Vasco: Escola de formação de craques dentro e fora do campo

23/12/2008 às 08h29 - CLUBE

No clube onde seu presidente é o maior ídolo formado nas divisões de base, revelar talentos continua sendo tradição. O mais famoso no momento é Phillippe Coutinho, de 16 anos, que vai para a Inter de Milão–ITA quando completar 18.

Ele é, ao lado de Alex Teixeira, a principal referência do clube no exterior. Phillippinho, como é chamado, também é a cria perfeita por ser aluno do colégio que funciona dentro de São Januário para 210 alunos/jogadores. Um projeto que é o diferencial do Vasco em relação aos outros clubes cariocas.

Sem um centro de treinamento próprio, pode-se dizer que o trabalho de formação vascaíno está concentrado em São Januário. Além de seu alojamento para 60 garotos, é de lá que saem os ônibus para o alugado Vasco-Barra, na Zona Oeste do Rio, ou para o futuro ex-terreno, localizado em Caxias, na Baixada Fluminense.

Mesmo sem ser moderna, o Vasco conta com uma estrutura que funciona. Outro fator responsável pela formação é a qualidade dos profissionais. Um exemplo entre os tantos é o professor Nelsinho, coordenador técnico da base. Para o ex-jogador e ex-técnico do Fluminense (e auxiliar de Telê Santana), o importante na hora de observar um jogador é a capacidade técnica, e não o porte físico.

– Futebol é no chão e o Vasco não fecha os olhos para os baixinhos – diz Nelsinho, citando Madson, Alex Teixeira e Phillippinho.

Este último, inclusive, é tratado como uma jóia. E tem valor para isso. Afinal, foi vendido por mais de 4 milhões de euros (cerca de R$ 13,2 milhões), talvez a maior transferência de base do futebol brasileiro. O Vasco receberá parceladamente cerca de 90% disso.

Phillippe Coutinho, que em 2009 treinará entre os profissionais, ajuda, indiretamente, a atrair olheiros do mundo inteiro.

Os jogos do Vasco são, no Rio de Janeiro, bem visados por empresários. Por mais que não consiga tantos títulos e invista apenas R$ 100 mil mensais nas categorias de base, o clube é um dos campeões em revelar material humano.

Sem Vasco-Barra e CT

O clube está em busca de um terreno no Rio de Janeiro para criar seu CT, já que vive uma situação caótica envolvendo o terreno em Caxias e o Vasco-Barra. É que ele pode perder os dois espaços onde treinam os garotos da base.

Durante o governo Geisel, o Vasco recebeu o terreno em Caxias para explorá-lo em 20 anos. O tempo passou, ninguém fez nada e o Tribunal de Contas da União já deu ganho de causa ao Governo para a retomada do espaço.

Para piorar, a administração anterior aterrou área de preservação estabelecida pela Feema e o Vasco terá de recuperá-la.

O caso do Vasco-Barra também é grave. O clube deve o aluguel do espaço (que custa R$ 80 mil mensais, fora IPTU anual de R$ 550 mil) desde julho de 2007 e corre risco de despejo. Ao todo, a dívida é de mais de R$ 1,5 milhão.

O Vasco busca acordo com o proprietário, mas procura um novo terreno (um deles em Niterói) para construir um CT. A idéia da diretoria é ter um novo terreno (ou mesmo o Vasco-Barra) para, através da Lei de Incentivo do Ministério dos Esportes, captar recursos para as obras.

Fonte: Lance