A análise de Vasco 0 x 0 CSA

05/08/2019 às 08h12 - FUTEBOL

A entrevista coletiva de Vanderlei Luxemburgo após o empate com o CSA, em Cariacica, foi das mais sinceras que se poderia esperar do técnico. Em vez de polemizar por um pênalti não marcado, ele assumiu a responsabilidade e reconheceu que a equipe foi muito mal.

No meio da análise, Luxemburgo fez uma confissão que merece ser contemplada de forma mais profunda:

- Temos uma característica, não podemos mudar. Encontramos um jeito de jogar. Os jogadores sabem como temos que fazer. Temos que sair daqui equilibrados, saber que ganhamos um ponto porque não jogamos bem.

Marcação, contra-ataque e bola parada

Esta forma de jogar é conhecida do torcedor vascaíno desde que Luxa assumiu. Dada a falta de recursos no elenco, o técnico montou um time baseado na forte marcação, nos contra-ataques e na bola parada. Assim, fez bons jogos contra Grêmio e Palmeiras fora de casa, por exemplo.

Bruno César em ação contra o CSA: escalado no ataque, jogador não rendeu o esperado — Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br

A estratégia funcionou contra times do mesmo porte. Mas, quando o Vasco se viu diante de um CSA mais do que satisfeito em marcar e esperar o rival, as coisas complicaram. Este elenco cruz-maltino não suporta outra forma de jogar. E aí, com a responsabilidade de propor o jogo, de atacar, nada fluiu.

A análise da vitória sobre o Fluminense já havia mostrado isso: sem peças suficientes no elenco, Luxemburgo idealizou um esquema tático para "esconder" as lacunas. Na falta de um armador de qualidade e de um centroavante de porte, ele montou o time para não depender de nenhuma das duas figuras. Mais: concentra numa única posição, a de atacante centralizado, a função de armar e finalizar.

Não é fácil. Valdivia e Bruno César foram testados ali. Em tese, poderia dar certo. Ambos têm qualidade no passe e na finalização. Mas a realidade é diferente: Valdivia não repete nos jogos o bom desempenho dos treinos; Bruno César não consegue fazer a movimentação necessária e tem a tendência de recuar para participar mais do jogo.

É papel de Luxemburgo continuar buscando uma forma de minimizar esse cobertor curto. Ainda é possível mexer mais no time: Marquinho, por exemplo, ainda não justificou a titularidade. Tiago Reis é o único centroavante puro do elenco, mas claramente ainda não convenceu completamente o treinador. Talles é uma boa notícia, apesar da juventude, e também pode ser testado no ataque - ele estava começando a ser treinado assim no sub-20.

A realidade é que, sem recursos e sem reforços sonantes à vista, o Vasco vai precisar refinar a forma que Luxemburgo escolheu para jogar. E diminuir suas expectativas. O empate com o CSA funcionou, portanto, como um choque de realidade.

Fonte: GloboEsporte.com