Vasco 'vê' paz em campo, mas segue em guerra política 1 ano após eleição

01/02/2019 às 07h07 - CLUBE

Classificado com uma rodada de antecedência para as semifinais da Taça Guanabara, com 100% de aproveitamento, vindo de um vice-campeonato na Copa São Paulo de Futebol Júnior que rendeu frutos... São muitos os motivos dentro das quatro linhas para o Vasco ter um pouco de paz após um 2018 dramático que culminou com a fuga do rebaixamento no Campeonato Brasileiro somente na última partida. Porém, como nem tudo são flores em São Januário, os bastidores políticos do clube seguem fervendo e a guerra política não dá tréguas, mesmo após mais de 1 ano da eleição presidencial.

"Pedra no sapato" do comandante vascaíno Alexandre Campello, o presidente do Conselho Fiscal, Edmilson Valentim, notificou o mandatário extrajudicialmente esta semana solicitando acesso a documentos sobre movimentações financeiras, alegando "gestão temerária" e falta de transparência da diretoria nas prestações de contas. Não satisfeito, também cobrou que a venda do atacante Paulinho, em 2018, para o Bayer Leverkusen (ALE), por 18,5 milhões de euros (cerca de R$ 76 milhões na época), seja apurada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Para rebatê-lo, Campello emitiu uma nota oficial contestando suas alegações e, não satisfeito, concedeu uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (31) munido de caixas com uma série de documentos que, em sua concepção, respondem todos os questionamentos do presidente do Conselho Fiscal.

Adotando o lema do "quem não deve não teme", lembrou das renomadas empresas de auditoria que contratou no início de sua gestão e contestou seu desafeto:

"Talvez o Presidente do Conselho Fiscal tenha dificuldade de entender os documentos. Qualquer um com conhecimento médio saberia interpretar que o dinheiro foi transferido de uma conta para outra. Quem tem uma gestão temerária não contrata empresa para fazer consultoria e nem assina contrato como estamos fazendo".

Ameaças de todos os lados

Ocorre que a a insegurança política de Campello não se remete somente ao presidente do Conselho Fiscal. Apoiadores do ex-presidente Eurico Miranda, por exemplo, embora tenham votado no atual mandatário para a presidência na eleição do Conselho Deliberativo, estão sempre em posição fiscalizatória e de cobrança, algo que fica claro no site que serve de comunicação para o grupo. Quem observa de forma neutra, acredita que a "guerra fria" pode eclodir a qualquer momento. 

O "Sempre Vasco", do candidato derrotado Julio Brant, ainda faz movimentações jurídicas que podem suspender a validade do mandato de Campello, algo que chegou a acontecer ano passado, quando a Justiça marcou novas eleições, mas a decisão foi derrubada posteriormente.


Presidente do CD pediu "cabeça" de Campello

Nas últimas semanas de dezembro de 2018, o grupo "Identidade Vasco" - ao qual Edmilson Valentim faz parte - promoveu uma confraternização de fim de ano na sede do Calabouço e, em discurso inflamado, o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Monteiro, pediu a "cabeça" de Campello (veja no vídeo acima). No vídeo que acabou viralizando na internet, Monteiro se refere ao atual presidente do Vasco como "Calabar", alcunha costumeiramente usada pelos integrantes do grupo político para identificar o mandatário.

"Nós somos muito leais. Eu converso com A, com B, com C, com D, mas quero dizer o seguinte: quem me entregar a cabeça do Calabar vai ter a nossa eterna lealdade!", disse no trecho. Calabar é uma referência a Domingos Fernandes Calabar, um senhor de engenho que em 1632 aliou-se aos holandeses que invadiram o Nordeste do Brasil e ficou conhecido como um dos maiores traidores da história brasileira.

Vale lembrar que Campello era membro do "Identidade Vasco" e rompeu com o grupo nos primeiros meses de administração, fazendo com que os integrantes deixassem a diretoria. Em meio a pressão política que convive, Alexandre Campello tenta manter o planejamento de entregar um Vasco com mais austeridade ao fim de sua gestão, algo que foi detalhado em evento no fim de dezembro de 2018. Basta saber se o agitado ambiente cruzmaltino permitirá...

Fonte: UOL