Vasco melhora em um aspecto, mas ainda demanda evolução na criação

11/10/2020 às 08h45 - FUTEBOL

Erros individuais nos gols do Flamengo são decisivos em derrota no clássico em São Januário

Um treino foi suficiente para o interino Alexandre Grasseli mudar o esquema tático e melhorar o Vasco. Ao sacar um atacante e reforçar o meio, o treinador acertou a marcação e o posicionamento da equipe, algo que deixou a desejar nas goleadas que custaram o emprego de Ramon Menezes.

O maior problema, porém, não foi corrigido. Com uma criação pobre, ou seja, uma articulação ofensiva extremamente dependente de jogadas individuais, o Vasco não teve força para o "algo a mais". Se equilibrou o confronto com o Flamengo em boa parte da partida, não conseguiu ser superior nos momentos decisivos. Mais: viu erros individuais determinarem a derrota por 2 a 1, sábado, em São Januário.

São agora sete jogos sem vitória - dois na eliminação na Copa do Brasil. Com quatro derrotas e um empate nos últimos cinco compromissos no Brasileirão, o time estacionou nos 18 pontos e caiu para décimo. Um cenário preocupante, inclusive, para o próximo treinador.

A pressão do mau momento pareceu não afetar o time em campo. Grasseli apostou no tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro bem compactadas. Sacou Pikachu e deu chance a Cayo Tenório pela direita. No meio, Carlinhos entrou na vaga de Fellipe Bastos. E, sem Vinícius na frente, Marcos Junior permaneceu como titular, o que adiantou Talles para atuar ao lado de Cano.

Esta ações mudaram drasticamente a postura do time. Ramon, por exemplo, relutou em alterar a forma de atuar. No sábado, a saída de bola com linha de três (dois zagueiros e Henrique) foi abandonada. Carlinhos, no meio, qualificou o passe e fez pela direita, em combinação com Tenório, o que Pikachu não estava conseguindo. O meio ganhou mobilidade sem Bastos, e, por estar mais adiantado e sem a necessidade de recompor, Talles teve mais força ofensiva.

Foi assim que saiu o gol. Verdade que Bruno Henrique falhou, mas Cayo teve o mérito de acreditar, arrancar e cruzar na medida para Talles. Bem postado, o Vasco pouco foi ameaçado no primeiro tempo. A maior posse de bola do adversário não foi ameaçadora à exceção de duas arrancadas de Bruno Henrique em controladas por Miranda.

Logo no começo do segundo tempo, em uma jogada de bola parada, Léo Pereira empatou de cabeça. Andrey e Castan saltaram e não conseguiram afastar a bola. O Flamengo cresceu, e o Vasco ficou sem saída de bola (a posse teve um total de 61% a 39% ao time visitante). O Vasco se defendia e só ameaçava em chutes de fora da área. Uma prova de que as mudanças do interino foram básicas e que, para um salto de qualidade, é preciso de mais tempo e peças melhores.

Até que, mais uma fala, decidiu: Fernando Miguel saiu mal, e Bruno Henrique virou. Sem articulação, o Vasco tentou na força de vontade. Guilherme Parede entrou bem, pode ser uma alternativa no futuro. O gol anulado por impedimento de Cano foi a melhor jogada construída ofensivamente. É preciso muito mais.

- Tivemos uma ideia muito clara de trazer o Talles para dentro, encostar um pouco mais no Cano, percebi nos jogos que vi que o Cano estava muito isolado. Deu também ao Talles, que tem um talento muito grande, a possibilidade de um jogo mais versátil, mais solto. Ganhamos com a boa partida do Carlinhos pela direita e do Benítez pela esquerda. Era essa a intenção, de uma linha de quatro ofensiva, quando o Vasco tinha a bola. Com liberdade ao Tenório e ao Henrique também, para fazerem o apoio, e uma segurança por dentro com o Andrey e o Marcos Junior. Quando estávamos sem a bola, principalmente no 1º tempo, alertei ao Cano e ao Talles que precisávamos mais de pressão na saída de bola do Flamengo. Tivemos momentos de instabilidade. Concordo que tivemos um pouco de dificuldade. Andrey em certo momento ficou sobrecarregado em relação à saída de bola. Podíamos ter uma saída de bola mais controlada, um jogo apoiado - comentou Grasseli.

O Vasco, agora, tem uma semana para treinar. Enfrenta o Internacional, domingo, em Porto Alegre. Quem sabe com novo técnico...

Fonte: (ge)