Futebol

Trabalho com Pássaro, mexida no grupo... As razões para o acerto com Diniz

A união entre Vasco e Fernando Diniz se concretizou rapidamente no mercado. O treinador, que vai estrear no Cruzmaltino no duelo com o CRB, na próxima quinta-feira (16), chega a São Januário com um grande desafio: fazer o time engrenar e alcançar o G4 da Série B do Campeonato Brasileiro.

O técnico, demitido pelo Santos no último domingo (5), chega para ocupar a vaga de Lisca, que pediu demissão na última quarta-feira. A negociação foi rápida e cumpriu o imaginado pelo clube carioca, que pretendia fazer com que o novo comandante pudesse chegar a tempo de trabalhar com a equipe para o confronto no Rei Pelé, em Maceió.

O cenário, inclusive, exige respostas quase que imediatas. Na nona colocação, com 32 pontos, o Vasco hoje vê a possibilidade de acesso ser pequena e tenta mudar o panorama para estancar a crise, que já tem reflexos políticos.

Um ponto de questionamento da torcida é justamente o fato de, à primeira vista, o elenco não necessariamente se encaixar com o estilo de jogo de Diniz, que se notabilizou no futebol brasileiro com a montagem de times que têm mais a posse de bola, valorizam a troca de passes e propõem o jogo.

Vale lembrar que, em algumas oportunidades anteriores, o diretor executivo de futebol Alexandre Pássaro indicou que a cúpula queria ver atuações mais imponentes na competição. Em parte do pronunciamento para anunciar a demissão de Marcelo Cabo, por exemplo, citou o "tamanho do Vasco" e saber "o que é o Vasco da Gama".

"Temos total convicção e confiança no elenco, mas também exige um rendimento muito melhor do que a gente tem tido. A entrega tem sido boa, porém, um rendimento e performance muito abaixo. Sabíamos que era o líder, que era o vice-líder alguns dias antes, mas também sabemos o que é o Vasco da Gama", disse, na ocasião.

Diniz já trabalhou com Pássaro nos tempos de São Paulo e, além da confiança do dirigente, há a ideia de que ele possa mexer com o grupo. Há também a expectativa de otimizar a performance dos jovens que foram promovidos do sub-20 e atuavam neste enquadramento na base. No Santos, último clube pelo qual passou, o treinador adotou o esquema 4-4-2, diante das limitações que o grupo apresentava àquele momento.

"Acredito que ele vá pegar o elenco e tentar colocar em campo os jogadores que mais se assemelham à proposta dele, que tenha mais qualidade no passe, sejam mais ofensivos, retenham mais a bola. Acredito que seja por aí. E, talvez, jogadores que tenham espaço no elenco hoje, possam perder. Ele rompe com certas figuras, mesmo sendo experientes, caso não se encaixe na proposta. Realmente, foi surpreendente. Dá para ver que não foi algo planejado, em cima daquilo que ele possa oferecer ao Vasco, ou o que o elenco possa oferecer ao estilo dele", analisou Rodrigo Coutinho, colunista do UOL Esporte.

Goleiro vai sair jogando com os pés?

Um dos obstáculos que Diniz pode encontrar no Vasco é a saída de bola desde a defesa, o que exige a participação do goleiro. Atual titular cruzmaltino, Vanderlei teve longa passagem pelo Santos, mas acabou perdendo espaço em 2019, sob o comando de Jorge Sampaoli, justamente por apresentar deficiências neste quesito. Ainda durante o Campeonato Paulista daquele ano, o treinador, em entrevista coletiva, chegou falar: "Que melhore como jogador e para o esquema. Vai entender rápido o que o time precisa".

Vanderlei, porém, acabou virando opção a Everson e, no ano seguinte, acertou com o Grêmio. No início da atual temporada, foi contratado pelo Vasco.

Velho conhecido de volta

Juntamente com Diniz, chega o auxiliar Yan Razera, que a torcida do Vasco conheceu apenas como Yan. O meia chegou à Colina ainda para as categorias de base e foi uma das grandes revelações do início dos anos 90, fazendo parte de uma geração que marcou no clube —ao lado de Gian e Bruno Carvalho. Em 1993, foi campeão mundial sub-20 com a seleção brasileira.

Yan foi campeão carioca em 1993 e 1994 (o Cruzmaltino levou o tri em 92,93 e 94), e eleito o melhor jogador do Vasco na temporada de 1995. Após deixar o clube, passou por Internacional, Fluminense, Coritiba, Flamengo, Grêmio, dentre outros.

Ele já havia trabalhado na comissão técnica de Diniz anteriormente e o reencontrou neste ano, no Santos, após passagem pelo sub-17 da Chapecoense.

Fonte: UOL Esporte
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