Opinião: Roth só sobrevive por falta de opção no mercado

26/07/2007 às 14h58 - IMPRENSA

Burroth?

O medo de vencer tira a vontade de perder. Esta é uma frase que ouvi recentemente e que se adequa muito bem a certos treinadores brasileiros, como Nelson Rodrigues do Sub-20, Dunga, Wagner Benazzi, Estevão Soares, Carlos Alberto Parreira e, principalmente, Celso Roth.

O rótulo de retranqueiro acompanhou Roth por todos os clubes nos quais passou. Entretanto, o trabalho que fez no Botafogo tirou um pouco essa impressão. Com três meses de Vasco, Roth fez com sua reputação o mesmo que faz com seus times: retrocedeu, recuou, encolheu-se.

Senão, vejamos. O Vasco-2006 de Renato Gaúcho perdia muitos pontos em casa e teve a segunda melhor campanha como visitante do Brasileirão, exatamente porque jogava com muita velocidade e era extremamente ofensivo. Em casa, oferecia o contra-ataque aos adversários. Fora, aproveitava estes contra-ataques.

O Vasco de Roth é o melhor mandante do BR-07 porque abafa o adversário - e tem qualidade para isso. Tem, também, qualidade para jogar fora de casa, como mostrou ontem nos vinte minutos iniciais. Entretanto, Roth prefere recuar o time aos 25 do primeiro tempo com uma falsa sensação de segurança a marcar o terceiro e o quarto gols.

Celo Roth tentou corrigir o problema mais antigo do time do Vasco: arrumar a defesa. Ainda não conseguiu, e o pior: aos poucos vai minando o ataque, único setor que funcionava. Roth é daqueles técnicos que sobrevivem graças à falta de opções no mercado. E que fazem sobreviver o anti-futebol, o menos é mais, o jogar sem a bola. É daqueles técnicos que não podem sobreviver no futebol brasileiro, ou o futebol brasileiro não vai sobreviver.

Fonte: Blog Jornalismo Esporte Clube - Maurício Vargas