Talles só decolou após rifa de camisa

26/08/2019 às 08h16 - FUTEBOL

Com apenas 17 anos, Talles Magno é considerado uma das principais promessas do Vasco. Ele marcou seu primeiro gol como jogador profissional na vitória por 2 a 0 contra o São Paulo no domingo, pelo Campeonato Brasileiro.

"Foi como eu sempre sonhei, desde criança trabalhando para chegar nesse momento inesquecível. A vitória tem importância enorme, até porque traz confiança para o grupo e sobe mais um pouco na tabela, em busca do nosso objetivo", disse o jovem na saída de campo.

O garoto começou sua trajetória no clube da Colina começou após passar em um teste e ser chamado para um torneio em Portugal.

"O patrão do meu pai pagou a viagem. Mas para pegar o passaporte, também precisava de dinheiro. Então, minha mãe pediu uma camisa no Vasco e pegou alguns autógrafos com os jogadores do profissional. Depois, ela fez uma rifa na minha rua. Os amigos da minha mãe, do meu irmão, todos compraram a rifa. Graças a Deus, conseguimos o dinheiro", disse, ao ESPN.com.br, em fevereiro de 2019.

Talles já é presença nas convocações da seleção brasileira sub-17 e assinou seu primeiro contrato profissional no fim do ano passado. Mesmo tão jovem, ele tem uma estrutura de gente para o auxiliar.

Em 2019, ele foi o jogador mais jovem do elenco que foi vice-campeão da Copa São Paulo a marcar um gol no torneio. O garoto balançou as redes contra o Manthiqueira. Pouco depois, ele foi efetivado aos time de cima e foi ganhando espaço.

Suas atuações já despertam cobiça da Europa.Tanto é que o Sporting, de Portugal, pediu a preferência na compra de seu passe para liberar Bruno César ao clube carioca.

Veja a entrevista com Talles Magno concedida em fevereiro:

Como começou no futebol? E como foi parar no Vasco?

Comecei jogando na escolinha do meu condomínio. Desde muito cedo, treinava lá. No fim de 2011, quando tinha nove anos, pintou um teste no Vasco. Sem muitas pexpectativas, fui fazer esse teste, junto com um amigo da escolinha. E logo nesse primeiro teste, graças a Deus, passei. Ali começou a caminhada.

Logo que você chegou ao Vasco, foi para uma viagem para Portugal. Como você fez para ir?

Assim que eu cheguei ao Vasco, pintou essa viagem para Portugal pra disputar um torneio, um Mundialito. Não tinha passaporte, nem nada. Além do passaporte, precisava ter dinheiro para a viagem. E a gente não tinha nenhum dos dois (risos). O patrão do meu pai pagou a viagem. Mas para pegar o passaporte, também precisava de dinheiro. Então, minha mãe pediu uma camisa no Vasco e pegou alguns autógrafos com os jogadores do profissional. Depois, ela fez uma rifa na minha rua. Os amigos da minha mãe, do meu irmão, todos compraram a rifa. Graças a Deus, conseguimos o dinheiro. Mas não conseguimos tirar logo o passaporte. Ficamos trabalhando pra conseguir durante um tempo. Faltando uma semana para a viagem, ainda estava sem o passaporte. Ele só foi chegar na semana da viagem (risos). Ainda bem que deu tempo de conseguir depois de todo o esforço. Fui viajar e foi uma grande experiência que tive.

Como faz pra conciliar os estudos com o futebol? Como é essa rotina no dia a dia?

Eu estudo no Vasco. Lá, eles facilitam ao máximo pra gente conseguir treinar e chegar na escola a tempo. É bem corrido, porque volto do treino da manhã, chego em casa, tomo banho, almoço no clube e vou pra escola. Mas ainda bem que o Vasco tem uma escola dentro do clube que facilita pra gente, não por conta de notas, mas às vezes de poder chegar 10 minutos atrasado e conseguir estudar normalmente, sem prejudicar o aprendizado. É cansativo, difícil, mas a escola no Vasco facilita muito. A gente sabe da importância dos estudos. Essa é a rotina que todo mundo na base do clube tem.

Você ainda não tem carteira de motorista. Como faz para ir aos treinos e andar pela cidade?

