Reuniões para julgar punições e até expulsão de ex-presidentes são marcadas
O presidente do Conselho Deliberativo do Vasco, João Riche, enviou convocação na última sexta-feira para duas reuniões em modalidade exclusivamente virtual para os dias 15 e 22 de outubro. Os encontros servirão para análise de relatórios de casos das administrações dos ex-presidentes Alexandre Campello e Jorge Salgado.
Pelo processo de venda para a 777 Partners, o relatório da Comissão de Inquérito recomenda a expulsão de Jorge Salgado do clube. Antecessor de Pedrinho, Salgado é grande benemérito do clube.
O caso de Salgado será julgado no dia 22 de outubro. Em contato com o ge, o ex-presidente disse já entregou sua defesa à comissão e vai aguardar a reunião.
— Vou respeitar a decisão do Conselho — disse Salgado.
Recentemente, o ex-presidente vascaíno entrou com ação criminal no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro contra todos os sete membros da comissão de inquérito no Vasco por crimes de calúnia e difamação.
Em agosto, o Ministério Público se manifestou por audiência de reconciliação. Salgado recusou. Nova data de audiência está marcada para 5 de outubro. O MP solicitou audiência especial para possível oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal aos membros.
Salgado não foi o único a entrar na Justiça. Os ex-vice-presidentes Adriano Mendes e Zeca Bulhões também entraram com ação e acusam diversas falhas no processo, junto a Carlos (Cadu) Fonseca, ex-presidente do Conselho Deliberativo. Eles se recusaram a ir ao clube na convocação da Comissão.
Outro ex-presidente que será julgado - este no dia 15 de outubro - é Alexandre Campello. O caso do presidente do triênio 2018-2020 remete à extensão de contrato com a Kappa, fornecedora de material esportivo. Campello foi a depoimento na comissão e justificou acordo por cessão de dividendos a categorias de base e dificuldades de encontrar alternativas em meio à pandemia de Covid-19.
A votação dividiu a comissão de inquérito. Houve três votos pela absolvição de Campello, contra dois pela expulsão e mais dois pela suspensão por 6 meses. Procurado pelo ge, Campello lamentou o processo, que considera fruto da política vascaína.
— Só posso lamentar que com tantos problemas graves no clube, questões politicas, pessoais sejam motivo de atenção. Será que o contrato da Nike foi melhor do que o da Kappa? Eles sabem que o país enfrentou uma pandemia e esse era o contexto do momento? — questionou Alexandre Campello.
Punição para ex-líder de chapa
Além de Salgado e Campello, outro nome em que há recomendação de punição é o de Julio Brant. Candidato pelo grupo Sempre Vasco em três das últimas quatro eleições, ele rachou com o grupo político antes da pleito de 2023 vencido por Pedrinho.
O relatório recomenda a exclusão de Brant também no processo de venda da SAF - como parte da comissão que aprovou a venda. Brant renunciou ao Conselho Deliberativo em março do ano passado. Procurado pelo ge, Julio Brant não retomou contato com a reportagem.
As duas comissões de inquérito foram formadas em junho de 2024 e concluíram relatórios nos últimos dias. O julgamento dos relatórios obedece a dois critérios:
- para caso de beneméritos e conselheiros (como Salgado), a votação é pelo Conselho Deliberativo
- para caso apenas de sócios (como Campello e Brant), a decisão é do presidente da diretoria administrativa (Pedrinho)
A reunião do dia 15 analisa dois pontos principais, além do caso da Kappa:
análise sobre o aumento significativo nas contingências trabalhistas do clube a partir de 2020 – por este ponto, Campello foi absolvido, mas Adriano Mendes e Paulo Reis (ex-vice-presidente jurídico e benemérito do clube que prestava serviços para a gestão Campello) têm recomendação de suspensão temporária;
análise sobre possíveis irregularidades em contratos com fornecedores – na qual Campello também foi absolvido.
Outros aliados políticos de Salgado também têm recomendação de expulsões e suspensões, como os ex-vice-presidentes Carlos Roberto Osório, Roberto Duque Estrada – como hoje apenas sócios, julgados por Pedrinho - e o ex-presidente da Assembleia Geral e benemérito Otto de Carvalho. Outro benemérito José Carlos Osório também entra na lista de possíveis sanções no Conselho.
O benemérito era um dos 13 membros que participou da comissão que aprovou parecer a venda do futebol do Vasco para a 777.