Futebol

Vice da CBF quer salário de R$ 30 mil para atletas: "Seria justo"

A criação de uma liga virou assunto principal na cerimônia de posse de Marco Polo Del Nero, nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro. O novo presidente manifestou sua opinião sobre o tema, não vendo necessidade na criação de uma organização independente. Seu vice da região Sul, no entanto, adotou um discurso mais duro, criticando o Bom Senso, o líder Paulo André e os altos salários que são comuns no futebol brasileiro.

Delfim Peixoto, que também é presidente da federação catarinense, reclamou da postura do zagueiro de ter ido à Justiça contra o Corinthians, após ter deixado o clube para ir à China.

"Quem tem essa ideia de liga é o Bom Senso. Olha o absurdo. O presidente do Bom Senso saiu do Corinthians, foi para fora, voltou e a primeira coisa que ele fez ao voltar ao Brasil foi entrar com uma ação trabalhista contra o Corinthians. Para receber horas extras. Faça-me o favor. É uma coisa que não tem cabimento, absurda. Isso é bom senso? Não vou nem falar tudo que eu estou pensando", disse o dirigente.

"Ele saiu bem, recebeu tudo. E ganhava um baita salário. É uma postura lamentável. Eu não acredito no Bom Senso. Eu não acredito nas ligas. Para começar, o jogador do futebol não pode ganhar esse dinheiro todo. O Brasil não tem condições para isso. A situação é muito ruim, é péssima. Se o operário ganha um salário mínimo porcaria, o jogador tem de ter um salário num nível bem abaixo. É isso que tem que ser. Uns R$ 30 mil, eu acho que seria justo", completou.

O presidente da CBF, porém, ganha cerca de R$ 200 mil por mês. Ou seja, os melhores jogadores ganhariam o equivalente a 15% do salário de Marco Polo. Perguntado, Delfim disse que talvez seja a hora de rever essa questão também.

"Pode se chegar a conclusão de que esteja ganhando demais também. No Governo, os salários são limitados", respondeu.

Paulo André deixou o Corinthians no começo do ano passado e entrou com uma ação na Justiça no último mês de outubro.

Um dia depois de a notícia do processo ser revelada, o zagueiro negou que estaria reivindicando pagamento de horas extras pelos domingos trabalhados.

"Falta com a verdade quem diz que processei o S.C. Corinthians Paulista reivindicando horas extras por trabalhos aos finais de semana. Isto é um absurdo, puro desconhecimento da lei e da ação. É lamentável ver como esse tipo de 'notícia' é replicada sem o menor critério", escreveu em sua conta na rede social.

O ESPN.com.br teve acesso ao processo na época. O ex-capitão alvinegro reclama o pagamento de todos os domingos e feriados trabalhados por não terem sido "jamais compensados" com folgas em outros dias da semana.

De acordo com a Súmula número 146 do Tribunal Superior do Trabalho, reivindicado pelo atleta na ação, "o trabalho prestado em domingos e feriados, não compensado, deve ser pago em dobro, sem prejuízo de remuneração relativa ao repouso semanal".

Fonte: ESPN Brasil
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