Ricardo Graça e Gabriel Félix falam sobre ex-presidente Eurico Miranda

13/03/2019 às 20h41 - FUTEBOL

Do atual elenco do Vasco apenas dois jogadores estiveram presentes 
na Capela Nossa Senhora das Vitórias para o velório de Eurico Miranda, . Ricardo Graça e Gabriel Félix foram prestar homenagens ao ex-presidente e apoio aos familiares. Por serem crias de São Januário, ambos possuíam uma grande admiração por Eurico. O goleiro afirmou que o dirigente era um símbolo para os atletas da base.

“O doutor é um símbolo para todos nós que viemos da base. Um símbolo de respeito e admiração. Sempre nos tratou muito bem. Desde novo nos chamava pelo nome. São essas atitutes que vão ficar gravadas na memória”.

Ricardo Graça revelou ter muita gratidão por Eurico Miranda, uma pessoa que era muito querida dentro do clube. O zagueiro contou que se não fosse o ex-presidente, não estaria no Vasco.

“Se perguntar para os funcionários, atletas e ex-atletas, todos só vão falar coisas boas dele. Eu sou até suspeito para falar porque se não fosse por ele e pelo Álvaro (filho de Eurico que trabalhou na base do clube), não estaria no Vasco. Sou muito grato pelo que eles fizeram por mim. Meus sentimentos para a família. Estou aqui por gratidão”.

Ensinamentos de como ser Vasco

O fanatismo pelo Vasco era a marca registrada de Eurico Miranda. Essa forte característica contribuiu muito para que os jogadores das categorias de base criassem identidade com o clube. Gabriel Félix afirmou que aprendeu a ser vascaíno com o ex-presidente, que foi responsável direto em aproximar as crias de São Januário.

“Sem dúvida ele foi o torcedor mais fanático que eu tive a oportunidade de conhecer. Ele passava essa identidade para a gente, tanto que quando ele regressou em 2015, a primeira coisa que ele fez foi tirar a gente do alojamento em Itaguaí e nos trazer de volta para São Januário. Ele dizia que os garotos da base precisavam estar dentro do estádio para conhecer a história do clube e estar próximo do futebol profissional. Então aprendi muito com ele a ser vascaíno”.

Puxões de orelhas

Além dos ensinamentos de como ser Vasco, Eurico Miranda fazia questão de enquadrar os jogadores da base que se sentiam deslumbrados. Ricardo Graça revelou que o ex-presidente não tolerava o uso de brincos e nem o uso de roupas vermelhas e pretas.

“Eu peguei pouco ele nos profissionais, mas ele realmente era vascaíno fanático. Aprendi muito com ele. Não só a ser vascaíno, mas também a manter a postura, não usar brincos, vermelho e preto nem pensar (risos)… Ele sempre deu puxão de orelha em quem estava errado. Graças a Deus eu nunca levei bronca”.

Se Ricardo Graça passou pelas categorias de base sem tomar um puxão de orelhas, Gabriel Félix não pode dizer o mesmo. O goleiro relembrou que o cheiro do charuto entregava a presença do dirigente, o que dava tempo para evitar as broncas. Entretanto nem sempre dava para se safar.

“Quando a gente sentia o cheiro do charuto pelos corredores de São Januário já corria. Tirava os brincos, relógio, cordão, porque se ele visse, reclamava. Você nunca jogou nos profissionais, por quê está de brinco?”

Apesar do clima de tristeza que cercava a entrevista, Gabriel Félix recorda aos risos uma bronca que levou de Eurico Miranda que vai servir de aprendizado para o resto da carreira.

“Em 2017 quando fomos campeões da Taça Rio em cima do Botafogo, no Engenhão, eu acabei trocando de camisa com o Saulo, goleiro adversário que é muito meu amigo dos tempos de base. Eu desci o túnel para buscar outra camisa para receber a premiação. O Eurico estava subindo e me deu uma bronca. Você trocou a camisa? Você é muito burro! Como é que você troca camisa de campeão, c#%*! Essa é uma história que eu sempre me recordo”.

Fonte: Esporte 24h