Opinião: Eurico tenta se perpetuar no poder à custa de atos truculentos

22/08/2007 às 17h49 - IMPRENSA

Em homenagem ao aniversário de 109 anos do Clube de Regatas Vasco da Gama recomendo leitura do discurso proferido, há exatamente dois anos, pelo cônsul português Paulo Gama, pertencente à 14ª geração do navegador lusitano.

Talvez, assim, num breve momento de reflexão, os fanáticos e aqueles que sofrem da síndrome da perseguição possam entender porque tanto se combate a figura de um homem que, traindo os ideais democráticos da instituição, tenta se perpetuar no poder à custa de manobras ardilosas e atos truculentos.

A este, a seu séqüito, a todos aqueles que se engalfinham nas bancadas políticas e nas arquibancadas de São Januário e também aos que não terão paciência de ler o discurso na íntegra, deixo, como exercício, as palavras finais do descente do Almirante. Antes, porém, me junto aos que torcem por um Vasco da Gama mais digno de suas tradições, dentro e fora dos campos esportivos, e abro a tribuna para aqueles que quiserem deixar no blog sua mensagem de apreço a este glorioso clube.

Como é que um clube, com orgulho nas suas origens e pergaminhos portugueses, foi capaz de, mantendo essa identidade, se tornar um dos maiores do Brasil e do Mundo?

Talvez porque sempre foi unido e se bateu por um ideal, fazendo dessa coesão o alicerce de toda a sua sustentação. Talvez porque foi capaz de abrir as suas portas e o seu espírito a outros que, identificados com os mesmos ideais, se tornassem nossos irmãos e parceiros de todas estas conquistas. Talvez porque soube lutar contra as adversidades e foram estas que lhe deram a força para seguir em frente.

Todas estas teorias estarão certas. Eu, todavia, no fundo da minha Alma quero continuar a acreditar: conseguimos estas vitórias porque somos um Povo Eleito e, nas alturas que verdadeiramente interessam, nas épocas verdadeiramente importantes, quando se exige que nos levantemos, não somos mais indivíduos soltos e dispersos no Mundo, somos uma força que não existe igual no Mundo.

Na poesia \"O Monstrengo\" de Fernando Pessoa, o homem do leme personifica esta força. Embora aterrado perante a visão de um monstro, embora tremendo fruto da pressão a que estava sujeito, algo o segurou, alguma força fez com que se seguisse em frente:

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
\"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o monstrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!\"

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