A trajetória de Rayan ganhou um novo capítulo nos últimos meses. Cria da base do Vasco, o atacante deixou São Januário no início deste ano como a venda mais cara da história do clube e, poucos meses depois, já aparece entre os jogadores mais valorizados do futebol mundial.
Convocado para a Copa do Mundo, o jovem de apenas 19 anos foi avaliado em 100 milhões de euros (R$ 583 milhões, na cotação atual) em estudo divulgado pelo CIES Football Observatory (Centre International d’Étude du Sport).
A rápida valorização após ser chamado por Carlo Ancelotti para defender a Seleção Brasileira reacendeu uma pergunta entre os torcedores vascaínos: o clube ainda pode lucrar com Rayan mesmo após sua transferência para o Bournemouth, da Inglaterra?
A resposta é sim. Embora o Clube de São Januário não tenha mantido participação econômica nos direitos econômicos do atleta, existe um mecanismo que poderá garantir novas receitas ao clube em futuras negociações.
A única forma de o Vasco receber dinheiro em uma eventual nova transferência de Rayan é através do mecanismo de solidariedade da Fifa. O sistema foi criado para recompensar financeiramente os clubes responsáveis pela formação dos atletas.
Sempre que ocorre uma transferência internacional envolvendo um jogador profissional, uma parcela do valor total da negociação é distribuída às equipes que participaram de seu desenvolvimento entre os 12 e os 23 anos de idade.
Como Rayan foi formado integralmente no Vasco e deixou o clube aos 19 anos, o Gigante da Colina tem direito a aproximadamente 3% do valor bruto de uma futura venda internacional no mercado de transferências.
Na prática, caso o atacante seja negociado futuramente pelos mesmos 100 milhões de euros apontados pelo estudo do CIES, o Gigante da Colina teria direito um valor milionário: 3 milhões de euros (R$ 17,5 milhões).
A Agência RTI Esporte apurou que o Vasco, apesar da possibilidade de receber valores por meio do mecanismo de solidariedade, não possui qualquer participação direta nos direitos do atleta. A negociação com o Bournemouth foi concluída por 35 milhões de euros (R$ 220,7 milhões).
O valor transformou a operação na maior venda da história do clube. Do total da transferência, 24 milhões de euros ficaram com o Vasco. A diferença foi destinada aos demais detentores de percentuais dos direitos econômicos do jogador, incluindo familiares e representantes.
O contrato também não prevê cláusula de mais-valia, mecanismo que garantiria ao Vasco participação no lucro obtido pelo Bournemouth em uma futura venda. Esse termo não pôde ser aplicado devido às regras vigentes no futebol inglês.
A valorização atual é consequência de uma ascensão meteórica. Formado em São Januário, Rayan estreou profissionalmente em 2023 e gradualmente ganhou espaço no elenco principal. O salto definitivo aconteceu em 2025.
Naquela temporada, o atacante foi o principal destaque do Gigante da Colina, balançando as redes em 20 oportunidades em 57 partidas e liderando a equipe na campanha que terminou com o vice-campeonato da Copa do Brasil.
O desempenho chamou a atenção do mercado europeu e levou o Bournemouth a realizar o maior investimento de sua história em um jogador sul-americano. O atacante assinou contrato válido até junho de 2031.
Agora, consolidado como uma das maiores promessas do futebol brasileiro e avaliado em 100 milhões de euros, Rayan segue valorizando longe do Vasco. E, mesmo sem possuir participação direta em uma futura venda, a diretoria acompanha cada passo da joia com atenção.
Mais lidas