Futebol

Vasco permanecerá com pequena parte dos direitos econômicos de Paulinho

O board do Bayer Leverkusen ocupou boa parte de um dos andares do luxuoso LSH Hotel, na Barra da Tijuca, na primeira semana de abril para fechar a aquisição do garoto Paulinho. Os alemães assistiram à vitória de 3 a 2 sobre o Botafogo, no Nílton Santos, com gol do atacante, e também à fatídica partida no Mineirão, contra o Cruzeiro, pela Libertadores, jogo em que se destacava até cair de forma feia, fraturar o cotovelo e deixar o Vasco.

Quem conhece detalhes da operação diz que quando o presidente Alexandre Campello entrou na conversa. A negociação estava alinhavada entre Carlos Leite, o agente de Paulinho e os representantes do clube alemão. A esta altura, o empresário já havia feito a cabeça da família do jogador, que pediu pelo acerto. Acuado, precisando de dinheiro para viabilizar o clube, o máximo que Campello conseguiu foi reter um percentual dos direitos.

E esta, talvez, seja a melhor notícia neste cenário triste e deprimente da negociação: 10% dos direitos econômicos de Paulinho permanecem com o Vasco, que poderá, então, ter bom retorno financeiro no caso de repasse para um outro clube europeu. Suponhamos que em três anos Paulinho se revele um jogador de € 100 milhões. O Vasco, em caso de negociação, ficaria com € 10 milhões, fora os cerca de 5% referentes ao mecanismo de formação.

Hoje o dinheiro que o Vasco terá na conta não dará mais do que um respiro à administração. O Bayer paga € 20 milhões (R$ 85 milhões) por 90% dos direitos econômicos, mas o Vasco só recebe cerca de € 13 milhões (R$ 55 milhões). Por quê? Porque, em 2016, o ex-presidente Eurico Miranda deu a Carlos Leite, como forma de bonificação (sic), 20% de comissionamento para o caso de futura venda. Com os 15% que cabem ao jogador, restou ao Vasco 65% da pizza.

Se tudo for assim como me foi contado, significa que o Vasco recebe R$ 55 milhões por 55% dos direitos de sua maior revelação nos últimos dez anos. O problema é que como o clube deve R$ 10 milhões ao agente, restariam R$ 45 milhões — dinheiro suficiente para a retirada das certidões negativas (orçadas em R$ 30 milhões) e a quitação de débitos em atraso com os funcionários, jogadores e seus representantes. O empresário e possíveis parceiros levam R$ 17 milhões e fica com Paulinho R$ 12,7 milhões.

Fonte: Blog Futebol, Coisa & Tal / netvasco
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