Graças a Deus tenho uma família muito boa. Quando passei no teste do Vasco, morava em Jacarepaguá. Estudava e saía na correria pro treino. Comia no ônibus mesmo a marmita que minha mãe fazia. Às vezes, nem comia direito porque tinha que me alimentar durante a ida. Chegava atrasado no treino às vezes, pois não dava tempo. Muitas vezes, perdia o horário do ônibus. Hoje em dia, minha mãe se disponibilizou e alugou uma casa bem perto do Vasco. Isso facilita muito por conta do deslocamento, que é muito mais fácil.

Já foi reconhecido na ruas? Como foi?

Já fui reconhecido na rua. Eu fiquei surpreendido por ter gente pedindo pra tirar foto comigo. No shopping, perto do Vasco, todo mundo sabe quem eu sou. Pra mim é muito bom e me deixa feliz por saber que estou sendo reconhecido de pouquinho em pouquinho.

Quem são seus ídolos no futebol?

Meus ídolo são meu irmão Kaio, que joga no Ceará sub-20, e o Philippe Coutinho, por conta de ele ter saído do Vasco e ser um dos melhores do mundo atualmente.

Fale sobre suas características dentro de campo...

Faço tudo para ajudar minha equipe em todos os aspectos. Em velocidade, marcação, segurar o jogo lá na frente, habilidade e fazer gols. Tento ajudar o time o máximo possível e realizar o que os treinadores pedem. Mas as minhas principais características são a habilidade, velocidade e a facilidade para segurar a bola lá na frente para produzir gols.

Quais seleções de base já jogou e como foi essa experiência?

Eu joguei pela seleção brasileira sub-17 um torneio nos Estados Unidos, no fim do ano passado. Lá, joguei contra Portugal, Estados Unidos e Turquia. Também enfrentei a Argentina em amistoso. Foi muito bom ter essa experiência. Você vê que não é só futebol, sempre tem alguma coisa maravilhosa junto. Fiquei muito feliz de ter jogado contra essas quatro grandes seleções. Foi uma experiência maravilhosa.

Como é ser tão novo e já ter tanta expectativa em torno de você?

Minha família e staff fazem de tudo para não chegar até mim todas essas expectativas e elogios. Claro que eu sei que estou bem. Estou muito feliz. Meus familiares, staff e o Vasco são meus protetores para que isso não suba à cabeça. Eles fazem uma barreira me protegendo para que eu não desvie do caminho certo e faça tudo de forma correta, tranquila. Poucas coisas chegam a mim, e quando chegam eu só agradeço a Deus e sigo no mesmo caminho de sempre. Quero sempre estar focado em melhorar e fazer as coisas corretamente.

Fale sobre a estrutura que você tem ao seu redor para te ajudar? Você tem assessoria de imprensa, empresário , etc... O que eles fazem por você e como ajudam?

Tenho uma estrutura maravilhosa. O Vasco me dá do café da manhã até o jantar. Eles me dão os estudos. Não tenho do que reclamar. Estou muito feliz. A LifePro e a Gold Players também me dão todo suporte de gestão de carreira, orientação e auxílio necessários, fora de campo, para eu poder exercer meu trabalho no dia a dia, além de uma assessoria de imprensa e imagem. Eles sempre estão me orientando e apoiando para que eu consiga alcançar meus objetivos.

Você assinou seu contrato profissional. Como foi a emoção?

Foi muito bom porque ajudou bastante minha mãe. Fiquei muito emocionado e feliz, principalmente por poder ajudar minha mãe com algumas pequenas coisas. Conseguir dividir a conta de luz, pagar um aluguel..isso me faz querer evoluir e alcançar os meus objetivos na carreira.

O Sporting tem preferência no seu passe. Como é isso para você? Europa é um sonho próximo na sua carreira?

Fiquei feliz, claro, mas estou muito focado no Vasco. Meu sonho é chegar ao profissional do clube e ganhar uma Libertadores. Quero vencer o máximo aqui no Vasco. Europa, se Deus quiser, mais pra frente, depois de escrever meu nome aqui e ganhar títulos.

Fonte: ESPN Brasil