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'São tantas carências que elencar as prioridades torna-se uma tarefa...'

O empate do Vasco por 2 a 2 com o Independiente Medellín foi um retrato do clube dos últimos anos. Independentemente do treinador, a equipe insiste em entregar gols na defesa e sofre para transformar volume de jogo em eficiência no ataque. O roteiro voltou a se repetir na Colômbia.

É somente o segundo jogo de Pedro Emanuel, mas essa herança já assombra o novo treinador do clube, que terá bastante trabalho pela frente. O Vasco foi superior durante boa parte da partida e teve chances para vencer. Ao mesmo tempo, ficou duas vezes atrás do placar por falhas defensivas.

O Vasco foi melhor no primeiro tempo. A principal novidade de Pedro Emanuel foi o centro do ataque. Com Brenner e Nuno por dentro, os dois jogadores se aproximavam e se movimentavam de forma interessante, abrindo o campo para os pontas e laterais da equipe. Brenner faz muito mais sentido nesse estilo de jogo do que Spinelli, mas há uma carência de pontas com mais capacidade de definição, já que Adson e Gómez não são finalizadores natos. Isso atrapalhou o time.

O Independiente Medellín abriu o placar em um lance que representa muitos dos problemas defensivos do Vasco. Em um dos poucos ataques da equipe colombiana, Puma caiu em corta-luz, Cuesta não alcançou Yony González, e Robert Renan errou na cobertura. Um gol de um time que fez muito pouco para abrir o placar, mas que chegou sem grandes esforços à meta de Léo Jardim.

Sorte que no início do segundo tempo, Varela tratou de deixar tudo igual entre as equipes, com um gol contra após cruzamento de Cuiabano. O empate não fez o Vasco melhorar na partida e ir atrás da vitória. A realidade foi uma equipe que se cansou rapidamente após o intervalo e perdeu força, o que culminou numa melhora do Medellín que foi convertida em gol de Montaño.

As entradas de Rojas, Marino Hinestroza e Spinelli pouco acrescentaram. O Vasco perdeu capacidade de manter a posse no campo ofensivo, e os dois colombianos voltaram a decepcionar. Em um contexto favorável, atuando novamente no país natal, não deram sinais de que podem elevar o nível ofensivo da equipe no segundo semestre.

A partida caminhava para mais a segunda derrota de Pedro Emanuel, o que seria uma injustiça pelo que o Vasco havia criado antes de sofrer os gols. Robert Renan, que não tinha ido bem no primeiro tempo, encontrou bom passe para o Cuiabano. O lateral, que teve um jogo de mais baixos do que altos, deu cruzamento na medida para Spinelli empatar a partida. Resultado justo e bom para a equipe de Pedro Emanuel buscar a classificação em casa.

Time precisa de reforços

O jogo na Colômbia mostra que o time pode seguir nessa formação de Pedro Emanuel, com Nuno Moreira e Brenner por dentro. São jogadores de qualidade técnica, mas que não vivem um bom momento em termos de confiança. O meia português caiu muito na parte física e não seria bom seguir sendo utilizado como um ponta. Já Brenner, ao sair mais da área, pode fazer com o que o Vasco tenha um ataque mais móvel e associativo.

No entanto, se os jogadores por dentro associam mais, os jogadores dos lados ainda precisam caprichar mais na finalização das jogadas. Os laterais e os pontas do Vasco erraram demais nas duas partidas de Pedro Emanuel até aqui. Puma foi mal no jogo contra o Medellín, enquanto Cuiabano comprometeu na defesa, apesar de ter ajudado no ataque. Andrés Gómez e Adson não são finalizadores e têm dificuldade na tomada de decisão final.

Há caminho para uma evolução, mas também existe um teto que esse elenco pode atingir caso tudo dê certo com o trabalho de Pedro Emanuel. Parte dos problemas só poderá ser corrigida com reforços — e é necessário urgência no mercado. O Vasco já se reapresentou há mais de um mês e ainda não apresentou novas contratações.

São tantas carências que elencar as prioridades torna-se uma tarefa difícil, mas ter um zagueiro mais dominante na área, um meia ou volante de maior intensidade e um atacante de lado com mais poder de finalização são necessidades dentro de qualquer esquema de jogo. O Vasco tem uma dura missão de chegar longe nos mata-matas e escapar o quanto antes da zona de rebaixamento.

Fonte: ge
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