Opinião: Alex Dias traiu e foi traído no Vasco

30/01/2006 às 19h03 - IMPRENSA

Grafite pleiteou aumento de salário e arrancou 100% da diretoria do São Paulo. Mesmo assim, entrou em campo contra o Juventus sabendo que não ficaria. Na calada do expediente, seu empresário depositava em juízo a multa rescisória. Foi para o Le Mans, da França. Grafite traiu.

Amoroso pediu os tubos, o São Paulo topou pagar. Ele aceitou ficar. Quando só faltava assinar, apareceu o Milan. E levou o jogador. Amoroso traiu.

Enquanto Alex Dias treinava em São Januário, negociava seu contrato com o São Paulo. Preparava o rompimento do vínculo com o Vasco na Justiça, devido a FGTS e salários atrasados. Alex se sentia traído pelo clube e decidiu traí-lo de volta. Mas foi traído por alguém, que informou a trama ao presidente do Vasco, Eurico Miranda. Ele depositou os atrasados e Alex ficou.

O futebol virou o império da traição. Ninguém fica mais tanto tempo em um clube. Um ano, dois no máximo. Nem precisa haver acordo quanto a negociações. Existe um contrato? Bem, dá-se um jeito de quebrar. Existe uma multa? Bem, acha-se uma maneira de não pagar, ou protelar, ou deixar que as teias da justiça apodreçam as ações.

Não estamos aqui defendendo os clubes e execrando os jogadores. Na outra ponta da linha, a coisa ocorre da mesma forma. Quando é de interesse do clube, ele despacha o jogador na primeira oportunidade para ganhar um dinheirinho. Negocia o atleta com outro clube antes e força sua saída depois.

Fica até ridículo falarmos em \"amor à camisa\". Casos como os de Marcos, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no São Paulo, são exceções raríssimas. Não por acaso, também, eles são goleiros; ou seja: têm um mercado mais restrito no exterior. Se Marcos fosse zagueiro, estaria na Alemanha. Pode apostar. Se Rogério Ceni fosse atacante, jogaria na Espanha. Pode apostar.

Por tudo isso, no futebol de hoje, ame e respeite apenas a camisa de seu time. Esqueça os jogadores - e, lógico, os dirigentes. Eles passam. O manto fica.

Arnaldo Ribeiro e Maurício Barros

Fonte: Placar