Futebol

Opinião: Não se justifica usar Maracanã para maioria dos clássicos

O regulamento do Estadual do Rio prevê que todos os clássicos, semifinais e finais sejam disputados no Maracanã. É um tentativa de dar uma grandiosidade e relevância ao campeonato que este não tem mais. Basta verificar os públicos durante a competição. Só se justificaria jogar as finais ali, e uma ou outra partida.

Não é à toa que Botafogo e Vasco já cogitam jogar no Engenhão a final da Taça Rio, esse jogo inútil sob qualquer ponto de vista para o campeonato. E deveria se procurar alternativas para quase todos.

Nas semifinais, o time da Estrela Solitária e o Fluminense levaram apenas 7.309 pessoas ao Engenhão, no domingo, enquanto rubro-negros e vascaínos tiveram 21.895 pagantes no seu jogo. Em média, as duas partidas não atingiram nem 15 mil.

O Maracanã é um estádio caro. Em condições normais, só se justifica abri-lo pelo seu custo com públicos entre 30 mil e 40 mil pelo menos. Ou seja, valeria a pena para os jogos de Botafogo e Flamengo na Libertadores, ou do Fluminense na Sul-Americana, que têm apresentado público acima deste patamar porque são competições importantes.

Nenhum clássico do Estadual até agora ultrapassou a marca de 30 mil, sendo o melhor deles o Fla-Flu da final da Taça Guanabara, com 29.905, no Engenhão. É provável que no Maracanã o público fosse um pouco melhor.

Se em condições normais o Maracanã já é muito caro, os preços cobrados pela Odebrecht neste período de transição do estádio tornam ainda mais inviável utiliza-lo. Foram aluguéis nos patamares de 400 mil a R$ 500 mil, fora os custos. Ainda não está disponível o borderô de Vasco e Flamengo, mas, se houver lucro, será bem pequeno.

Sob esse ponto de vista, só as finais do Estadual do Rio justificariam de fato a abertura do estádio. É possível que uma semifinal atinja este público, mas não há certeza.

Ao impor o Maracanã, a Ferj tenta, mais uma vez, maquiar a realidade como faz com os borderôs dos jogos em que coloca a cota de televisão para disfarçar prejuízos seguidos em bilheterias dos jogos. É possível fazer isso em um papel no regulamento, mas a arquibancada não mente.

PS: Não comentarei aqui a classificação de Botafogo e Vasco à final da Taça pela inutilidade deste turno. A única observação é que a arbitragem do Estadual cometeu mais um erro bizarro com a validação do gol do botafoguense Dudu em um impedimento tão acintoso que até uma criança seria capaz de marcar.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL Esportes
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