Pai de menino morto em incêndio no Ninho do Urubu defende goleiro Cadu

13/10/2019 às 08h29 - CLUBE
Foto: Instagram do jogador Cadu NevesCadu Neves

Cristiano Esmério ficou sabendo da confusão generalizada na Gávea quando as mensagens chegaram ao telefone celular. Jogadores e membros das comissões técnicas de Flamengo e Vasco se enfrentaram depois da partida pelo Campeonato Estadual Sub-17. O estopim foi Cadu, goleiro vascaíno, que disse aos rubro-negros que o clube deveria pagar as indenizações às famílias dos dez garotos mortos no incêndio ocorrido no Ninho do Urubu, em fevereiro deste ano.

Cristiano faz parte de uma dessas famílias. Seu filho, Christian Esmério, era goleiro do Flamengo e um dos maiores amigos de Cadu no futebol. Os dois se conheceram ainda novos, jogaram juntos pela seleção brasileira de base, pelo Madureira, pelo próprio Vasco. Segundo ele, Cadu falou a verdade.

- Foi um desabafo do menino, ele disse a realidade. O Flamengo resolveu muitas coisas, está ganhando dentro de campo, mas deixou as famílias para trás. O Cadu mostrou que também está sofrendo. O que ele colocou para fora foi um sentimento puro. Não quis menosprezar ninguém, colocou o que é a verdade.

A proximidade entre os meninos era tanta que os pais de Cadu foram ao enterro de Christian. Cadu não pode ir porque no dia seguinte ao incêndio viajou com a seleção brasileira sub-15. Esmério também estava convocado e viajaria com o amigo se não fosse a tragédia. De acordo com o Vasco, Cadu foi um dos jogadores que receberam maior atenção dos profissionais da base por causa do episódio no Ninho.

- Conheço os pais dele. Eles sempre torceram pela gente e nós sempre torcemos por ele. Nunca houve uma rivalidade, apesar de serem da mesma posição.

Pedido de desculpas

Depois da confusão, Vasco e Cadu trataram de rapidamente pedir desculpas pelo acontecido. Para Cristiano Esmério, o garoto foi interpretado mal, provavelmente pelo contexto de rivalidade entre Flamengo e Vasco.

Ele é representante de uma das sete famílias que ainda não chegaram a um acordo com o Flamengo. Questionado sobre como caminhava a questão da indenização a ser paga pelo clube rubro-negro, foi lacônico:

- Não sou eu que tenho que procurar o Flamengo. É o clube que precisa se retratar. Mas nenhum dinheiro do mundo trará meu filho de volta.

Confira as situações das negociações com as famílias dos jogadores que morreram:

Arthur - Sem negociação.

Athila - Fechado com o Flamengo.

Bernardo - Em negociação.

Christian - Sem negociação.

Gedinho - Fechado com o Flamengo.

Jorge Eduardo - Sem negociação.

Pablo Henrique - Sem negociação.

Rykelmo mãe - Entrou na Justiça.

Rykelmo pai - Fechado com o Flamengo.

Samuel - Defensoria Pública negocia com o Flamengo.

Vitor Isaías - Fechado com o Flamengo

Fonte: Extra Online