Torcida

Torcedores relatam pânico vivido ontem em Vasco x Flamengo

Havia de tudo em São Januário na noite de sábado. Orgulhosos pais com seus filhos, jovens, irmãos, casais. A maior parte deles, porém, não imaginava o que testemunharia: em vez de festa, cenas de terror, com brigas na arquibancada, confrontos com a polícia e dificuldade para voltar para casa.

Confira os relatos:

O pai tapou os ouvidos do filho por causa das bombas

“Eu cheguei por volta de 17h30. Havia muito roubo de celular na fila. Havia um menininho com necessidades especiais e seu pai perto de mim. O menino era o mais animado ali. O jogo começou, e começaram as sucessões de coisas que levaram àquele final. Brigas dentro da torcida... No apito final começou a tragédia, correria para todos os lados, eu, o menininho, pai dele e mais um grupo de pessoas preferimos ficar parados, não entrar em desespero e correr. A confusão veio para o nosso lado. Foi quando me separei deles, eles foram em direção às cabines de TV e rádio, eu pulei para uns dos camarotes, fiquei preso lá até 21:30... Seguranças e funcionários não estavam deixando sair. Para sair, eu fui para o setor VIP e depois para a social, só consegui sair por lá. Peguei um táxi para casa.

- Sanderson, estudante de 21 anos

A irmã levou o irmão adolescente ao jogo

"Assim que acabou o jogo, os torcedores começaram a tacar as coisas no campo. Vi que ia dar merda, porque estavam jogando bomba. Saí com meu irmão, um amigo e uma amiga. Estava com mais umas 10, 15 pessoas. Fui lá para fora porque estava com coisas na bolsa de alguns amigos. Fiquei esperando eles saírem, porque acreditava que a merda ia ficar lá dentro e passar. Começou a ter confusão lá fora, dos torcedores indo para cima dos policiais. Corri, fiquei perto de um bar um tempo. Teve confusão ali também. Vi que tinha que ir embora.

Quando voltei para perto da entrada 5, do outro lado da rua, estava tendo muita confusão. Os caras estavam jogando para dentro da entrada, em cima dos policias, tudo que viam pela frente. Os policiais estavam dando tiro de borracha, e estava chegando onde eu estava. Me escondi com meu irmão atrás do carro e fiquei pensando o que podia fazer. Essas pessoas perto do muro estavam jogando e se escondendo, outros esperando para ver o que fazer. Veio polícia em cima do cavalo para bater.

Saí dali e fui para outra rua. Saí correndo com meu irmão, atravessei o viaduto, tentei pegar o Uber, mas o cara cancelou muito e cancelou. Fui parar na passarela 5, pedi outro Uber, o cara cancelou também. Não sei se estavam sabendo de alguma coisa. Peguei um ônibus e fui para casa."

- Marina, estudante de 24 anos

O casal ia de arquibancada, mas mudou de ideia

"Eu sempre vou na arquibancada, mas neste jogo minha esposa preferiu ir na social. Durante o jogo já tinham jogado copos. Vi pessoas jogando bombas, sinalizadores. Depois a polícia começou a revidar. Soltou bomba de gás, até na social dava para sentir. Jogadores do Flamengo sentiram também. Uns amigos vendo de casa ligaram para minha esposa e falaram que estava difícil lá fora. Só saí da social às 20h45, consegui pegar um táxi e fui embora sem maiores problemas. Vimos cenas bizarras. Pessoas jogando bomba no campo, policiais jogando bomba na arquibancada. Policiais jogando bomba onde pessoas estavam acuadas.

- Thiago, jornalista de 29 anos

“Torcedor babaca e polícia despreparada”

"Antes de o jogo acabar, tinha uma rapaziada jogando várias paradas no campo, mas a princípio era copo, essas coisas. Pessoal se empolgou e começou a querer invadir, quebrar tudo. A polícia perdeu a linha também. Jogaram bomba de efeito moral na torcida. Não era todo mundo que estava fazendo várzea. Foi um corre-corre, spray de pimenta. Torcedor babaca e polícia despreparada. O resumo da ópera foi esse."

- Torcedor não quis se identificar, economista de 23 anos

“Nunca tinha visto isso em São Januário”

"Nunca tinha visto isso em São Januário, e lá se vão 20 anos de arquibancada. Eu não estava no foco principal. Estava mais perto do setor VIP, mas mesmo ali a polícia subiu descendo a porrada, por algum motivo. Logo depois do jogo. Sinceramente, acho que foi uma revolta pelo resultado, com uma galera completamente bandida no comando. Não foi algo que eu consiga explicar.

Já vi o Vasco cair em São Januário e não foi nem 1/12 avos disso. Não sei o quanto é programado, o quanto é "podemos tudo" e o quanto é "revolta natural para boçal". Muita bomba para dentro do campo. Muita bomba da polícia para dentro da arquibancada. E aquele corre-corre, atira-atira. Eu ia ficar do lado de fora do estádio, mas ainda estouravam muitas bombas lá dentro, e o gás vinha para fora. Não tinha como ficar."

- Torcedor não quis se identificar; produtor audiovisual de 28 anos

 

Fonte: ge
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