Futebol

OPINIÃO: Romário "café-com-leite"

Romário, quem diria, virou \"café-com-leite\". Talvez os leitores mais jovens desconheçam essa expressão. Antigamente, nos jogos infantis, ela se referia a alguém que tinha privilégios especiais na hora da brincadeira, por ser menor, mais fraco ou apresentar alguma deficiência que o impedia de competir \"a sério\".
Pois bem. Aquele que foi o atacante mais temido da sua geração, em todo o mundo, hoje é \"café-com-leite\".

Com o objetivo de levar Romário a atingir artificialmente sua meta de marcar mil gols, o Vasco vem fazendo amistosos contra times como o Duque de Caxias e o Rio Branco.

Os zagueiros e, principalmente, os goleiros dessas equipes têm geralmente o \"physique du rôle\" adequado aos jogos recreativos entre casados e solteiros de alguma firma ou colônia de férias.
E a disposição deles para ajudar chega a ser comovente. Só não colocam pessoalmente a bola para dentro porque desse modo o gol não seria computado para o artilheiro. Se bem que, conversando direitinho com o juiz, quem sabe.

No time de futebol soçaite em que jogo semanalmente, um gaiato chegou a comentar: \"Vamos treinar, pessoal, que numa dessas o Vasco marca um amistoso contra a gente. Só que o goleiro tem que ser o Ray-o-vac\". (Assim chamado porque, de camisa amarela, fica igualzinho à pilha do mesmo nome, das grandes.)

Seria cômico se não fosse melancólico. Um jogador fabuloso como Romário -por que terminar a carreira desse modo ridículo? Para atingir uma marca de mentirinha, que ninguém vai levar a sério?
Um dos grandes entusiastas, se não o inventor, desse burlesco empurrão no craque rumo ao milésimo é o presidente do Vasco, Eurico Miranda. Faz sentido: o famigerado cartola é mestre na arte do faz-de-conta. Certamente vai usar a marca dos mil gols de Romário na sua próxima campanha eleitoral, no clube ou, o que é pior, no Legislativo.

Há quem diga também que os inflados mil gols do artilheiro seriam um trunfo a mais para promover mundo afora o documentário sobre ele que está em preparação.

Parece coisa de criança. Nos países árabes, conta-se que, até bem pouco tempo atrás, os príncipes, que dominam o futebol como se fosse seu brinquedinho particular, gostavam tanto de ver gols que impediam os goleiros de serem adequadamente treinados. O placar dos jogos parecia de pelada de rua.

É evidente que essa profusão de gols \"de mentirinha\" não comove quem ama de fato o futebol e sabe como ele funciona.

Os números são vazios se não houver uma verdade humana por trás deles.

Nunca foi tão oportuno o que Carlos Drummond de Andrade escreveu numa crônica (cito de memória, certamente a construção era mais bonita): \"O difícil não é fazer mil gols, como Pelé. O difícil é fazer um gol como Pelé\".

Alguém devia dizer isso ao Romário, enquanto é tempo.

Fonte: José Geraldo Couto - Folha SP
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