Amaral diz que já teve chuteira proibida por Eurico

10/04/2020 às 08h03 - FUTEBOL

Conhecido por ter marcado de quase todas as formas possíveis, o Rei do Futebol viu um belo lance em que tentou encobrir o goleiro da Checoslávia na Copa de 1970 ser batizado de "O gol que Pelé não fez". No time de coração do Atleta do Século existe o "gol que Amaral não fez". O carismático e guerreiro volante por pouco não fez o que seria o sexto do Vasco no histórico Chocolate da Páscoa em 2000, contra o Flamengo. E seria um golaço, também de cobertura (veja em vídeo no topo da matéria). Não foi, a bola bateu no travessão, e o placar ficou em 5 a 1.

Diferentemente de Pelé, Amaral fez pouquíssimos gols na carreira. Seu forte era a marcação, virtude que o levou à Seleção. À época, aos 27, somava apenas dois como atleta profissional. Hoje, já aposentado, não voltou muito às redes adversárias, mas segue artilheiro quando o assunto é arrancar gargalhadas.

Perguntado se aquela bola entrasse, os gols de Romário e as embaixadinhas de Pedrinho seriam ofuscadas, Amaral disparou:

- Eu não lembrava desse lance sinceramente. Depois que os caras mostraram para mim, falei: "Caramba, será que fui eu mesmo ou a minha sombra?". Seria um golaço, mas foi uma jornada histórica, onde o Eurico Miranda mandou fazer mais de 40 mil ovos de Páscoa.

Aquele Vasco x Flamengo faz Amaral recordar o tempo em que os estaduais tinham maior relevância dentro do calendário nacional.

- E o mais legal disso é que antigamente os clubes davam maior valor ao estadual, às vezes tinha mais valor do que o Brasileiro. Hoje não dão muita importância. As grandes conquistas de Vasco, Flamengo, Botafogo e Fluminense sempre têm Taça Guanabara, Taça Rio. Davam tanta importância que você via os estádios lotados. Nessa tarde você tinha quase 60 mil no Maracanã.

Como era conviver com a briga entre Romário e Edmundo?
Jogar com Romário e Edmundo foi uma satisfação imensa para mim. Só que tinha aquela divisão. Às vezes eles não se falavam, mas em campo os dois tinham uma união tremenda, a gente não pode esquecer disso.

Teve até um jogo que eu eu olhei para o Romário, toquei para o Edmundo, e o Romário me xingou. Peguei uma bola livrinho, ia tocar para o Edmundo e toquei para o Romário. O Edmundo ficou doido comigo. Aí os dois pediram "aqui, toca para mim", e eu mirei e chutei para o gol. A bola subiu, foi para fora do estádio (risos). Os dois falaram que eu tinha que roubar e entregar para eles. Aí respondi: "Só chutei uma, eu tenho crédito". Aí os caras deram risada.

Quem era o mais engraçado daquele elenco do Vasco?
Acho que o mais engraçado dali era eu, quebrava para caramba. Eu tinha patrocínio da Mizuno, aí eles me mandaram uma chuteira. Quando chegou para mim, a chuteira era vermelha, e o Eurico Miranda viu na rouparia e disse: "Pô, de quem é essa chuteira aqui?". Aí o Eurico me chamou, estava tendo uma palestra do Abel, e ele me chamou. O papo foi assim:

- Que foi, seu Eurico?
- Que cor é a sua chuteira, Amaral?
- É preta.
- Mas que chuteira vermelha é essa que chegou aqui para você?
- A Mizuno vai lançar.
- Aqui não vai lançar nada, não. Pode pintar de preto.
- Poxa, seu Eurico, se eu pintar de preto com tinta ela vai ficar dura porque é cor de canguru.
- Não quero saber, bota então no abacaxi que vai amolecer.

E desde quando abacaxi amolece chuteira, Amaral?
Abacaxi amolece carne. Falei que era chuteira de canguru e que ia ficar dura. Ele falou para botar abacaxi porque é ácido e amolece a chuteira.

E como era sua relação com o Eurico?

Para mim, o Eurico Miranda foi um dos melhores presidentes que eu tive. Me respeitava bastante. Ele olhava para mim e falava: "Você, eu não vou atrasar porque está correndo". Quando saí para a Fiorentina, me pagou certinho e me agradeceu. Depois de anos que eu não entrava em São Januário, me recebeu de forma magnífica.

Presidente que confiou em mim, acreditou na minha contratação juntamente com o Pedrinho Vicençote, e eu não vinha jogando no Corinthians. Para você ver, fui escolhido o melhor jogador daquela final do Mundial (Vasco x Corinthians) tendo Romário e Edmundo, jogadores que têm muito mais qualidade do que eu. Gostoso quando você tem um treinador ou um presidente que confia em você.

E tem alguma outra história bacana no Vasco?
Tem o gol que eu fiz no Vasco de cabeça (na goleada por 6 a 1 sobre o Olaria, em 13 de maio de 2000 - veja acima). Romário falou para mim: "Amaral, agora comigo você corre certo. Eu te consagrei quando te dei elástico no Corinthians e Flamengo. Hoje dei um passe para você fazer o gol de cabeça".

Eu falei: "Pô, você não deu passe não. Você foi chutar no gol de bico, a bola levantou, e eu cabeceei". Ele falou que fez o passe. Se você procurar na internet, consegue esse gol que eu fiz de cabeça.

E o Luís Roberto narrou Fabiano no seu único gol pelo Vasco...
Outro que errou. Luís Roberto me chamou de Fabiano. Quando eu fiz gol (pelo Palmeiras), o Galvão Bueno errou. Falou "Alex toca para Paulo Isidoro e é gol". Agora o Luís Roberto de novo. Vou falar para o Luís quando eu encontrá-lo: "Você me confundiu com o Fabiano, meu! Ele é branco!". E olha que o Luís Roberto estava no estádio (risos)...

Fonte: GloboEsporte.com