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Opinião: "O Vasco é grande demais para se limitar a sobreviver"

Por virtudes e defeitos de seu confuso ambiente político, o Vasco começa 2021 diante de uma oportunidade rara. O clube escapou de uma perigosa aventura populista e nos próximos anos será tocado por pessoas que parecem dispostas a sacrificar vaidades e projetos pessoais em nome da reconstrução de uma instituição fundamental para o futebol brasileiro. Fazer dar certo só depende delas. Não é aceitável que o Vasco, dono de uma das cinco maiores torcidas do país, tenha faturamento menor do que o de 11 clubes. Em outros tempos esse fato teria menos importância, mas hoje reduz o horizonte a lutar para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro e fazer figuração em outras competições. É ridículo. O Vasco é grande demais para se limitar a sobreviver.

Não se trata de refundar o clube, mas de devolvê-lo a uma posição de protagonismo de onde nunca deveria ter saído. É curioso, complexo como o próprio Vasco, que essa caminhada comece pela contratação de Vanderlei Luxemburgo, um veterano que seria rejeitado por muitas outras torcidas do Brasil, mas que conseguiu estabelecer uma relação especial com os vascaínos a partir do bom trabalho de 2019. Assim como fez naquele ano, quando foi resgatado de um período de quase dois anos desempregado, Luxa usou as palavras certas ao aceitar a missão de tirar o Vasco da zona de rebaixamento. “Não entendo como um convite, mas como uma convocação”. Como brincou o jornalista Gustavo Mehl sobre o técnico ser assumidamente torcedor do Flamengo: “Ele é Vasco, só não tem mais idade para admitir”.

Estar na Série A em 2021 é fundamental para o resgate do Vasco. Na avaliação de quem vai participar diretamente das tomadas de decisão, o clube vai precisar de dois ou três anos de austeridade e sacrifício para voltar a competir nacionalmente, algo que o Vasco deixou de fazer há muito tempo. O último título relevante foi a Copa do Brasil de 2011. De acordo com o termômetro imperfeito das redes sociais, a arquibancada parece disposta a suportar o sacrifício. Convenhamos: já tem aguentado demais nos últimos anos — de times sofríveis a dificuldades para comprar uma camisa oficial — em troca de muito pouco. Deixando claro que esta é uma conversa sobre futebol: nunca tanta gente foi tão maltratada por tanto tempo.

Em linhas gerais, guardadas as devidas diferenças, foi a receita que levou Grêmio e Flamengo de volta ao topo do continente. Num cenário poluído como é o futebol brasileiro, quem paga o que deve e gasta menos do que arrecada se transforma em destino de investimento e patrocínio, e consegue atrair bons profissionais para o que importa a mais gente: o futebol. As metas traçadas pela equipe do presidente eleito Jorge Salgado são tão ousadas quanto factíveis. Hoje o Vasco revela muito e vende mal — é possível mudar essa equação. Também é plausível dobrar a arrecadação em três anos e é obrigatório transformar essa quantidade enorme de apaixonados em consumidores fiéis.

A força popular que emana do Vasco pode ser imparável, mas não pode ser abandonada à própria sorte por tanto tempo. Finalmente parece haver gente disposta a jogar junto.

Fonte: Agência O Globo
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