Vasco está de olho na verba destinada aos finalistas da Taça Rio

21/03/2018 às 08h40 - FUTEBOL

Mesmo que o dinheiro do Estadual não seja a solução final dos problemas — afinal, os compromissos vão além dos R$ 150 mil recebidos pela participação na semifinal e dos R$ 850 mil prometidos a quem for campeão da Taça Rio —, colocar qualquer valor que seja nos cofres já ajuda.

Embolsar a premiação também é uma forma de amenizar os prejuízos seguidos que os clubes têm registrado nos borderôs das partidas do Carioca. Só na Taça Rio, sem contar as cotas de TV, o saldo negativo do Vasco é de R$ 131,9 mil. No caso do Botafogo, mais dinheiro foi perdido: R$ 664 mil.

Carregando consigo a vantagem do empate no clássico de hoje (classificou-se em primeiro no Grupo B), o Vasco, que tomou um calote de R$ 10 milhões do patrocinador master anunciado na reta final da gestão Eurico Miranda, deve três meses de salários a jogadores e funcionários. O presidente Alexandre Campello precisa quitar dívidas de várias espécies, já que o clube também deve, por exemplo, parcelas do Profut e também deu calote no Maracanã e em fornecedores pela utilização do estádio em duas partidas do Brasileiro-2017. Conseguir a Certidão Negativa de Débito (CND) para obter patrocínios estatais virou objetivo distante.

Se passar pelo rival e for campeão da Taça Rio, o milhão que o Botafogo ganharia serviria, por exemplo, para quitar o empréstimo do atacante Rodrigo Aguirre. O uruguaio recém-chegado custou US$ 250 mil (cerca de R$ 800 mil), valor que o Botafogo usou mediante ajuda de investidores.

Se for ainda mais longe, a premiação pode significar um alento ao prejuízo gerado pela queda na primeira fase da Copa do Brasil. O vexame rendeu apenas R$ 1 milhão de premiação ao clube. Se for campeão Estadual tendo vencido também a Taça Rio, o Botafogo embolsará, ao todo, R$ 4,5 milhões. Isso se equivale ao que a CBF paga aos clubes sobreviventes até a quarta fase da Copa do Brasil (R$ 4,4 milhões). Ainda assim haveria um déficit, levando em conta a previsão orçamentária anual, já que a diretoria do Botafogo tinha estipulado como meta estar nas oitavas de final e faturar mais R$ 2,4 milhões de premiação (sem contar a bilheteria).

O desafio para o Botafogo vai além, já que o alvinegro não venceu nenhum dos quatro clássicos disputados em 2018.

— Joguei dois aqui e fui prejudicado pela arbitragem duas vezes. Tanto contra o Flamengo, quanto diante do Vasco. Quero que minha equipe melhore, sou o que mais cobro. Mas também vamos ver a arbitragem, foram erros pesados e ambos no início do jogo — ponderou o técnico botafoguense Alberto Valentim.

Por outro lado, o técnico vascaíno Zé Ricardo não sabe o que é perder clássicos desde que chegou ao cruz-maltino. Em cinco jogos, foram duas vitórias e três empates.

— Essas estatísticas fazem parte do futebol. Isso acontece. Entramos sempre para vencer, e, com isso, os resultados tendem a aparecer — disse Zé.

Árbitro punido

Em relação à arbitragem, a Ferj mudou de ideia em relação ao árbitro Leonardo Garcia Cavaleiro, que mostrou apenas um cartão amarelo ao atacante Rildo, do Vasco, pela falta que causou uma fratura no meio-campista João Paulo, do Botafogo. Inicialmente, a decisão era pelo não afastamento do árbitro, mas a Ferj comunicou ontem que Cavaleiro está suspenso das atividades por prazo indeterminado

A reconsideração da decisão inicial se deu após uma reunião da qual participaram o presidente da Ferj, Rubens Lopes, do Botafogo, Nelson Mufarrej, e representantes da comissão de arbitragem.

Após partida, a própria comissão já tinha reconhecido que o lance era para aplicação de cartão vermelho.

Quanto ao atacante Rildo, do Vasco, ele foi denunciado pela procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) por causa da entrada em João Paulo. O vascaíno corre o risco de ficar suspenso enquanto durar a recuperação do capitão alvinegro. A procuradoria chegou a pedir suspensão preventiva, mas o presidente do TJD-RJ, Marcelo Jucá, negou.

— Ele entrou na canela e de sola. Ele assumiu o risco da lesão. Ele pode não ter tido a intenção, mas atingiu — disse procurador-geral do TJD, André Valentim.

Fonte: Agência O Globo

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