissores. Quase todos contam com um fator em comum: Fernando Diniz.
A influência do treinador e a forma como ele encara o dia a dia foram, mais uma vez, importantes para o clube fechar uma contratação. A ação do técnico em conversas com Alan Saldivia foram fundamentais para o zagueiro uruguaio aceitar atuar no clube.
Diniz indicou a contratação do zagueiro, com quem jogou contra quando comandava o Fluminense. Mais do que isso, ligou e falou diretamente com o atleta por dias seguidos enquanto as diretorias de Vasco e Colo-Colo negociavam em busca de um desfecho. Não deu outra: o desejo de Saldivia virou defender o time carioca.
— Uma coisa que é relacionada à minha pessoa e se espalha aos jogadores é a maneira como eu toco meu trabalho. Tenho uma característica peculiar de ter o foco no jogador e no torcedor, de fazer essa junção. Mas eu só posso atingir os jogadores melhorando os jogadores. Aqui no Brasil todo mundo se fala, e isso é verdadeiro. Minha intenção de desenvolver atrelado a como a equipe joga... Eu joguei contra o Saldivia às vezes no Colo-Colo, ele me acompanhou na Libertadores e viu que se encaixa aqui. Foi uma conversa facilitada - explicou Diniz.
O papel do treinador do Vasco na janela não é só indicar. As conversas vão com jogadores que vão de alvos concretos até atletas que são considerados interessantes, mas o clube não evoluiu para o campo formal por muitos motivos.
Formado em psicologia, buscar a relação com a pessoa além do jogador é algo comum na vida do treinador.
— O que eu falo para os jogadores é o que eu digo para vocês (jornalistas), meus filhos, o que eu falo no público, particular... Minha intenção é muito verdadeira. Eu tenho uma intenção de melhorar o Saldivia e o Rojas, como eu fiz com Rayan e Coutinho, e acho que isso cativa - completou o técnico.
O treinador repete a mesma dose com Brenner, principal desejo do Vasco para reforçar o ataque, e é possível dizer que a presença de Diniz é um dos motivos para a negociação ter chance de ser concretizada.
Diniz e o atacante já conversaram por telefone, pelo menos, duas vezes para falar sobre uma possível mudança para o clube carioca. Além de futebol, temas como encaixe no time e até família e adaptação no Rio de Janeiro foram abordados.
— Embora o Vasco não viva seu melhor momento histórico, o Vasco é o Vasco. O Vasco tem uma história gigantesca, uma torcida fabulosa e nós por muito pouco não vencemos a Copa do Brasil. Somos um time em ascensão. Ainda foi pouco para o Vasco, mas a última temporada já foi de ascensão em termos de perspectiva, do torcedor acreditar mais no time, de desejar com mais fé em alcançar lugares maiores... Nesse combo todo, acho que o Vasco é um espaço que vai, aos poucos, sendo mais atrativo aos jogadores - finalizou.
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