A operação relâmpago do Vasco para contratar Fredy Guarín e Felipe Ferreira

28/09/2019 às 08h17 - CLUBE

Imagine a cena: em plena avenida Primeiro de Março, no Centro do Rio de Janeiro, Fredy Guarín e um funcionário do Vasco, com o prazo acabando e num trânsito infernal, largaram o carro em que estavam e foram correndo para o Ministério do Trabalho. Era preciso acelerar os trâmites para regularizar o jogador, e cada segundo era valioso.

A cena, digna de filme de ação, ocorreu na tarde de quinta-feira. Era o sprint final de uma operação cronometrada nos mínimos segundos para que Guarín pudesse ser confirmado como jogador do Vasco e inscrito no Campeonato Brasileiro.

O colombiano foi a contratação de maior impacto do Vasco na janela e pegou os torcedores de surpresa. No início do mês, Guarín negociava com o Flamengo, mas não chegou a um acordo, e as conversas esfriaram. O Rubro-Negro não quis arriscar realizar uma operação complexa na última semana de registro. O Vasco topou o desafio.

O Cruz-Maltino entrou na jogada na noite de terça-feira, através do empresário Zé Renato. O nome foi oferecido a Vanderlei Luxemburgo, que se animou com a contratação e deu seu aval. O presidente Alexandre Campello autorizou a investida, apesar de saber que havia o risco de a operação não se concretizar a tempo.

Foto: Instagram do jogador Fredy GuarínGuarín com a camisa do Vasco

Diante do canal aberto, o acerto com o Vasco foi rápido e aconteceu na quarta-feira de manhã. Uma das questões foi o tempo de contrato. Guarín tem possibilidade de jogar na Major League Soccer, a principal liga de futebol dos Estados Unidos, no próximo ano. Sem clube desde julho, quando rescindiu com o Shanghai Shenhua, da China, viu com bons olhos a chance de atuar no Brasil.

O contrato de três meses serviu perfeitamente aos dois lados. Há um compromisso informal entre as duas partes de conversar sobre a renovação para 2020, mas não existe qualquer cláusula que ative automaticamente a extensão do vínculo. Vai depender de como Guarín e Vasco vão se entender neste curto tempo até dezembro.

No Vasco, Guarín vai receber menos da metade do que chegou a negociar com o Flamengo. No Cruz-Maltino ele terá vencimentos em torno de R$ 200 mil mensais.

Ponte aérea em São Paulo para tirar documento perdido

Com tudo certo, faltava, porém, a papelada. O próprio jogador se disponibilizou a regularizar documentos pessoais e foi pessoalmente a cartórios na Colômbia. Na quarta-feira à noite, funcionários de diversos departamentos do Vasco - jurídico, registros e futebol - já se movimentavam e emitiram as passagens aéreas para Guarín e seu empresário.

 

Guarín chegou ao Rio de Janeiro na madrugada de quinta-feira e passou toda a manhã na Polícia Federal e no Ministério do Trabalho para tirar o visto de trabalho e a carteira de trabalho. Era necessário conseguir tudo até o meio da tarde, para dar tempo de solicitar a documentação do Shanghai Shenhua, da China, devido ao fuso horário.

No Rio, porém, foi cobrado um documento que Guarín havia esquecido na Colômbia. Eram 10h de quinta-feira. Em uma hora, foi emitida uma procuração num cartório para que um funcionário do Vasco fosse a São Paulo, no consulado colombiano, para tirar o documento em até 90 minutos. O voo de volta ao Rio estava marcado para 14h.

Enquanto esperava esta situação, Guarín passou por exames médicos na Barra da Tijuca e assinou um contrato particular, feito com urgência, para que o Vasco adiantasse a papelada.

Com o documento do consulado em mãos, o jogador se encaminhou ao Ministério do Trabalho, no Centro do Rio de Janeiro - com o trânsito e o prazo curto, ele e o funcionário vascaíno largaram o carro em plena avenida Primeiro de Março e foram correndo para o prédio.

Superado esse obstáculo, o Vasco adiantou tudo o que pôde na quinta-feira, realizando uma espécie de pré-registro na CBF. Ficou pendente apenas a documentação do Shanghai Shenhua, o último clube de Guarín. Devido ao fuso horário, os chineses só poderiam enviar sua parte na manhã desta sexta. No fim, tudo deu certo.

Guarín finalizou os exames médicos nesta sexta. Os resultados foram considerados bons: o colombiano de 33 anos não tem lesões e está em boa forma física. A comissão técnica acredita que ele levará cerca de 10 dias para ficar à disposição.

Felipe Ferreira, uma batalha judicial

Enquanto corria para regularizar Guarín, o Vasco também negociava por Felipe Ferreira. Por incrível que pareça, a situação do meia foi mais complicada do que a do colombiano. A frase de um funcionário cruz-maltino às 16h50 (de Brasília) de sexta-feira deu o tom da correria:

- Estamos correndo mais do que o Usain Bolt.

Isso porque o jogador pertence à Ferroviária de Araraquara, mas estava emprestado ao CRB. Na noite de quarta, o clube paulista comunicou aos alagoanos da proposta do Vasco - há uma cláusula no contrato que permite a liberação gratuita em caso de oferta de um time da Série A.

Ainda assim, o CRB fez jogo duro. O presidente Marcos Barbosa queria o pagamento da multa rescisória de R$ 150 mil. Nos bastidores, porém, o clube alagoano já procurava um substituto para Felipe desde a quinta-feira. O meia, sem chegar a um acordo, faltou ao treino.

Foto: Leonardo Freire / GloboEsporte.comFelipe Ferreira

À noite, a Ferroviária, também irritada com a postura do CRB, entrou com duas liminares, uma na Justiça e outra na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF. Com o parecer favorável, Felipe conseguiu a rescisão.

Faltava, porém, todo o trâmite burocrático. O CRB segurou o quanto pôde: somente por volta das 16h30 a rescisão foi publicada no BID. A partir daí, era questão de agilizar a papelada entre Vasco, Ferroviária e CBF.

Das 18h às 19h, os funcionários do Vasco se mobilizaram. Faltava uma pressão final na CBF para que tudo fosse confirmado e referendado a tempo. Às 19h, no limite do prazo, Felipe Ferreira apareceu no BID como jogador do Vasco. O CRB ainda contesta a decisão judicial e diz que vai exigir a volta do jogador. Em São Januário, porém, o sentimento é de final feliz.

Fonte: GloboEsporte.com