Opinião: Jornalista analisa VAR no jogo do Ceará e Vasco

27/10/2019 às 12h13 - IMPRENSA

O VAR tem um objetivo claro no futebol: elucidar fatos e acontecimento que, a olho nu, em tempo real, nós não conseguimos enxergar. Principalmente em lances objetivos, como de impedimento. Na prática, porém, não tem sido algo simples de ser alcançado.

Mesmo com toda a tecnologia, no Brasil, o árbitro de vídeo segue deixando dúvidas para trás. Sem clareza nas imagens, coloca em cheque a própria credibilidade. Mais pela forma como vem sendo conduzido do que pela sua existência, realmente necessária.

No duelo entre Ceará e Vasco, neste sábado, por exemplo, uma das linhas é traçada no pé do zagueiro Leandro Castan. Essa parte do corpo do atleta, no entanto, não aparece na imagem. Ou seja, não é possível mostrar ao público com precisão onde realmente está o membro do jogador que daria condição a Bergson para marcar.

Num lance milimétrico, centímetros fazem a diferença.

Outro questionamento no lance é a origem da batida inicial. A velocidade do movimento do chute faz com que se torne praticamente impossível determinar quando acontece precisamente o toque na bola. Na imagem divulgada, a redonda parece já estar saindo do pé do jogador do Ceará. Seria realmente aquele o primeiro contato? No frame anterior, como estavam as posições de Castan e Bergson? Não saberemos.

A fração de segundo numa mudança de recorte, com jogadores se movimentando para lados distintos, pode significar uma diferença grande na hora de tracejar as linhas. E quem define o frame a ser utilizado, o instante a ser analisado, é o árbitro da cabine, não a tecnologia.

Esse tipo de lance, portanto, deveria ser considerado inconclusivo e mantida a decisão de campo. Não foi o que ocorreu.

Pode ser que o VAR tenha acertado ao validar o gol cearense e outros discutíveis do campeonato - assim como nas anulações -, mas ao não conseguir demonstrar isso de forma clara e inquestionável para o público, perde uma de suas funções mais básicas, que é encerrar com as dúvidas.

É como diz o velho provérbio: "A mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta". O VAR, idem.

Fonte: Coluna do Garone - O Dia