Souza abre o jogo sobre retorno ao Vasco e revela mágoas no futebol

07/05/2020 às 11h10 - FUTEBOL

Fora do Brasil desde 2015, Souza passou três anos e meio no Fenerbahce e está há quase dois anos na Arábia (Getty Images)

Poucos jogadores no futebol brasileiro de hoje são tão sinceros quanto Souza. E o ex-volante de Vasco, São Paulo e Grêmio deixou isso bem claro em entrevista a este blogueiro quando perguntado sobre jogadores que o decepcionaram, técnicos que não o fizeram crescer, propostas não efetivadas e política.

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Vascaíno confesso por causa de sua passagem por São Januário, apesar de ter crescido em meio a vários flamenguistas, como o pai e os tios, Souza revelou que teve a chance de se mudar para a Gávea no ano passado. Depois de lembrar de um encontro com Jorge Jesus e Marcos Braz, numa churrascaria do Rio, o volante contou que seu empresário, Carlos Leite, foi procurado.

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“Meu empresário até falou que o salário que eu tenho na Arábia é muito alto, e o dirigente disse que salário não seria problema, que (o Flamengo) poderia pagar”, relembra. A negociação esbarrou quando o Rubro-Negro foi avisado de que teria de bancar a compra de seus direitos econômicos do Al Ahli. “Teve essa conversa, mas meu clube pagou aquilo que me devia e eu continuei na Arábia”.

O Palmeiras também quis entender as condições de Souza. Tudo começou quando o volante tentou ajudar seu clube a negociar com o alviverde Raphael Veiga. “Liguei para o Zé Roberto, que é meu amigo. Aí, ele falou com o Mattos sobre o Raphael. Só que o Mattos já aproveitou a oportunidade para perguntar se eu não queria jogar no Palmeiras”, relembra, dando risada.

O volante, de 31 anos de idade, tem só mais um ano de contrato na Arábia Saudita e sonha em voltar ao Brasil para defender o Vasco. “Quero muito ser campeão no Vasco. É o meu sonho. Mas preciso que o Vasco tenha um time competitivo”, alerta Souza, descartando a possibilidade de defender um rival. O São Paulo, por onde ele passou, também poderia ser uma alternativa.

Atleta da seleção em 2015, Souza vê Luxemburgo, Andrés Villas-Boas e Vitor Pereira como os técnicos que mais lhe ensinaram ao longo da carreira. Já com Renato Gaúcho... “Até soa estranho falar isso para as pessoas que não vivenciam o dia a dia do vestiário, mas o Renato foi uma pessoa com quem não aprendi muita coisa no Grêmio. Foi o que eu menos tive evolução como jogador de futebol. Eu olhava e falava: ‘é muito fácil ser treinador de futebol’”.

Decepções da bola: Souza revelou ter se decepcionado com três jogadores ao longo de sua carreira: Edmundo, Elton e Nani. A frustração com Edmundo se deu assim que ele subiu para o profissional. “Depois de um jogo entre Vasco e Cruzeiro no Mineirão, ele me humilhou muito no vestiário. Falou palavras duras e, se eu não tivesse Jesus, talvez tivesse... desistido não, mas desanimado”, relembra. “Mas não guardei mágoa dele, só me decepcionei”.

Sobre Elton, o desentendimento tem a ver com religião. “Quando cheguei em Portugal, a primeira pessoa que me apeguei foi ele. Pelo histórico de ter jogado no Vasco, vi ele ser campeão em 2002, morava no mesmo município que eu... então, procurei ele. Teve alguns problemas nesse âmbito religioso. Talvez por inveja, teve algumas atitudes comigo e deixei de ser fã da pessoa”, justifica.

Em relação a Nani, Souza revela que sempre teve um carinho especial pelo futebolista, mas, quando jogou com ele, viu que não queria o português como amigo.

Na esfera política. O que Souza pensa sobre Lula, ex-presidente da República. “Pra mim, ele foi um cara bom até determinado momento, deu oportunidade para muitas pessoas, mas chegou um momento em que a corrupção como um todo tomou conta do partido e fez com que, como ele estava junto, foi na mesma onda e acabou levando o país quase à falência, porque o tanto de roubalheira que houve com PT, PMDB e vários outros partidos...”

Souza também falou sobre como avalia o atual presidente, Jair Bolsonaro, e a crise política instalada no país nos últimos meses. “Chega um cara tentando fazer as coisas corretas, mesmo cometendo erros, mas as pessoas ficando dando porrada e não aceitam perder. Se o (candidato) delas tivesse ganhado, estava tudo bem. Como não ganhou, estão tentando tirar o cara a qualquer custo. E eu não acho isso certo”, afirma.

“O presidente está tentando fazer o trabalho dele. Tá ruim? Espera e vai chegar o momento de você votar, tira ele de lá e acabou. Esse é um dos motivos de a gente nunca ir para frente”, acrescenta o volante.

Fonte: Coluna Jorge Nicola - Yahoo