Thiago Kosloski trabalhou com alguns dos jogadores mais promissores do futebol brasileiro. A lista do ex-assistente técnico do Fluminense, seleção brasileira sub-20 e que deixou o Grêmio em dezembro conta com expoentes do futebol mundial como Estêvão e Andrey Santos, dois jogadores que devem figurar na lista do técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026. Kosloski não poupa elogios para a dupla, mas quer um terceiro nome para figurar entre eles. É o de Rayan, destaque do Vasco no último Brasileirão e novo reforço do Bournemouth.
“O Rayan é um jogador espetacular. Eu trabalhei com ele antes de ele se tornar esse jogador conhecido. Ele tem um biotipo fantástico que me lembra muito o Adriano imperador. Mas ele tem uma diferença que eu gosto muito é que ele também joga pelos lados e infiltra por dentro. Isso faz dele muito diferente”, começa a explicar o treinador brasileiro.
“O Rayan é um nome que eu gostaria de ver na Copa do Mundo de 2026. Eu não tenho dúvida que ele vai ter uma vida longa na seleção. Se ele tiver oportunidade e for para um clube europeu em que ele possa jogar, ele é um atleta para a seleção brasileira. Se eu fosse auxiliar do Ancelotti, eu recomendaria a convocação dele. Ele tem uma característica que nós não temos na seleção. Nós temos jogadores de muita técnica, muita velocidade, mas que não se impõem fisicamente. O Rayan tem isso. Ele pode ser um cara de área, mas tem velocidade e qualidade para jogar pelos lados. E, por ser jovem, ele está com sangue no olho. Ele quer muito e está com vontade. O Ancelotti deveria olhar com carinho para ele”, complementou Kosloski.
Thiago Kosloski e Rayan foram campeões do Sul-Americano sub-20 na Venezuela ano passado. O torneio serviu para impulsionar a carreira de Rayan, que retornou ao Vasco prestigiado para ter mais oportunidades, situação que ele aproveitou e se tornou um dos grandes destaques do Brasileirão de 2025. O destaque despertou o interesse do futebol europeu e ele foi anunciado nesta semana como reforço do Bournemouth por 28.5 milhões de euros, 17ª maior venda da história do futebol brasileiro.
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O ex-assistente da Seleção vê Rayan em desenvolvimento para se tornar uma referência no futebol mundial, diferente de Estêvão que já está consolidado no Chelsea e também na equipe de Ancelotti pelo Brasil. Não à toa, o jovem canhoto foi o jogador que mais o impressionou na base brasileira.
“O Estêvao foi o maior talento que eu trabalhei na seleção. Ele tem uma inteligência tática excepcional. Pode jogar por fora, por dentro e tem um raciocínio incrível. Eu gosto muito do poder de decisão dele”.
“Eu lembro de um treino que fizemos com o Brasil e eu fiquei muito impressionado com o Estêvao. Ele jogou primeiro de ponta e depois como 10. Ele fez quatro gols e ainda perdeu um pênalti. Ele é muito comprometido no dia a dia e quer muito aprender. Quando acabava o treino, ele ficava batendo falta e não erra. Ele é rápido, bom no drible, inteligente e tem a bola parada. Quando melhorar a parte física, ele vai subir ainda mais de patamar. Eu não tenho dúvida que ele vai ser um dos grandes nomes do nosso futebol".
Por fim, Kosloski analisou Andrey Santos, também do Chelsea. Os dois foram campeões no sul-americano sub20 de 2023, na Colômbia. O meiocampista, então jogador do Vasco, era o capitão da equipe e já impressionava pela liderança dentro e fora de campo.
“Além da técnica e da qualidade, o Andrey é muito diferente disciplinarmente. Ele tem um nível de profissionalismo difícil de achar. Ele sabe como se comportar. Nós o convocamos para o amistoso contra o Marrocos (em março de 2023, primeiro jogo do Brasil após a Copa do Mundo do Catar). Ele não sentiu o jogo, ele não sentiu o peso de vestir a camisa do Brasil. Jogador grande precisa se sentir à vontade com a camisa do Brasil”
“O Andrey é absurdamente tático. Ele pode jogar em qualquer posição do meio de campo. Mas a saída de bola dele é impressionante. O adversário pode pressionar e mesmo assim ele consegue quebrar a marcação. Ele tem tudo para ser o substituto do Casemiro, que é também um cara muito diferente taticamente e comprometido com o trabalho
HISTÓRIA DE THIAGO KOSLOSKI
Thiago Kosloski conheceu os dois lados do futebol. Como jogador, viveu a parte mais difícil, de oportunidades escassas. Apesar de ter começado no PSTC, clube do Paraná, na geração que revelou Fernandinho, Dagoberto e Kleberson, ele rodou nas divisões mais inferiores do Brasileirão e das ligas estaduais do Brasil.
Sem sucesso no sonho de chegar a uma grande equipe, ele teve de interromper a carreira após sofrer uma grave lesão no joelho. Nesse período, trocou a chuteira pela carreira de treinador, mas de uma forma inusitada.
“Eu tinha desistido do futebol. Eu não aguentava mais as lesões e as dificuldades. Então eu decidi trabalhar em uma outra área e procurei um emprego para vender sapato. Fiz a entrevista com o gerente, ele olhou meu currículo tood ligado ao futebol e disse que vender sapato não era o meu mundo. Eu fiquei bastante chateado porque eu já tinha 30 anos e precisava trabalhar. Mas na saída da loja, eu recebi uma ligação para ser treinador em um clube e minha vida no futebol, fora do campo, começou”, contou.
Antes de chegar nas grandes equipes do Brasil, Kosloski passou pelo Cazaquistão e Austrália, quando voltou ao Brasil para fazer cursos e se aproximou de Ramon Menezes, técnico da seleção sub-20 entre 2021 e 2025, e Mano Menezes, que já comandou a seleção principal entre 2010 e 2012.
Por enquanto, ele deve seguir os passos de Mano Menezes e aguarda uma nova proposta para retornar ao futebol. Mas ele não descarta a mudança de setor em um futuro não tão distante.
“Eu gostei de ser treinador. Até hoje eu tenho o recorde de ser o técnico mais jovem a trabalhar em um time da primeira divisão no leste europeu. Mas eu ainda não defini como vai ser essa transição. Eu acho que as coisas precisam ser naturais. Um dia eu vou acordar e vou ouvir aquela vez do destino, sabe? Isso funciona bem comigo”, finalizou.