O pedido de Philippe Coutinho para rescindir o contrato com o Vasco pegou a direção do clube de surpresa, mas era uma decisão que já vinha sendo cogitada pelo jogador nos últimos tempos devido ao desgaste emocional do dia a dia.
Em texto publicado nas redes sociais, o meia citou questões de saúde mental para explicar a saída do Vasco. Ele contou que sentiu o fim de seu ciclo no último sábado, no intervalo da partida contra o Volta Redonda, em São Januário.
Vaiado e xingado pela torcida no fim do primeiro tempo, Coutinho chorou no vestiário durante o intervalo. Substituído, ele não voltou para ficar no banco no segundo tempo. Apesar da carga emocional do jogo contra o Volta Redonda, a decisão da rescisão não foi tomada apenas por causa daquela partida.
Derrota na Copa do Brasil agravou estado emocional
O ge apurou que o desgaste existia desde o fim da última temporada. Pessoas próximas a Coutinho conversavam sobre o tema com frequência. O técnico Fernando Diniz, por exemplo, estava ciente da situação, mas não esperava que o meia tomasse essa decisão de forma repentina.
Em novembro do ano passado, Diniz revelou que Coutinho havia pensado em parar de jogar futebol. O treinador citou o trabalho que fez com jovens como John Kennedy e Rayan e afirmou que até jogadores mais experientes precisam de ajuda. Nas últimas horas, pessoas do Vasco argumentaram que a decisão de Coutinho poderia ter ocorrido em 2025.
— O que eu persigo a vida inteira é mudar a vida de um John Kennedy, de um Rayan, de gente desse tipo. Do Coutinho, que também precisa de ajuda, porque tem dinheiro, passou por grandes clubes e disputou a Copa do Mundo, mas queria parar de jogar. Agora não quer mais parar. No fundo, todo mundo precisa de ajuda — afirmou o treinador do Vasco no evento organizado pela Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol em 2025.
Entende-se que a situação emocional de Coutinho piorou depois da final da Copa do Brasil do ano passado. O meia ficou muito abalado com o vice-campeonato. Seu maior desejo profissional era coroar o retorno ao Vasco com um título, o que não ocorreu.
Internamente, a avaliação era de que Coutinho “sofria para jogar”, porque se cobrava demais. Muitas vezes, o meia não conseguia sentir prazer em campo. A partida contra o Volta Redonda não foi a primeira vez em que ele se mostrou abalado durante um jogo.
A decisão neste momento diz mais sobre Coutinho do que sobre a situação dele no Vasco. O jogador quis rescindir o contrato para focar na saúde mental, não para pensar em dar outro passo na carreira.
O meia também se mostrou abalado com as críticas desde o fim do ano passado, principalmente nas redes sociais. Na arquibancada, a paciência foi maior. O jogador foi vaiado pela primeira vez na derrota para o Bahia, há uma semana. Na partida seguinte, ouviu vaias e xingamentos.
— Nunca faltou entrega, nunca faltou vontade e comprometimento. Ser julgado por inúmeras pessoas por algo que não faz parte do meu caráter é difícil demais — disse o meia, que completou em sua nota:
— A verdade é que estou muito cansado mentalmente. Sempre fui muito reservado, então falar isso aqui não é fácil, mas eu preciso ser honesto. Minha relação com o Vasco é de amor. E vai continuar sendo para sempre. Com o coração apertado, eu entendo que agora seja o momento de dar um passo para trás e encerrar esse ciclo no Vasco.
Conversa final com Diniz não mudou decisão
Coutinho teve uma conversa final com Fernando Diniz na terça-feira. O treinador ficou abalado com a decisão do meia, que era irreversível. Diniz se enxerga no jogador e entende o lado do atleta, porque também jogou e conviveu com muitas cobranças internas. Em entrevista no ano passado ao Abre Aspas, do ge, o treinador afirmou que "estava quase em estado de sofrimento" durante a carreira.
– Durante a minha vida de jogador me defendi muito para preservar aquilo que eu era, confesso até que poderia ter jogado melhor porque estava quase sempre em estado de sofrimento, porque parecia que as pessoas queriam me puxar cada hora para um lado, não te encorajando – afirmou Diniz.
O planejamento do Vasco e de Coutinho era de que o meia encerrasse a carreira no clube. Havia conversas em andamento para uma renovação até o fim do ano.
Mais lidas