Futebol

Xerife Rodrigo bota ordem na defesa e ganha elogios

Até para iniciar uma conversa com Rodrigo é preciso desarmar a defesa. De pouco papo fora de campo, o zagueiro é voz ativa só quando a bola rola. O jeitão fechado (— Não sou de dar muita risada), que para os mais íntimos vira motivo de brincadeiras, não é barreira para o jogador de 33 anos ser um dos líderes do Vasco, três meses após sua chegada. O novo xerife faz do currículo sua braçadeira de capitão e, entre sorrisos e cara feia, espera ajudar o time a conquistar um título novamente hoje.

— Eu sempre tive voz dentro do grupo, mas nunca quis ser capitão. Pela imposição, por botar ordem ali atrás, o pessoal encara como xerife. Mas no dia a dia sou meio fechado — confessa.

O perfil lembra características de zagueiros do Vasco que lideraram campanhas campeãs. Pegue um pouco da elegância de Mauro Galvão (— Ele era bem técnico), a virilidade de Ricardo Rocha (— Ele marcava mais forte) e o faro de gols de Dedé.

— Tenho um pouco de cada, não? — brinca Rodrigo.

O resultado é um jogador que, ainda por cima, nunca se assombrou com lesões musculares — uma fratura no braço interrompeu a passagem pelo Flamengo — e ganhou experiência erguendo troféus por São Paulo, Grêmio, Inter e Goiás.

A boa campanha da zaga no Estadual — a menos vazada — e a parceria com o jovem Luan lembrou as duplas vitoriosas editadas por Mauro Galvão e Odvan, Ricardo Rocha e Alexandre Torres e Dedé e Anderson Martins. O também ex-zagueiro Jorge Luiz atesta.

— Todos precisavam de uma referência. Ele tem esse perfil. De liderança e de ensinar os caminhos, antever jogada, os adversários o respeitam muito — avalia o atual auxiliar técnico.

— Caiu como uma luva com o Luan. Ajuda nas decisões. É fundamental ter em todo time jogadores assim, com esse espírito — defende Ricardo Rocha.

— Rodrigo chegou num momento difícil, bem, deu tranquilidade para o setor. Ao mesmo tempo a defesa toda também acertou — confirma Mauro Galvão.

Rodrigo sabe que a boa fase trás elogios e a queda de produção, comparações.

— Se o time não faz gol lembram do Edmundo. Se a defesa toma muito gol lembram do Dedé. Quem sabe eu não ganho um título no começo. Quero construir uma história bacana, se for mais ou menos que o Dedé, que seja a minha — acredita. Hoje é um bom dia para final feliz.

Fonte: Extra
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